Sim, senhores, estreiamos nossa nova secção temática, a Entrevista de Quinta, com uma das maiores figuras da sociedade cristã ocidental. Trata-se dele, Santa Claus, o bom e velho Papai Noel, que conta tudo em uma entrevista mais que exclusiva.
Boa leitura!
Blog do Schiavoni: Vamos começar pelo mais difícil. Brincadeiras na internet sugerem que pode haver algum indício de homossexualidade, zoofilia e pedofilia em algumas ações de sua pessoa, principalmente a questão de colocar crianças no seu colo e fazer um pedido. Também comentam de sua relação com Rudolph, o líder das renas. Seco pra você, Papai Noel: o senhor é bicha?
Papai Noel: Isso tudo é intriga. Sou espada, posso garantir! Além disso que você disse, também dizem que, nos Estados Unidos, sou conhecido como Santa. E também que submeto os anões a uma rotina de trabalho escravo. São pessoas sem espírito cristão, que querem acabar com os valores. Posso assegurar que nada disso existe.
Nunca manteve relação nem assediou nenhum dos seus anões? E sobre o Rudolph?
Não vou responder esse absurdo. E, se a entrevista continuar nessa linha, teremos que parar por aqui?
Tudo bem, vamos deixar a temática sexual de lado. Mas e a questão trabalhista? O blog apurou que existe pelo menos uma dúzia de processos de trabalhadores de sua fábrica na Justiça da Lapônia exigindo o pagamento do piso da categoria e as horas extras, que seriam pelo ano todo…
Sabe como é, funcionário nunca sai satisfeito, mas trato cada um dos meus colaboradores como parte da minha família. As informações jurídicas sobre os casos você pega com meu advogado, sabe como é.
O senhor é uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo. Como faz para lidar com a fama? Já tem serviço de assessoria de imprensa?
Essa história de comunicação é muito importante, né? Sempre fui o Papai Noel, mas as pessoas só começaram a me conhecer de verdade depois que uns marketeiros da Coca Cola resolveram dar uma mãozinha na minha carreira, sabe? Hoje tenho uma equipe própria que cuida da minha imagem. Mas o problema que todos nós vivemos é a pirataria. Saca, um Papai Noel em cada shopping, nas ruas das cidades, tudo isso sem licenciar. Acabo perdendo muito dinheiro. Investimos décadas e décadas em qualidade para, no fim do ano, qualquer gordo desempregado vestir a mítica roupa vermelha e encarnar meu personagem. É triste e duro isso, sabia?
O senhor vive uma relação estável com a Mamãe Noel, que é muitos anos mais jovem que você. Na verdade, a cada ano o senhor está mais velho, e a Mamãe Noel fica cada ano mais nova. Consegue cumprir com suas funções conjugais?
No começo, havia só uma Mamãe Noel. Mas ela encheu muito o saco, brigou com meus assistentes e acabamos nos separando. Desde então, tenho vivido uma série de relacionamentos não muito longos. Quero aproveitar o momento, entende? Mas posso garantir que cumpro com todas as obrigações sexuais, e sem Viagra!
Como consegue financiamento para comprar e produzir tantos presentes? Há um boato que o senhor, durante o ano, rouba bancos para bancar a fartura natalina…
Mais uma mentira. Sou um homem de muitas posses, tenho recursos mais que suficientes para fazer meu trabalho. Mesmo nos últimos anos, onde a febre tecnológica encareceu consideravelmente o preço das matérias primas, posso dizer que ainda consigo ser sustentável. Também tenho fontes de financiamento público de bancos estatais, como o BNDES, que ajudam na produção e geralmente sequer cobram taxas de juros, dado o caráter social do investimento.
Como é? O senhor está dizendo que o BNDES financia sua produção?
Contribui com uma pequena parte. Mas nada muito diferente do que ele geralmente faz para governos amigos, como Venezuela. Tudo entre amigos. Gosto muito do Lula.
Vou ignorar sua referência política e continuar. Uma banda brasileira de punk rock escreveu, há duas décadas, uma música que tornou-se um clássico. Papai Noel Filho da Puta. O que acha dela?
Um ultraje. Prefiro a versão do Velho Batuta. Mas meus advogados já estão cuidando disso e abriram um processo contra esses palhaços. É mais uma tentativa de me integrar ao sistema capitalista.
E você não está integrado? Alguns consideram o senhor como o grande ícone do consumismo desenfreado que simboliza as últimas décadas.
Não tenho culpa da apropriação que as pessoas fazem do símbolo que sou. Eu dou presente, faço o bem. Mas não tenho culpa se as empresas me integram ã sua estratégia de marketing. Devo dizer, aliás, que nem os royalts nem direito de imagem eu recebo. Um verdadeiro absurdo.
Posso imaginar. Mas para acabar essa entrevista com um bate bola. Pode ser?
Vamos lá.
Uma personalidade:
Papai Noel, claro.
Um filme
A louca história de Papai Noel
Um livro
Papai Noel: Um velhinho de muitos nomes
Uma música
Então é Natal, com a Simone cantando. A-D-O-R-O.
Time preferido de futebol
Santa Cruz
Um pedido
Folgar no Natal pelo menos um ano. No Brasil. Em uma praia. Muito quente.
Um projeto
Minha nova fábrica no Pólo Sul. Sabe como é, o Pólo norte está acabando por conta do calor, é preciso precaução para o futuro.
Um sonho de consumo
Um super trenó ultra speed versão 7.0 com velocidade máxima de 16 mil km/h.
Doce ou salgado
Odeio doce. Diabetes, sabe como é.
Papai Noel por Papai Noel
Sou um cara gente boa, muitas vezes incompreendido.