Blog do Schiavoni

Rossi e o Jornalismo de mentirinha

fevereiro 9, 2010 · Deixe um comentário

Estive discutindo, na última semana, o jornalismo e a imprensa em Ribeirão Preto com o companheiro Guiliano Marcos. A entrevista não fui publicada ainda por problemas técnicos – desculpe Giu, meu cabo pifou. Mas, motivado por essas reflexões, resolvi comentar um exemplo de jornalismo e um exemplo de jornalismo de mentira publicado na cidade hoje.

Trata-se do notícia referente a Wagner Rossi (PSBD), conhecido nas rodas maledicentes da política ribeirão-pretana como ladrão do Porto de Santos e pai do Mamífero.

Homem de muito costado, Rossi permanece ocupando cargos de poder, com o controle de muitos recursos, nos últimos 20 anos. Eminência parda do PMDB, é cotado inclusive para ser o próximo ministro da agricultura do Brasil. Atualmente, ele comanda a Conab.

Acontece que o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma análise minuciosa da situação da Conab (Companhia Nacional de Habastecimento) e constatou diversas irregularidades. Tudo coisa braba. Tive acesso à decisão do TCU e ao voto do relator. Não há margem para dúvidas: a entidade contratou empresas que devem ao governo, um absurdo que contraria completamente a lei das licitações. É improbidade administrativa da grossa.

Não bastasse isso, o TCU indicou desvio de alimentos, má gestão e incapacidade técnica para administrar as produções que a ela são confinadas. Em qualquer pais do mundo um pouco mais sério, são fatos que serveriam para afastar e botar na cadeira – depois de devidos processos legais, evidente – os responsáveis.

E como a mídia reagiu? Vou usar como exemplo o A CIDADE e o Gazeta. Não vi nem Folha nem Tribuna hoje, então diexo de lado as abordagens desses veículos.

A Gazeta, em matéria de Guto Silveira, o grande, fez o jornalismo correto. Um tanto quanto asséptico demais para o meu gosto, mas correto. Disse o que o relatório do TCU indicou, ouviu o Rossi e reproduziu os fatos. Veja a matéria aqui

No lado oposto, o A CIDADE preferiu um jornalismo de mentirinha. Destacou o fato apenas em coluna. Deixou de fora do notíciario, portanto, um escândalo nacional protagonizado por uma cria de Ribeirão que comanda mais de R$ 5,5 bilhões em Orçamento e que deve ser o próximo ministro.

Não bastasse a decisão editorial – pra lá de constestável – o Jornal ainda coloca Wagner Rossi como bom moço da história. Diz a nota que o relatório mostrou “uma estrutura sucateada, controle precário de ativos armazenados e diferença nos volumes cotabilizados pela matriz da estudual e superintendência regional dos Estados”.

Faltou dizer que Rossi comete crime ao contratar empresas que devem ao fisco, assim como faltou dizer, também, que o relatório aponta claramente problemas de gestão. E que há desvios de alimento feito pelas próprias empresas contratadas. E, para sair do TCU, que a Conab patrocina crimes eleitorais pelo Brasil inteiro, como ficará provado em breve.

Pior que isso. O jornal dedicou mais quatro notas e uma foto ao assunto. A segunda, logo abaixo da foto, dá conta de que Rossi disse ter reunido seu alto escalão para resolver a pendenga.

A terceira, uma aspa de Rossi dizendo que as recomendações do TCU são para melhorar o controle na Conab, que era precário por práticas que datavam de há muito.

Na quarta, mais aspa de Rossi, dizendo que o relatório do TCU não aponta indícios de qualquer procedimento ilegal.

E, pra fechar com chave de ouro, uma notra dizendo que ele é o mais cotado para ser ministro da Agricultura com o afastamento do atual mandatário. Coisa que ele nega e diz que nunca ninguém do governo o chamou para falar sobre esse assunto.

Oras bolas, uma escândalo absurdo de picaretagem na Conab transforma-se, na visão do colunista e do jornal, em um simples problema administrativo. E o maior bandido que Ribeirão já produziu – em concorrência dura com um petista que também já foi ministro – passa a ser um cara de bem, que quer resolver os problemas e que, veja você, será ministro.

Faça-me o favor! Mais do que jornalismo ruim, que podemos aceitar, trata-se de empulhe, enganação, picaretagem mesmo, desrespeito claro e sistemático ao leitor.

O relatório é claro. Está aqui, para quem quiser ler. Lá, vai reparar que existe, sim, crime detectado, com a contratação de quem deve ao estado. Vai perceber também que existe crime de gestão e desvio de alimentos. Vai perceber que o culpado de tudo isso é o senhor Wager Rossi, vulgo ladrão do Porto de Santos, que compra mansão de usineiro e é um dos pares da República. E também pai do mamífero.

Para quem quiser, a cópia da análise do TCU: Conab

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A quase briga com a CUrintianada

fevereiro 4, 2010 · 1 Comentário

E a torcida do Botafogo vai à loucura: Líder, líder, mil vezes líiiiider

A noite de ontem foi memorável por vários motivos. O primeiro e mais importante deles, o Botafogo Futebol Clube enfiou um balaio de 4 a 0 no Grêmio Barueri, em Presidente Prudente, e tornou-se oficialmente o líder do Campeonato Paulista. É um motivo sensacional para se comemorar, mas não o único da noite.

Sai do escritório por volta das 19h e fui assistir com dois amigos. Fomos em um boteco na esquina das ruas Visconde do Rio Branco com Visconde de Inhauma.

Cheguei ao local dos fatos quando o Pantera acabava de fazer o segundo gol, uma cobrança de falta primorosa de Andrezinho perto dos 30 minutos do segundo tempo. O primeiro já havia sido guardado pelo zagueiro Freire. Me acomodei como pude naquelas cadeiras plásticas que fodem a vida de qualquer gordo, peguei uma linguiça – ui – e lá vamos nós tomar cerveja e ver o fogão.

Intervalo de jogo, a galera botafoguense em peso assistindo o jogo e vibrando. Papo vai, cerveja vem, 3 a 0, golaço de Malaquias. E, no fim do jogo, William fez o dele e decretou a goleada.

Vibração, gritos, abraços e comemoração. Era hora de ir embora, pedimos a conta, mas, como sempre, quis dar o velho em um dos nobres convivas.  Estava apenas com R$ 7 e não passava cartão. Como sempre, ele teria que fazer a minha em uma esperança de, no futuro, um dia, quem sabe, ser regiamente recompensado pela fidelidade e amizade.

Pinga na cabeça, papo divertido, conversa vai conversa vem, a conta foi ficando pra depois e acabamos tomando mais umas, em pé, no balcão. Acontece que, ato contínuo ao jogo do Fogão, começou o jogo do Corinthians. Quer era, na ocasião, o vice-líder.

E chegou um grupinho de corinthianos. Todos sabem, corinthianos são malas. Extremamente malas. E os caras começaram a torcer em frente à TV. E nós, a alguns passos de distância, secando na boa o timinho de Parque São Jorge para que o Pantera seguisse líder.

O Corinthians fez 1 a 0 e a gente nem viu, a conversa tava boa. Mas os dois babacas cairam na idéia de tirar sarro da gente na comemoração. Ai a coisa ferveu!

Eu profetizei: “Comemora não, gambá, que o jogo vai ser 2 a 1 para a Ponte”. Mas ai a coisa começou a ficar boa. Gol da Ponte. Evidente que comemoramos, discretamente. 

Pronto. Foi a ferveção. Só lembro de um dos babacas ter falado – de costas, claro, pra não olhar nos olhos:

“Jô Soares é as 11h30, não no bar”. Não sei ao certo, mas imagino que seja uma referência à minha forma de bola.

Curintianada caça briga em Boteco: ontem, os gambás não encararam a força da Pantera em boteco de RP

A partir dai, a inimizade estava delcarada. E a gente, os três Botafoguenses, apoiados ainda por um ou dois pinguços que faziam sua perigrinação no local, começamos a provocar. E não é que acontece o momento mágico?

2 a 1 para a Ponte, gol de Finazzi. Gritamos mais que nos gols do Botafogo, pulamos, nos abraçamos e mandamos aquele bom e velho CHUPA! pros caras. A partir dai, foram 20 minutos de piadinha e troca de insultos.

Quase chegamos às vias de fato. Em um determinado momento, o gambá líder virou e disse: “Mano, o PT tah lá em cima”. Não tenho a menor idéia do que significa isso, mas sei que um dos dois chapas, que é todo espichado e tem vozeirão, não deixou por menos e encarou o cara.

Eu e o outro amigo – ambos não serão identificados - solidários, ficamos lado a lado prontos para dar uns socos e demonstrar toda a virilidade dos que torcem para o líder do campeonato. E não é que a gambazada mudou de atitude, colocou o rabinho entre as pernas e veio com o discurso da amizade?

“Acabou o futebol somos amigos, não tem nada disso não”, disse o gambá rei. Os caras bundaram na cara dura! E, assim que acabou o jogo – evidente que gritamos LÍDER, LÍDER, LÍDER e o indefectível CHUPA, os caras colocaram o rabo entre as pernas e vazaram na braquiária.

Bom, claro que tomamos mais umas duas saideiras depois disso. E demos risada, lógico. A frase que melhor definiu o momento mágico foi a do cupridão:

“Fazia tempo que não me divertia tanto. Vir pro boteco, tomar um monte, bater papo, ver o Botafogo golear e ser líder do campeonato, secar o Corínthians, que perde, quase arrumar briga e ver os caras se borrando de medo, tudo em uma noite, é demais pra mim!.

E foi mesmo. Pena que não consegui dar o velho e bom tomé no companheiro habitual. O cumpridão, quase extasiado, pagou o que sobrou da conta.

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Entrevista de Quinta

fevereiro 4, 2010 · Deixe um comentário

A entrevista de Quinta desta semana está quase pronta para ir ao ar. Por conta de motivos celebrativos e etílicos – a serem contados no próximo post – a ótima entrevista com o companheiro Giuliano Marcos, da TV Record, será publicada na próxima sexta-feira.

Aliás, já instituo aqui uma novidade na entrevista de Quinta: ela deixará de ser semanal para ser bimensal. Publicada, portanto, a cada duas semanas. É que faço as entrevistas geralmente nos bares da cidade, tomando uma dose, digamos, um tanto quanto excessiva de líquidos pingustícos, e, como estou ficando velho [além do fator mulher, que embaça tudo], não teria condições de entrevistar decentemente toda semana.

Assim, fica mais fácil fazer semana sim semana não, mas com a mesma qualidade e cascateação que já viraram praxe. Aliás, não deixem de ler a entrevista com o Giu. Revelações bombásticas sobre Wilson Toni e sobre a mídia de Ribeirão estarão lá!

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Lider, LÍDER, LIÍÍÍÍÍDERRRRRRR!

fevereiro 4, 2010 · Deixe um comentário

Único
  CLUBE PG JG VI EM DE GP GC SG %A
1  Botafogo 13 6 4 1 1 10 3 7 72,2
2  São Paulo 11 6 3 2 1 13 6 7 61,1
3  Ponte Preta 11 6 3 2 1 8 6 2 61,1
4  Corinthians 11 6 3 2 1 8 6 2 61,1
5  Santos 10 5 3 1 1 13 3 10 66,7
6  Ituano 9 6 2 3 1 14 10 4 50,0
7  Santo André 9 5 2 3 0 11 8 3 60,0
8  Palmeiras 8 5 2 2 1 11 7 4 53,3
9  São Caetano 8 6 2 2 2 12 11 1 44,4
10  Mogi Mirim 8 5 2 2 1 7 9 -2 53,3
11  Portuguesa 7 5 2 1 2 7 5 2 46,7
12  Mirassol 6 5 1 3 1 6 8 -2 40,0
13  Barueri 6 6 1 3 2 8 16 -8 33,3
14  Bragantino 5 5 1 2 2 10 8 2 33,3
15  Rio Branco 5 5 1 2 2 4 8 -4 33,3
16  Rio Claro 4 6 1 1 4 8 13 -5 22,2
17  Paulista 4 6 1 1 4 6 14 -8 22,2
18  Monte Azul 4 6 0 4 2 8 10 -2 22,2
19  Sertãozinho 4 6 0 4 2 5 11 -6 22,2
20  Oeste 3 6 0 3 3 7 14 -7 16,7

Vou repetir:

Único
  CLUBE PG JG VI EM DE GP GC SG %A
1  Botafogo 13 6 4 1 1 10 3 7 72,2
2  São Paulo 11 6 3 2 1 13 6 7 61,1
3  Ponte Preta 11 6 3 2 1 8 6 2 61,1
4  Corinthians 11 6 3 2 1 8 6 2 61,1

Não é sonho. Está nos jornais, nos programas de rádios, na televisão: o Campeonato Paulista tem novo líder. 4 de fevereiro de 2010 já está escrito na história Botafoguense. Pela primeira vez dormi e acordei líder do Campeonato Paulista. Eta sensação boa.

E só pra não perder o hábito: CHUPA, BAFUDO!

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Nogueira na Berlinda

fevereiro 3, 2010 · Deixe um comentário

Outra pesquisa que circula pela cidade dá conta das intneções de voto para deputado federal. Nào vi os números. Mas reproduzo o que me foi passado por um vereador e alguns funcionários do Legislativo municipal. não tenho números ou os demais indicados no levantamento.

Oliveira Junior aparece em primeiro, com Fernando Chiarelli em segundo. Ambos estariam praticamente eleitos. Duarte Nogueira em terceiro, periclitante.

Os dados são preocupantes para Nogueira, mas o ex-secretário tem muito mais com o que se preocupar. Os políticos da região – pelo menos uma grande parte deles – estão simplesmente fulos com o Nogueirinha. Dizem abertamente que ajudaram o deputado em sua última campanha e nào receberam a atenção – e as verbas – prometidas para suas cidades.

Como as reclamações contra ele aparecem sem que a gente fale no nome do peão, desconfio que a situação seja crítica para o lado dele. Pode se reeleger, mas vai penar. Pessoalmente, acredito que ele esteja na berlinda, pisando na tênue linha que separa a vitória da derrota.

Vamos esperar.

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Pesquisa – Dárcy descendo a Serra

fevereiro 3, 2010 · Deixe um comentário

A coisa está oficialmente feia para o lado da prefeita rosa. Ao que tudo indica, a pesquisa de avaliação do governo municipal que roda pela cidade dá conta de que a paciência da população com Dárcy Vera (DEM) começa a se esgotar.

A prefeita, que já teve índice que batia os 70%, está com 45% de aprovação. É bem aceitável, mas a tendência de queda mostra que a população começa a perder a paciência com a montanha de promessas descumpridas e o caos que toma conta da cidade, principalmente na questão dos buracos e do desleixo.

Nos bares da cidade, nas ruas, em todo o lugar que ando – em Ribeirão e fora dela – o que mais eu vejo é a reclamação com o desleixo com a cidade. Ribeirão está feia, descuidada, um verdadeiro fim de feira. A reclamação com buracos têm superado, inclusive, o crônico problema da saúde.

Enquanto isso, a maior parte da mídia segue fazendo jornalismo chapa branca e evitando bater nos problemas que assolam a cidade, Há exceções, mas, infelizmente, são poucos. Ãs custas de fartos goles nas burras públicas, jornais, programas de rádio e emissoras de TV – sem falar nos programas independentes, grande parte deles bancados pela própria Dárcy – tentam convencer o povo de Ribeirão que a cidade vai uma maravilha.

E a coisa, infelizmente, tende a piorar.

Dárcy conseguiu, em um ano, quebrar a cidade. Todo o esforço de gestão, único mérito da administração Gasparini, foi por água a baixo. A dívida da cidade, no curto prazo, supera os R$ 100 milhões.

Além disso, a prefeita rosa nada fez de seu durante o primeiro ano do governo. As únicas obras que inaugurou fora =m as deixadas, de forma praticamente imbecil, por Gasparini. Só que elas estão rareando. No ano que vem, devem ser bem menos. E, na hora que a administração precisar mostrar algo de seu, vai faltar obra e sobrar enrolação.

A única salvação será as obras anti enchentes. Se terminar todo o trecho no projeto elaborado pelo Gasparini, será um dividendo político – e talvez único – a ser utilizado em favor de Tia Rosa.

Até agora, o que vemos é um desgoverno. A administração, sem rumo, perdeu seus principais alicerces – Paulo Saquy, Celso Steremberg e Pinguera, pra ficar nos óbvios. Dárcy não manda faz tempo – o grupo de Palocci e o de Baleia Rossi (PMDB) dividem a administração e a rapinagem dos recursos públicos. Posa, como uma rainha da Inglaterra, mas não manda.

Posso estar sendo pessimista, mas imagino que os dias de Ribeirão, nos próximos três anos, serão negros como a noite que não tem fim.

Em tempo: a aprovação de José Serra (PSDB), segundo a mesma pesquisa, bate os 75%. Boa notícia para o governador e virtual candidato tucano ao Planalto.

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O dia que disse não a Palocci – parte 1

fevereiro 1, 2010 · Deixe um comentário

Antonio Palocci, ex-prefeito de RP, ex-ministro e ex-aliciador do Schiavoni

Tenho alguns (poucos) orgulhos nesta vida, e resolvi compartilhar um dos mais importantes e antigos com os leitores. Aconteceu em 1996 e eu tinha, então, 15 anos. Era um fedegoso que, ainda não saído da barra da saia de mamãe, cursava a oitava série na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Professor Walter Ferreira, localizada em Vila Tibério. Uma escola muito importante na minha história e que, claro, inspira boas e saudosas lembranças.

Acontece que eu era presidente do Grêmio Estudantil na época. A escola receberia a visita do então prefeito Antonio Palocci Filho (PT), eleito em 1992 para seu primeiro mandato. Palocci fazia uma administração bem conceituada, na época, e já demonstrava vocação para vôos mais altos na política. Ele acabara de receber um prêmio da UNICEF por um trabalho na defesa de crianças e adolescentes.

Nunca fui petista, mas confesso que, nas ilusões dos 15 anos, ser de esquerda era uma espécie de mística. Mesmo naquela época, no entanto, não achava que Palocci fosse de esquerda. Assim, tinha alguma birra ideológica com o futuro ministro da Fazenda.

Acontece que o petismo estava recrutando na cidade. Minha diretora, dona Maria Amélia Zucolotto Teixeira, é de família tradicional e bem relacionada politicamente. Não sei como ou por qual razão, falaram de mim para o tio Palocci. E também não sei como ou o motivo – perceberam o não uso intencional do famigerado PQ? – o Palocci resolveu que deveria me recrutar.

Quando ele esteve na Feira de Ciências – eu era metido a cientista, adorava fazer experimentos e, nesse ano, tinha apresentado uma espécie de terrário mais complicado, com reprodução de ecossistema de deserto – pediu para falar comigo. Disse que sabia que eu era presidente do Grêmio e perguntou se eu queria começar a participar de uma espécie de curso de formação para adolescentes que o PT oferecia.

Lembro que não recusei de cara, disse alguma bobagem que passa na cabeça de um jovem de 15 anos. Dias depois, minha diretora pediu para falar comigo e reforçou o convite. Ai sim recusei. Foi a primeira, mas não a última vez, que Palocci tentou me levar para o petismo. Conto mais em breve.

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Fogão rumo a Dubai

fevereiro 1, 2010 · 1 Comentário

Xuxa comemora segundo gol do Pantera contra a Lusa: Bafo apanha, fogo ganha, fim se semana de festa

Fim de semana quase perfeito, nobres colegas. O timinho do Jardim Paulista, vulgo Bafão, estreou na A-3 do jeito que merece – apanhando. Meu Fogão, em uma partida deliciosa, enfiou o nabo na Lusa fora de casa e chegou ao G4 do Paulista. Estamos em terceiro, a um ponto do líder.

O único porém do fim de semana ficou por conta do deprimente Palmeiras. Jogando com um homem a mais o jogo inteiro, a equipe não teve competência para jogar o jogo e acabou enrabado pelos gambás por 1 a 0. Deu raiva de ver a equipe palestrina.

Mas enfim… já que o assunto é paulista, estou com um comentário pra fazer desde o jogo contra o Ituano e vou aproveitar pra mandar bala agora. Na saída daquele jogo, encontrei com o editor Igor Ramos que, mesmo torcedor fanático do Bafo, assistiu ao jogo do camarote do Botafogo.

Lá, o experiente jornalista disse que terminaria seu texto do dia seguinte com a frase: “só uma certeza ficou do jogo: a torcida do Botafogo pode se preparar, pois será, mais uma vez, um ano sofrido”.

Tentei engatar uma conversa: “Mas nem se compara o time desse ano com o do ano passado. A começar pelo goleiro. Acho que o Pantera, esse ano, vai lutar por algo mais do que fugir do rebaixamento”.

Ao que ele respondeu: “Só você e o Lucas (Vini) acham isso. O botafoguense vai sofrer, de novo.

Bom, o campeonato chegou à sua quinta rodada. Quase 30% das partidas da fase inicial, portanto. O Botafogo, que jogou 19 vezes no ano passado para fazer 19 pontos, já tem dez em cinco jogos. Está entre as quatro melhores equipes do torneio, ao menos por enquanto. E a impressão que dá ao seu torcedor não é das piores.

Claro que o começo do ano passado foi bem mais complicado: pegou times grandes logo de cara e jogou três vezes fora de Santa Cruz. Mas mantenho, nestas mal traçadas linhas, a impressão que tive no jogo contra o Ituano.

O Botafogo é um time equilibrado, sem carnegões como no ano passado. Não dispõe de nenhum gênio da bola, mas tem alguns bons jogadores que seguram o piano. Tem um excelente goleiro, o que pode fazer a diferença – Paulo Musse, vai se foder, aproveitando o espaço. E um técnico que, embora não seja, na minha opinião, o ideal para treinar um clube grande como o Pantera, tem o domínio do elenco e sabe como fazer os caras jogarem para o gasto.

O que o Botafogo gasta com o futebol nesse paulista – ao redor de R$ 490 mil mensais – é menos do que gastou no ano passado, onde o montante ultrapassava os R$ 520 mil. Menos também que a média das equipes do interior do Estado. Mas as contratações, ao contrário de 2009, deram certo até agora.

Meu palpite? Continua o mesmo, mesmo depois das vitórias sobre Ponte e Lusa, como também não havia sido alterado com a derrota boba para o péssimo Rio Branco de Americana, terra do irmão Ygor Salles: o Pantera vai almejar algo mais no Campeonato. Definitivamente, não será uma equipe que vai brigar para não cair. Imagino que alcançará a Série D do Brasileiro e que, se nada de muito ruim acontecer, chega também na disputa do Campeão do Interior. Sobre semifinais, acho muito difícil repetir a mágica campanha de 2001. Mas, se derem bobeira, o Pantera pode até chegar.

Muito difícil, mas não impossível. Previsão esta, inclusive, que é a mesma para a boa equipe do Ituano.

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Botafogo versus Ponte

janeiro 28, 2010 · Deixe um comentário

Todo torcedor panterino com mais de dez anos de idade não esquecerá, jamais, esse confronto. Paulista de 2001, semifinais do Paulista, Ponte jogando por dois empates, primeiro jogo em Ribeirão. A Macaca tinha um senhor time, com Whashington, hoje do time Bambi, como o grande destaque.

E o Botafogo…bem, sem dúvida, foi o melhor que eu vi jogar. Doni, Leandro, Chris, Robert, Ratinho, Douglas … Mas vamos ao jogo.

Lembro do primeiro jogo. Santa Cruz lotado. Fui com meus pais – minha mãe é bafuda, mas foi secar ao vivo. Também foi uma outra pessoa, que não lembro quem. Um cheiro de maconha absurdo. Estádio lotado. Tivemos que ficar em pé.

Do nada, os campineiros começaram a gritar: “Caipira, viado”. Achei aquilo o cúmulo. Campineiro chamando alguém de caipira e, pasmem, de viado. A torcida tricolor não deixou por menos: “Campineiro, viado, chupa rola, dá o rabo”. No fim das contas, acho que nosso grito era mais verdadeiro e mais simpático.

Desnecessário dizer que a Ponte parece com o Bafo. Mesmas cores. Mesma torcida demente e violenta. E um time que pareceo Bafo jogando em Santa Cruz só tem um destino: apanhar.

O jogo foi emocionante. Terminou 2 a 1 para o Botafogo, e eu sai do estádio com a sensação que íamos ter uma batalha homérica em Campinas. Lembro que terminamos fazendo sinal de dedo para os campineiros viadinhos e mandando um delicioso – chupa, suas bichas.

Mas a batalha que foi o segundo jogo, em Campinas, jamais seira do imaginário botafoguense. Não pude ir até a maior cidade gay de São Paulo ver o jogo e fui obrigado a ouvir pelo rádio. Com 15 minutos de jogo, a Ponte estava em cima e parecia que ia abrir o placar logo logo. Pênalti. Doni defende. Comemoro feito um doente.

Mas a coisa ainda estava feia e a Ponte não tardou a abrir o placar. Logo logo a Macaca fez o segundo. Nessa hora, cheguei a pensar que a viola tinha ido pro saco.

Mas Cézar diminuiu, 2 a 1. Por puco tempo. A macada fez 3 a 1. Comecei a chorar. Mas ainda acreditava. E o Botafogo fez o 3 a 2. Não lembro com quem, mas desconfio que tenha sido o Robert.

A partir dai foi só rezar. Me tranquei no quarto e colei o ouvido no rádio. E veio o penalty. Leandro se preparava para bater. Bateu, e fez. Inacreditáveis 3 a 3, em pleno Moisés Lucarelli. Não consegui me conter. Sai berrando feito um louco pela casa, chorando mais que criança que teve o pirulito roubado. E ainda tive tempo de xingar o Roberto, que perdera, segundo o locutor, um gol incrível. Foi mesmo, depois confirmei pela TV,

Era final de jogo e sai correndo feito um desembestado. Chorando copiosamente, gritava pela rua e fui até a casa da minha avó, que fica pertinho da casa da minha mãe. Uma tia me recebeu com um copo de água com açucar e eu só tive tento de entrar e abraçar o meu avô, também botafoguense.

Cara, só de lembrar disso começo a chorar. Anos depois, continuo a mesma bichona. Anos depois, fiquei sabendo que minha mãe, temendo que me desse um piripaque, avisou pra me segurarem um pouco lá.

Mas enfim…lembro de voltar para casa e, enquanto passava em frente ao vizinho, ver o gol do Corinthians, Ricardinho, de fora da área, aos 45 do segundo tempo. Gol que colocava o Timão na final com o Botafogo. Gelei. Naquele segundo, falei alto: acabamos de perder o título. E não deu outra. Imagino que, se fosse o Santos – equipe que já tinhamos vencido naquela Paulista – o Botafogo seria campeão em 2001. Infelizmente não foi.

Sai correndo e fui até o Poliesportivo do Botafogo, que fica na rua Paraíso, uns cinco quarteirões de casa. Milhares de botafoguenses já começavam a chegar. Farreamos até a madrugada, bêbados, evidentemente. O povo de casa morreu de preocupação – celular não existiam pra mim, na época. A noite inteira com aquela sensação boa, aquela emoção.

Lembro que, meses depois, em Bauru, estava chegando em casa de um estágio e, zapeando a televisão, vi esse jogo, Ponte e Botafogo, passando na SporTV. Meu irmão Ygor Salles veio assustado quando ouviu gritos na sala. Era eu comemorando os gols do Botafogo, no segundo tempo, e chorando – pra varir – vendo o VT. Coisa que só quem viveu aqueles momentos mágicos vai entender.

É é assim que eu lembro Botagofo e Ponte. Um filme que sempre vem à cabeça quando as duas equipes se confrontam. Hoje estarei no Santa Cruz, às 21h, para assistir mais um jogo entre as equipes. Mas parte da cabeça vai estar, com certeza, naquela semifinal.

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Impressionante

janeiro 26, 2010 · Deixe um comentário

Viajar a região, caros leitores, é assaz interessante. Ontem estive, entre outras cidades, em Cajuru (70km de RP) onde pude encontrar coisas pitorescas. Começou com uma senhorinha que estava passeando com sua jibóia de estimação na praça matriz da cidade. A velhinha colocava a cobra no pescoço, deixava crianças passarem a mão, brincava com o bicho. Ela rastejava, saracoteava, enfim, bem divertido.

Cajuru, por sinal, é uma cidade bem ajeitadinha. Arrumad,a limpa, com um povo simpático e cordial, pelo menos em uma primeira olhada. Foi a primeira vez que fui até lá e gostei do que vi. Mas o que mais me chamou a atenção na viagem foi o prefeito de Cajuru. Gente bonissima. Fala gostosa, bom papo, convicção de idéias. Um cara que eu, definitivamente, queria ter como prefeito de Ribeirão.

Estava acompanhando o deputado federal Fernando Chiarelli (PDT-SP) e parte do que conversamos não poderei revelar. Principalmente as opiniões do prefeito sobre algumas administrações… Só posso dizer que ele vem bastante a Ribeirão e reclamou em termos, digamos, não muito recatados dos buracos e do abandono da minha cidade. Fiquei até com vergonha…

Aliás, triste isso. Eu, que sempre tive o penacho em pé por ter nascido e crescido nesta terra, ando meio com vergonha do que está péssima administração rosa tem feito com minha cidade.

Mas a lição mais importante que tirei das visitas que fizemos ontem é a seguinte: inabilidade política mata. Podem contestar o quanto quiserem, afinal, sou assessor de um deputado e candidato à reeleição, mas a realidade é que não existe uma única cidade na região que você passe e as lideranças políticas locais não reclame da falta de atenção dada por um dos deputados federais da região.

Em Pontal, ouvi de um ex-candidato a prefeito o seguinte: “Vou ajudar [o candidato e atual deputado] da mesma forma como ele me ajudou: com nada”

Em Sertãozinho, um vereador, inclusive do mesmo partido do deputado, disse: “Quando era secretário, mandava muita coisa. Virou deputado, nem recebe mais a gente”.

Um prefeito da região de Cajuru completou: “Pra nós, é a mesma coisa que nada. Esqueceu aqui”.

Outro prefeito, dessa vez da região de Barretos, foi ainda mais enfático: “Só se reelege se pingar voto do Estado inteiro. Por aqui, está muito queimado. Nem receber a gente recebe”.

O mesmo deputado, líder de seu partido, articulou e articula tão mal as candidaturas de sua legenda na região que terá que enfrentar concorrência dentro de casa. Um (a) ocupante de cargo legislativo deve roubar pelo menos 20 mil votos que seriam dele. Talvez mais.

Até ontem, mesmo com as queixas constantes, pensava que a reeleição dele era certa. Agora, depois do que vi e vivi ontem em quatro ou cinco cidades, começo a rever este conceito.

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