Blog do Schiavoni

Comentário de Bullamah

Dezembro 24, 2009 · 1 Comentário

Vanderson Bullamah, que foi tema de uma postagem neste blog, enviou um comentário ao texto, o qual resolvi publicar como postagem. Achei realmente interessante ter esse feedback daquele que foi motivo das palavras que escrevi. Eis o comentário dele.

“Espero q esteja bem Schiavoni, por coincidência estava procurando trabalhos de v.subclávia/hidratação e perto dessa referência:
(FAZAN, V. P. S. ; SCHIAVONI, Maria Cristina Lopes . Estudo da correlação.. ) estava seu blog e lí a matéria q escreveu, aliás todas.
Impressionante como consegue passar para a escrita dados de linguagem corporal e cognitivas do analisado.
A sua acertividade é quase que total. Realmente,
embora pouquissímos, os pesos alheios sãos piores, mas amenizam sabendo das pacientes satisfeitas e estudando nutrição geral associado aos de formado em medicina.
Abraços, grato pela forma que abordou o assunto, boas festas e bons anos novos a vc e familiares.

22/12/2009.
Vanderson

→ 1 ComentárioCategorias: Geral
Etiquetado:

ENTREVISTA COM PAPAI NOEL

Dezembro 24, 2009 · Deixe um comentário

Sim, senhores, estreiamos nossa nova secção temática, a Entrevista de Quinta, com uma das maiores figuras da sociedade cristã ocidental. Trata-se dele, Santa Claus, o bom e velho Papai Noel, que conta tudo em uma entrevista mais que exclusiva.

Boa leitura!

 Blog do Schiavoni: Vamos começar pelo mais difícil. Brincadeiras na internet sugerem que pode haver algum indício de homossexualidade, zoofilia e pedofilia em algumas ações de sua pessoa, principalmente a questão de colocar crianças no seu colo e fazer um pedido. Também comentam de sua relação com Rudolph, o líder das renas. Seco pra você, Papai Noel: o senhor é bicha?

 Papai Noel: Isso tudo é intriga. Sou espada, posso garantir! Além disso que você disse, também dizem que, nos Estados Unidos, sou conhecido como Santa. E também que submeto os anões a uma rotina de trabalho escravo. São pessoas sem espírito cristão, que querem acabar com os valores. Posso assegurar que nada disso existe.

 Nunca manteve relação nem assediou nenhum dos seus anões? E sobre o Rudolph?

Não vou responder esse absurdo. E, se a entrevista continuar nessa linha, teremos que parar por aqui?

 Tudo bem, vamos deixar a temática sexual de lado. Mas e a questão trabalhista? O blog apurou que existe pelo menos uma dúzia de processos de trabalhadores de sua fábrica na Justiça da Lapônia exigindo o pagamento do piso da categoria e as horas extras, que seriam pelo ano todo…

 Sabe como é, funcionário nunca sai satisfeito, mas trato cada um dos meus colaboradores como parte da minha família. As informações jurídicas sobre os casos você pega com meu advogado, sabe como é.

O senhor é uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo. Como faz para lidar com a fama? Já tem serviço de assessoria de imprensa?

 Essa história de comunicação é muito importante, né? Sempre fui o Papai Noel, mas as pessoas só começaram a me conhecer de verdade depois que uns marketeiros da Coca Cola resolveram dar uma mãozinha na minha carreira, sabe? Hoje tenho uma equipe própria que cuida da minha imagem. Mas o problema que todos nós vivemos é a pirataria. Saca, um Papai Noel em cada shopping, nas ruas das cidades, tudo isso sem licenciar. Acabo perdendo muito dinheiro. Investimos décadas e décadas em qualidade para, no fim do ano, qualquer gordo desempregado vestir a mítica roupa vermelha e encarnar meu personagem. É triste e duro isso, sabia?

O senhor vive uma relação estável com a Mamãe Noel, que é muitos anos mais jovem que você. Na verdade, a cada ano o senhor está mais velho, e a Mamãe Noel fica cada ano mais nova. Consegue cumprir com suas funções conjugais?

 No começo, havia só uma Mamãe Noel. Mas ela encheu muito o saco, brigou com meus assistentes e acabamos nos separando. Desde então, tenho vivido uma série de relacionamentos não muito longos. Quero aproveitar o momento, entende? Mas posso garantir que cumpro com todas as obrigações sexuais, e sem Viagra!

 Como consegue financiamento para comprar e produzir tantos presentes? Há um boato que o senhor, durante o ano, rouba bancos para bancar a fartura natalina…

 Mais uma mentira. Sou um homem de muitas posses, tenho recursos mais que suficientes para fazer meu trabalho. Mesmo nos últimos anos, onde a febre tecnológica encareceu consideravelmente o preço das matérias primas, posso dizer que ainda consigo ser sustentável. Também tenho fontes de financiamento público de bancos estatais, como o BNDES, que ajudam na produção e geralmente sequer cobram taxas de juros, dado o caráter social do investimento.

 Como é? O senhor está dizendo que o BNDES financia sua produção?

Contribui com uma pequena parte. Mas nada muito diferente do que ele geralmente faz para governos amigos, como Venezuela. Tudo entre amigos. Gosto muito do Lula.

Vou ignorar sua referência política e continuar. Uma banda brasileira de punk rock escreveu, há duas décadas, uma música que tornou-se um clássico. Papai Noel Filho da Puta. O que acha dela?

Um ultraje. Prefiro a versão do Velho Batuta. Mas meus advogados já estão cuidando disso e abriram um processo contra esses palhaços. É mais uma tentativa de me integrar ao sistema capitalista.

E você não está integrado? Alguns consideram o senhor como o grande ícone do consumismo desenfreado que simboliza as últimas décadas.

 Não tenho culpa da apropriação que as pessoas fazem do símbolo que sou. Eu dou presente, faço o bem. Mas não tenho culpa se as empresas me integram ã sua estratégia de marketing. Devo dizer, aliás, que nem os royalts nem direito de imagem eu recebo. Um verdadeiro absurdo.

Posso imaginar. Mas para acabar essa entrevista com um bate bola. Pode ser?

Vamos lá.

Uma personalidade:
Papai Noel, claro.

Um filme
 A louca história de Papai Noel

Um livro
Papai Noel: Um velhinho de muitos nomes

Uma música
Então é Natal, com a Simone cantando. A-D-O-R-O.

Time preferido de futebol
Santa Cruz

Um pedido
Folgar no Natal pelo menos um ano. No Brasil. Em uma praia. Muito quente.

Um projeto
Minha nova fábrica no Pólo Sul. Sabe como é, o Pólo norte está acabando por conta do calor, é preciso precaução para o futuro.

Um sonho de consumo
Um super trenó ultra speed versão 7.0 com velocidade máxima de 16 mil km/h.

Doce ou salgado
Odeio doce. Diabetes, sabe como é.

Papai Noel por Papai Noel
Sou um cara gente boa, muitas vezes incompreendido.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Geral
Etiquetado: , , ,

Novidades

Dezembro 22, 2009 · 1 Comentário

Depois de um agradável fim de semana na cidade das três colinas, eis que volto a Ribeirão e a este humilde blog que, nos últimos dias, ficou sem atualização. E, para compensar o tempo, tenho uma notícia bacana.

Aliás, grande Sérgio de Pinho, o mestre das artes fotográficas, obrigado pela acolhida. E ao Rodolfo, claro, pela excelente companhia no sabadão.

Para movimentar o blog e não depender exclusivamente das minhas poucas idéias, começo a publicar, a partir dessa semana, algumas sessões fixas. Não pensei em todas ainda, mas na quinta-feira estréio a primeira delas: Entrevista de Quinta.

Funciona assim: toda quinta-feira entrevistarei alguém interessante – seja conhecido ou não – em um bom pingue-pongue e depois disponibilizo através do blog.

Tenho algumas outras idéias que devem ser implementadas até o começo do ano que vem. E vamos que vamos.

→ 1 ComentárioCategorias: Geral

SEPARADOS NO NASCIMENTO

Dezembro 17, 2009 · Deixe um comentário

Já fiz esse comentário para algumas pessoas e, vendo novamente uma foto ontem, a semelhança tornou-se, para mim, ainda mais absurda. Mesmo estilo e, há quem diga, mesma forma, digamos, de se posicionar em relação ao mundo. Digam: não parecem irmãos?

O vereador e jornalista Marcelo Palinkas (DEM)...

→ Deixe um ComentárioCategorias: Geral

O eterno Cícero

Dezembro 17, 2009 · Deixe um comentário

A notícia é de terça-feira mas, por motivos alheios ã minha vontade, não foi possível cornetar antes. Cícero Gomes da Silva (PMDB) tornou-se, mais uma vez, presidente da Câmara de Ribeirão. Seu mandato vale para o ano de 2010.

Trata-se de mais um recorde batido pelo Baiano: é sua oitava legislatura e também sua oitava vez como presidente. Pessoalmente, penso que deveriam torna-lo uma espécie de hours concours, fazer uma imagem de seu corpo em bronze na cadeira de presidente, enfim, algo do tipo.

A reeleição Cícero só tornou-se possível graças a um projeto do vereador Oliveira Junior (PSC) que, no meio do ano, instituiu a cláusula de reeleição no Regimento Interno. Com o novo mecanismo, Cícero conseguiu a reeleição. Toda a Mesa Diretora à sua exceção, no entanto, foi renovada:  Walter Gomes (PR, vice-presidente, 15 votos), Bertinho Scandiuzzi (PSDB) (1º secretário, 17 votos) e Marcelo Palinkas (DEM) (2º secretário, 16 votos) completam o corpo diretivo.

Mas o divertido mesmo – eu acompanhei a sessão de casa, não pude ir até o Legislativo – foi a cornetada que o vereador Gilberto Abreu (PV) deu nos colegas. Ele disse, em alto e bom som, que houve  “conchavos” para a eleição dos novos e deixou implícito, inclusive, uma suposta traição de Cícero.

Na modesta opinião deste jornalista, o que aconteceu foi uma acomodação natural. Política não se faz sem articulação e, como tornou-se óbvio, os eleitos, comandados por Walter Gomes, começaram a se articular bem antes dos demais, que esperavam a reeleição como certa.

Destaque mesmo, pra mim, é o interminável Cícero Gomes. Político que enfrenta alguns problemas por improbidade administrativa, em especial por construir pizzarias em áreas doadas pelo poder público, Cícero tem poder de articulação incomparável na política local.

Conhece como ninguém os meandros do poder. É leal – nunca descumpre acordos e, para alguns, entre os quais me incluo sem pestanejar, é um mal necèssário. Acho que nenhum outro vereador teria o traquejo político e o conhecimento técnico para conduzir como ele a Casa.

Na última eleição, quando uma renovação superior a 50% e uma onda de transparência parecia varrer o Legislativo, conseguiu se articular e permanecer à frente da Câmara, ainda que todos esperassem mudanças. Permaneceu e conduziu o0 processo de forma correta, mais transpatrente. Camaleónico, adaptou-se ã nova realidade.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Geral

Adeus, D. Arnaldo

Dezembro 15, 2009 · 2 Comentários

Dom Arnaldo durante celebração: morre arcebispo emérito de RP

Morreu na manhã de hoje, às 8h30, de falência múltipla dos órgãos, o arcebispo emérito de Ribeirão, Dom Arnaldo Ribeiro. Ele estava internado há praticamente seis meses em Belo Horizonte.

O corpo está sendo velado na capital mineira e deve seguir, na tarde de amanha, para Ribeirão Preto, onde será velado até sexta na Catedral. O sepultamento deverá acontecer na própria sexta, no interior da própria igreja, que já tem lugar preparado para o corpo de Dom Arnaldo.

Mineiro de nascimento, Dom Arnaldo adotou Ribeirão como sua cidade. Foi eleito arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto em 28 de dezembro de 1988, e sua posse se deu a 04 de março de 1989, cumprindo sua função até 2006, quando se tornou bispo emérito.

Grande articulador social, Dom Arnaldo será lembrado sempre por um intenso trabalho social, além de participar efetivamente, em nome da igreja que comandava, das principais discussões sociais de sua época.

Eu, que não sou chegado a religiões e igrejas, tinha admitração e respeito por esse arcebispo muito acima da média. Uma grande perda para a Igreja Católica e para a sociedade.

(Com informações do Portal Cançao Nova)

→ 2 ComentáriosCategorias: Geral
Etiquetado: , , , , ,

Incineração de provas

Dezembro 15, 2009 · 2 Comentários

Acabo de ter acesso a um documento da Justiça Eleitoral que dá conta que a 108 zona irá incinerar, em dez dias, material referente a eleições passadas. O juiz Benedito Sérgio de Oliveira, que responde pela Justiça Eleitoral em Ribeirão, enviou comunicação no último dia 10. O prazo final para a inutilização do material, que incluem diskettes com resultado das eleições e mesmo decisões jurisprudenciais, termina dia 21.

Pode parecer pouca coisa, mas não é. Nunca acreditei na lisura de eleições com urnas eletrônicas – o que aprendei com o imenso Leonel Brizola, pra mim o mais republicano dos políticos que viveram na segunda metade do século XX.

Entre o material que será incenerado estão, por exemplo, todos os registros da eleição de 2004, aquela marcada por imensas polêmicas envolvendo a candidatura de Fernando Chiarelli. Significa, portanto, que os originais das votações, que poderiam determinar quantos votos Chiarelli teve de verdade, estarão destruídos. A verdade virará cinzas.

Perpetua-se, assim, na minha opinião, a imensa fraude cometida naquelas eleições. Perpetua-se a terra de ninguém, a incompetência e, em alguns casos, absurda incoerência da Justiça Eleitoral de Ribeirão, tão conhecida por abafar ao máximo escândalos que, em outras cidades e estados mais juridicamente desenvolvidas, como provam exemplos do Maranhão, seriam suficientes para cassar alguns corruptos que aqui são chamados de “decanos” pelas autoridades quase competentes.

Uma Justiça acusada de vender sentenças, de deixar a bandalheira correr solta, de não aplicar a lei. Uma Justiça que, nas últimas eleições, teve um exponente máximo da arte de não fazer o que se deve no seu chefe máximo, mais afeito a entrevistas do que na apuração dos inúmeros crimes eleitorais perpetuados nessa terra de ninguém.

Triste para Ribeirão.

→ 2 ComentáriosCategorias: Geral
Etiquetado: , , , , , ,

Meu caro amigo*

Dezembro 14, 2009 · 2 Comentários

André Geraldo, o grande companheiro: carinha de Pokémon e capacidade etílica quase incomparável

Meu caro Eduardo, estou contigo. Lugar de jornalista é na rua.

Há pouco mais de cinco anos eu era responsável pela confecção do Verdade Bairros (editor, fotógrafo, repórter…). Por uma semana e semanalmente convivia com miseráveis, gente necessitada e de pouca instrução nos arrabaldes de Ribeirão. Mas eu ia lá, fazer matéria em loco.

Vivi e convivi os dissabores que a pobreza impele aos renegados sociais. O Verdade Bairros durou um ano até minha saída. Mas histórias e pessoas ficaram e estão em minha memória. Eu vivia nesta época em favelas e bairros de gente humilde, dedicando cada minuto da minha vida aos carentes.

Era ideologia me preocupar com o ser humano. Hoje vejo espalhado por aí em jornais e programas televisivos cópias medíocres de tudo aquilo que produzi com afinco dedicação e me pergunto: “alguém tem realmente preocupação com o bem estar destes desmazelados, ou só os exploram por que é politicamente correto e comercialmente vantajoso para empresas jornalísticas?

Já que copiaram a idéia por que não tiveram a hombridade de pelo ser fiel  ao original, à essência. E mais. Por que não foram pelo menos parciais e compraram a ideologia de ajudar o próximo, mandando “jornalistas capacitados, que sabem o que é rua” lá para ver o que é premente a cada um daqueles desfavorecidos?”.

Vejo no jornalismo uma molecada mal formada e despreparada fazendo coisas que são para “gente grande”, editados por jornalistas de merda e de rabo preso, que mal conhecem Ribeirão e pouco se importam em conhecer, não sabem nem onde fica o…

Antes de ter diploma de jornalista é preciso ser entregador, motorista, biscate e muitas outras cositas más… “Jornalista” não se fabrica.  

* André Geraldo é jornalista. Editor-chefe do Jornal do Farol, já foi repórter e editor no Jornal A CIDADE e no Verdade, além de editor no jornal O Estado do Mato Grosso do Sul. Também é um dos maiores bebedores de Ribeirão, conhecido na região da Baixada e dono de conta em todos os bares do perímetro central de Ribeirão.

→ 2 ComentáriosCategorias: Geral

Bullamah e a Justiça

Dezembro 14, 2009 · 1 Comentário

Vanderson Bullamah durante julgamento: mesma culpa em um corpo mais desgastado

A notícia é velha, mas motivou algumas reflexões no fim de semana. Depois de anos e anos de espera, eis que Vanderson Bullamah, que havia sido condenado, na madrugada da última sexta, a 18 anos de prisão como responsável pela morte da jovem Hellen Buratti, crime acontecido em 2002, já está nas ruas.

Bullamah fazia operações plásticas e lipoaspiração em clientela refinada de Ribeirão e região mesmo sem a especialização médica necessária para isso. Foi indiciado pela morte de três pacientes, sendo dois processos arquivados.

Saiu do Centro de Detenção Provisória sem a cabeleira, é verdade, mas livre, leve e solto graças a um habeas corpus concedido pelo Judiciário no fim de semana. Judiciário bom o nosso. Profíquo em habeas corpus salvadores, desde que exista o advogado certo e uma boa quantidade de dinheiro para pagá-lo. Até de fim de semana a célere justiça brasileira trabalha sem parar nesse caso.

Mas enfim, de volta ao que interessa. Tive a chance de falar com Bullamah em meados de 2008. Havia acabado de voltar ao A Cidade quando chegou a pauta: ele, que havia tido a licença médica cassada por decisão do Conselho de Medicina, havia feito uma nova graduação, em Nutrição, e estava atendendo em uma clínica na Avenida Independência.

Fui até lá e fiz uma consulta com o ex-médico como se fosse um paciente normal. Paguei os R$ 150 cobrados por ele – duas parcelas de R$ 75, salvo engano. Enganei bem, acho. Fez recomendações, pediu avaliações, tudo dentro do profissionalismo e dos limites da sua nova profissão. Demos o furo no dia seguinte, matéria que acabou repercutido no Brasil inteiro e feita, nos dias seguintes, pelos demais jornais da cidade.

No contato que tive com Bullamah, o ex-médico pareceu-me uma alma atormentada. Depois da hora e meia que passamos conversando sobre minha avaliação clínica, me identifiquei como repórter e fiz algumas perguntas que precisavam ser respondidas. O que vi em minha frente foi um homem acabado, tentando recomeçar, mas irremediavelmente marcado.

Antes que cornetem, acho que ele deve pagar pelos crimes que cometeu. Ao que tudo indica, houve três mortes causadas pela imperícia médica por ele praticada. Mas naquele dia em que estive cara a cara com Bullamah, primeiro como paciente depois como jornalista, pude perceber uma mancha negra de tristeza no semblante do agora nutricionista.

Contou das agruras e da depressão que teve desde a morte da Hellen. Também disse ser amigo da família antes da operação. Contou ainda que fez outra faculdade, com a ajuda da família, por medo de enlouquecer e que nunca mais pensou em exercer a Medicina desde que teve o registro cassado.

A mim, pareceu eternamente marcado pelo que aconteceu, o olhar melancólico, quase depressivo, como se vítima de um sangramento eterno, que nunca para, uma chaga que precisa ser vista e enfrentada todos os dias.

Nas imagens que vi dele durante o julgamento, e mesmo depois, encontrei a mesma impressão. Em um corpo mais acabado, meio que castigado com a obrigatoriedade de viver com tanto peso nas costas. Peso de vidas que ele sabe que tirou.

Ainda como parte da consulta, pedi, dias depois, que minha mulher Thaisa fosse até Bullamah. Precisava falar com ela e passar algumas recomendações. Ela foi e disse que, ao conversar com ele, teve medo. Que o ex-médico passava a ela a impressão de ser um monstro. Que o olhar dele a aterrorizou. Como se fosse uma fera.

→ 1 ComentárioCategorias: Geral
Etiquetado: , , , , , , , ,

Lugar de repórter é na rua

Dezembro 10, 2009 · 4 Comentários

Sim, meus caros, sou um repórter das antigas. E pertenço ao time dos que, embora utilizem ao máximo as novas tecnologias na hora de elaborar uma boa pauta, não trocam o convívio das ruas por nenhum Twitter ou Orkut da vida na hora de captar boas histórias. Infelizmente para o jornalismo, no entanto, o que se vê hoje é cada vez mais entrevistas por telefone ou e-mail e matérias feitas sem o salutar contato das ruas. Daí, talvez, o nível baixo de jornalismo que se pratica hoje no Brasil. E o mal atinge sem distinção veículos grandes e pequenos, de capitais e do interior.

O profissional, hoje, é submetido a uma rotina estressante de apuração, que, muitas vezes, envolve a confecção de três, quatro matérias por dia. Como todos sabemos, é impossível apurar bem uma gama tão grande de histórias. Resultado: uma ou duas dessas matérias sai capenga e, com absoluta certeza, nenhuma com nível excepcional. Posso falar disso com muita tranquilidade, pois sempre fui excelente em produzir muito na média. Era o cara que virava 5, 6 pautas por dia. Geralmente uma ou duas ficavam boas, as demais com qualidade suficiente para encher linguiça.

Mas aquela reportagem bem trabalhada, pesquisa por dias e dias, com o texto lapidado lentamente é artigo raro de encontrar. Apenas poucos privilegiados podem se dar ao luxo de perder tempo apurando com tal profundidade. Especialmente nos jornais do interior, que contam com poucos jornalistas e precisam, antes de tudo, garantir a edição do próximo dia.

Uma história interessante sobre esse tema aconteceu em Jundiaí, na Rede BOM DIA. Após uma pane em um dos fios de eletricidade, ficamos cerca de uma hora sem condições de trabalhar. Normal, até certo ponto. Quando o problema foi sanad0, voltamos às máquinas e, sem internet, fomos obrigados a botar o papo em dia por cerca de meia hora.

Trabalhava na CEC, a famigerada Central de Edição Compartilhada, que produzia e editava material para todos os jornais da rede. A turminha era boa – entre outros, estavam o GRANDE Duda Pereira, o indecifrável Alessandro Bonassoli e o irmão Eduardo Reis. Nosso chefe era a lenda, o mito, o homem Evandro Spinelli.

Na verdade, a gente mais editava que produzia. Nosso trabalho consistia basicamente em pegar noticiário nacional das agências e sites – chupinhar, basicamente – e fazer caber em um espaço minúsculo. Dos 12 redatores, apenas dois ou três faziam matérias especiais. Eu era um deles.

Aproveitando a queda da rede, em um momento de descontração, comentei com uma companheira que o que fazíamos aqui não era jornalismo de verdade, já que dependia, unicamente, da rede mundial de computadores. Era mais um trabalho de texto do que de jornalismo. Minha interlocutora, sem aprofundar o assunto, disse que discordava. Não tocamos mais no assunto.

Honestamente, ainda tenho uma visão um tanto quanto romântica da arte de divulgar informações. Acho que o verdadeiro jornalismo é praticado nas ruas, no contato com as pessoas, quando o repórter descobre uma grande história nas coisas mais simples do dia-a-dia.

Entre as poucas matérias excelentes que fiz em minha curta carreira, não consigo esquecer uma em que falei com uma aposentada que estava sendo recadastrada pelo Instituto dos Previdenciários do Município de Ribeirão. Foi tão intensa a história que ela me contou, em separado dos outros repórteres, que insistiam em falar com as autoridades presentes, que não tive escolha senão fazer a matéria totalmente focada nela.

Aquele dia, saindo da redação um pouco mais tarde que o habitual, fiquei feliz por ser jornalista e por contar a toda cidade o drama humano, causado pelos inumanos governantes, a uma mulher tão sofrida. Naquele dia fiquei orgulhoso do meu diploma e do meu texto, da minha mente e do jornal onde trabalhava.

Em um jornalismo de internet, todo o contato, toda a essencia da notícia, que é o ser humano, acaba se perdendo. Algumas vezes mais, outras menos, mas sempre se dissolve entre uma máscara de imparcialidade e frieza.

Hoje longe das redações, fazendo jornalismo de forma esparça, quase incongruente, espero nunca perder, ao menos na essencia, o espirito do repórter de rua, aquele que quer contar uma grande história. E geralmente, acreditem, uma grande história está em meio a pequenas sutilizas do cotidiano.

→ 4 ComentáriosCategorias: Geral
Etiquetado: , , , , ,