Arquivo do mês: novembro 2009

Reminiscências francanas

Falar de Franca, me lembra, claro, uma história. A história da minha mudança, que compartilharei com os que quiserem ler.

Pois bem, já havia passado por Franca uma ou duas vezes, mas não conhecia a cidade. Mesmo morando há menos de 100 km da Terra das Três Colinas, nunca tive interesses lá. Só sabia que os francanos não gostavam muito dos ribeirão=pretanos. E que eram bairristas…rs

Mas acontece que apareceu a vaga para editor. Estava em Jundiaí, trabalhando na Rede BOM DIA, e as coisas por lá começavam a andar. Já tinha tido convites para me integrar à redação de Jundiaí, mas permanecia na CEC, que fazia conteúdo para todos os jornais da Rede. Era, no dizer da editora que nos comandava, um dos pilares da equipe. Tinha a confiança dela e não tinha dúvidas que, se ficasse na rede, em pouco tempo poderia rolar um aumento ou uma promoção.

Mas apareceu Franca. O Comércio abriu uma vaga pra editor e eu resolvi mandar o currículo. Não conhecia ninguém lá. Minto. Tinha falado por telefone com Wildnei Teodoro, repórter que havia feito Unesp na mesma turma que a minha irmã. Mais isso vim a saber depois.

Era perto do fim do ano e eu fui chamado. Fui a Franca, fiz um simulacro de entrevista – por erro do pessoal do Jornal, cheguei de manhã, quando não havia ninguém pra falar comigo – mas senti que, mesmo sem ter falado com a editora-chefe, Joelma Ospedal, podia rolar.

Menos de uma semana depois, recebi a ligação. Tudo teria que ser muito rápido. Era a segunda semana de dezembro e eu deveria começar na primeira semana de janeiro. Aceitei. O lugar de editor era um desafio novo. Mais um na minha carreira.

Lembro que vivi uma semana inteira de despedidas em Jundiaí. Lembro até hoje da alegria do meu grande irmão, Eduardo Reis, quando ficou sabendo. Estava tão ou mais feliz que eu mesmo.

Foram porres todos os dias. O pessoal da redaça meio que se revezava. Um dia ia uma turma, no outro, outra. Reis, contudo, era fiel. Sempre tomando altos porres todos os dias. Geralmente, felizes, terminávamos fazendo confissões e dialogando sobre a vida, sempre ao som de música decente – às vezes Cartola, às vezes o punk, que ele adorava.

No primeiro dia, tomamos todas e quase compramos briga com o grande Bonassoli. Bebemos até quando o comércio de Jundiaí permitia – 12h30 = e fomos ao supermercado Russo (ou Russi, naum lembro) comprar cerveja.

Tomamos pinga e cerveja até o amanhecer. Na sacada, cantávamos e gritávamos. Foi a sensação mais alegre que já tive, e o Reis compartilhava cada momento. Acordamos o pobre do Bona, que, como sempre, ranhetou. O Reis chamou a criança de velho chato – ele tinha 33, era o mais velho de nós. No fim das contas, ficou tudo em paz.

No último deles, o Bota Fora oficial. Meu ônibus saia às 6 da matina. Claro que tomamos todas. Os primeiros foram embora lá pelas 3. Às 4h30, todos, menos eu e Reis, já tinham ido. Havia deixado previamente minha pouca bagagem no Reismóvel, um Uno branco. Lembro como se fosse ontem que eu, bêbado de caipirinha, queria dizer algumas palavras ao Reis. Não consegui.

“Meninão, hoje você está um bêbado emotivo”, disse ele. Eu pensava, mas as palavras não saiam. Balbuciei um “Você sabe que eu te amo”, mas não era bem isso que eu queria dizer.

Ele me levou até a rodoviária, nos despedimos. Assim que entrei no ônibus, desmaiei. De Jundiaí o veículo ia até campinas, onde pegaria outro cometa. Por milagre, acordei quando o ônibus entrou na rodoviária de Campinas. Troquei de ônibus e, antes que ele saísse da rodo, já estava dormindo novamente.

Cinco horas depois de sair de Jundiaí, chegava a Ribeirão. Meu pai me buscou no rodoviária. Quando cheguei, por volta das 13h, ainda estava bêbado.

Mas enfim…passei o ano novo com a família, em Ribeirão, e no dia 3 de janeiro de 2007 rumei para Franca. Lembro das coisas que escrevi No ônibus, no sufuco que foi encontrar um muquifo qualquer pra ficar. Aquela rotina de cidade nova que eu vivi tantas vezes.

Lembro da primeira cerveja, sozinho, no Fish, e na desconfiança dos repórteres. Lembro da figura sensacional que era o prefeito Sidnei Rocha – gostei dele desde o começo, com aquela mania de chutar cones e ser politicamente incorreto.

Também lembro das partidas da Francana que eu ia assistir, só pra cornetar. O Wantuil, técnico da Veterana, a quem eu carinhosamente chamava de viado. E dizia que era cacho do Sérgio Marques, editor de Esporte.

Lembro com saudade os plantões e os paus nas reuniões de pauta. Como eram gostosas – e improdutivas – aquelas reuniões. Lembro de cada um dos que participavam – Priscilla Salles, Joelma, Junior, D. Sonia, Luiz Neto, Ferreirinha Boiolinha, Sérgio, Denise Silva e, nas épocas finais, Leandro Vaz e Ewerton Lima. E de como era bom lembrar a eles que eu era “da capital”.

Das gozações na redação, dos nó e das cornetadas. Sem dúvida, a mais divertida, com seus fechamentos etílicos e filosóficos. Das notícias absurdas – era uma atrás da outra, do velho tarado que estuprava muros até os mais bizarros crimes da história. Lembro do Esso que ganhamos, com o Thiago Brandão, e como foi bom ser parte daquele time.

As madrugadas passadas no Sinucão, os churrasco Jack Bauer – foram 3 na minha casa, que duraram, respectivamente, 24, 48 e 52 horas sem parar. Calixto e Rodolfinho, presença certa. Lembro do Rodrigo Denubila, que fez questão de sumir. Da Julianna Granjeia e do Pablo Pinto, irmãos que moraram comigo. Lembro muito.

A mulherada de Franca, as mais fáceis e mais lindas na comparação entre todos os lugares que já morei. Meu score, na época que lá morei, melhorou bastante…rs…isso antes da Thaisa, claro.

As conversas no Jaguar, as trucadas, as rodas de poker entre amigos. Conhecer a Thaisa, meu filho, enfim…tudo aconteceu lá. Lá conheci, lá me apaixonei, lá me casei, lá fui pai. Muitas coisas essenciais em minha vida.

Lembro também das agonias. A primeira demissão, as brigas com meu patrão, os processos, enfim. Houve coisas terríveis. Mas essas prefiro deixar de lado.

Voltamos a Ribeirão tem dois anos, mas, pelo menos duas vezes por mês, volto a Franca. Na casa dos meus sogros, ainda continuo mantendo contato com as pessoas importantes que tenho ai. Algumas menos que queria, é verdade, mas são laços que não se quebram.

Franca do Imperador

Igreja Matriz de Franca: uma das mais belas do interior

Impossível terminar o sábado sem prestar minha singela homeg]nagem à Terra das Três Colinas. Franca completa hoje 185 anos. Parabéns, pois.

Em Franca passei dois anos de minha vida. Cidade esquista, mas ainda assim com seus encantos. Lá conheci Thaisa, minha mulher. Lá meu filho Gabriel foi produzido e concebido. Lá conheci uns poucos amigos verdadeiros que me acompanham até hoje.

Profissionalmente, Franca também foi um grande aprendizado. Agradeço demais ao Comércio da Franca por tudo que vivi lá. As coisas terminaram de uma forma que não deveriam, mas, apesar de todos os pesares, agredeço demais o quanto aprendi e o quanto pude fazer jornalismo sério naquele jornal.

Também aprende muito com o Corrêa Neves Junior. Na fase antes dos processos, claro. Quando digo isso as pessoas pensam que é gozação, ou ironia. Mas não é. Penso e sempre pensei que o final trágico, que não foi, em absoluto, meu desejo, não ofusca tudo de bom que passei por lá.

Enfim…acho que estou meio saudoso. Não foi, com certeza, um dia bom. Mas, ainda assim, parabéns Franca.

Em breve, prometo posts mais decentes sobre a cidade.

A falta de Saquy

Oliveira Junior durante encaminhamento na Tribuna da Câmara: vereador cornetou executivo

Caros leitores e leitoras, a relação da administração rosa com a Câmara de Rbeirão está, no dizer popular, indo para as cucuias.

O vereador Oliveira Junior – sim, o mesmo personagem de outros posts e da confusão envolvendo a suspeita de um homicídio em Itu – utilizou a tribuna ontem e bateu forte no governo. Disse que falta articulação e que a relação entre Executivo e Legislativo subiu no telhado.

Reclamou o edil sobre o veto da prefeita Tia Rosa a um projeto dele por inconstitucionalidade. Disse o vereador, no entanto, que a própria administração havia pedido a ele que apresentasse a proposta. Foi incisico: disse que não conseguia entender. “Se pedem pra apresentar um projeto, que não vetem. Era melhor não pedirem”, disse.

Não foi caso único. A oposicionista  – agora moderada – Silvana Rezende (PSDB) também se queixou de veto. Bem como o governista Coraucci (DEM). Em todos os casos, o veto foi derrubado.

Desconsiderando o fato absurdo de a administração “encomendar” projetos, tenho duas hipóteses para o que rolou. Oras, de duas, uma: ou o governo sofre de aminésia e não lembra o que diz, promete ou deveria fazer – o que explicaria, portanto, o esquecimento na hora de recapear as ruas, entre outras coisas – ou a administração sofre de transtorno bipolar em alguns casos. Ainda não consegui entender qual a melhor opção.

O fato é que Dárcy Vera (DEM) perdeu os melhores nomes de sua administração com menos de um ano de governo. E Paulo Saquy, talvez a única estrela política de grandeza na administração rosa, faz muita falta.

PS: Eu realmente preferia ter colocado a foto do Saquy que, além de competente, é botafoguense fanático, mas só encontrei a do ex-bafugo (ou atual, who knows) Oliveira. Então, vai essa mesmo.

Mais nepotismo

Amiguinhos e amiguinhas,

Como houve grande repercussão do meu post “Jornalismo Zero”, resolvi acreditar na bondade humana e no bom jornalismo e acabo de contribuir para o que espero ser uma grande matéria do jornal A Cidade sobre nepotismo.

Já que o periódico mostra-se tão interessado em fazer matéria sobre o tema, com certeza irá gostar de um filho de vereador funcionário fantasma em um gabinete de deputado.

Se, por algum motivo, resolverem não fazer a matéria – o que duvido, já que o tema é de interesse do glorioso matutino – comprometo-me a dar nome aos bois por aqui.

Eis o mail enviado:

Nepotismo‏

De: Eduardo Schiavoni (easchiavoni@hotmail.com)
Enviada: sexta-feira, 27 de novembro de 2009 13:18:06
Para: fabioeduardo@jornalacidade.com.br; duarte@jornalacidade.com.br; adriana matiuzo santana (matiuzo@hotmail.com)

Caros ex-companheiros e amigos do A Cidade
 
Tenho percebido, nos últimos meses, um interesse grande do jornal em apurar casos de nepotismo. Tenho, nesse sentido, uma boa dica.
 
Existe um vereador em Ribeirão, da bancada governista, que tem um filho nomeado no gabinete de um deputado estadual. Ambos, por sinal, são do mesmo partido.
 
O funcionário referido não dá expediente em São Paulo nem em Ribeirão Preto. É, portanto, fantasma.
 
Se quiserem mais informações estou ás ordens
 
Grande abraço a todos!
 
Schiavoni

“Jornalista bom é jornalista que sabe que é burro”

A frase acima, caros, é de minha lavra pessoal. Está em uma entrevista que concedi à repórter Ana Carolina Diniz, estudante de jornalismo da Unifran, que pode ser acessada no link abaixo.

ENTREVISTA SCHIAVONI

Carol foi minha estagiária na época que estava na edição do Comércio da Franca. Excelente repórter, tem faro jornalístico apuradíssimo, aquela alma de repórter tão rara de encontrar. Deve estourar nos próximos anos. Como estagiária, já era melhor que 6o% dos repórteres daquele periódico.

Eis o link para a entrevista. Teve um ou outro errinho pequeno de edição, né Carol? rs… Mas o gancho que ela pegou foi, sem dúvidas, bem interessante.

Full House

E para fechar essa série de posts, eis que falo sobre o mais importantê: poker! Deixa eu me gabar um pouco, pra variar.

Depois de um feriado bem acima da média – mesa final em cinco torneios em 10 jogados, com uma vitória em um Sit and Go com entrada de US$ 3 e dez jogadores, além de uma segunda colocação altamente rentável em um torneio Bounty de US$ 22 de entrada – eis que, em um torneio ao vivo, jogado entre amigos, quebrei o gelo e venci. Pela primeira vez fui o primeiro jogando torneios ao vivo. Que venha a champagne!

Está certo que eram apenas oito participantes e o ingresso era de R$ 5 – ganhei R$ 30 – mas a sensação é excelente. Na última mão, sai com 10 e J, naipes diferentes, e aceitei um all in do oponente, que tinha A7 (salvo engano). O Flop veio com 10 J, e, no river, outro J. Venci incontesravelmente com um beloo Full House, JJJ TT.

Ah! A turminha, composta em sua maioria por alunos ou ex-alunos da USP, é animada e joga pelo menos uma vez por semana. Interessados, mail-me.

Croniqueta – Dos Parvos e da iniciativa

Com a aproximação dos 185 anos de Franca, comemorados em 28 de novembro próximo, publico uma croniqueta feita em idos de 2007 que teve como pano central a política da cidade. É uma forma, também, de agradecer ao pessoal de Franca, com quem tenho profundas relações (e que, além disso, constituem o segundo maior nicho de acessos do meu blog).

Prometo, além disso, colocar um pouco dos bastidores da política francana nos próximos posts. E aproveito para mandar um grande abraço ao prefeito Sidnei Franco da Rocha, apreciador, como eu, de bons charutos e de bons papos.

Dos Parvos e da Iniciativa

Começo esta croniqueta, neologismo meu, pensando em política, hábito antigo, e também nos quatro tipos de soldados de Napoleão Bonaparte.

Como nem sempre macarrão forma bom par com feijão – a rima é fácil – o leitor, que deve estar pensando, a essa altura, qual substância, ilegal ou não, o jornalista ingeriu para unir elementos tão díspares, precisa saber, pois, que o baixinho invocado afirmava existir os seguintes tipos de soldados:

1 – Inteligentes com iniciativa: conhecidos como os comandantes-gerais, eram os responsáveis pelas estratégias do exército;

2 – Inteligentes sem iniciativa: formados pelos oficiais que recebiam e cumpriam ordens superiores e as cumpriam com lealdade e diligência;

3 – Ignorantes sem iniciativa: colocados à frente das tropas, serviam como verdadeiras ‘buchas de canhão’;

4 – Ignorantes com iniciativa: esse grupo era abominado por Napoleão, que sequer os recrutava. Poderiam afundar um exército sozinhos.

Como não sou militar e pouco entendo de armas – menos a pena, que manejo com medíocre perícia – imagino, em minha mente fértil, como cada político desta terra ímpar que é Franca seria classificado pelo nobre e genial general córsego.

Dizem os grandes escritores que uma crônica, tal como a mulher verdadeiramente lasciva, deve mais esconder que mostrar, insinuar que afirmar, provocar que realizar. Sigo, pois, a máxima, não por excesso de competência, diga-se, mas sim por precaução e cobardia.

Recém-chegado à terra das três colinas, por desnecessário aprofundar, já presenciei políticos que chutam cones, xingam soldados e acabam processados ou então chamam, alegremente, populares de símios; edis que se indispõem contra a imprensa, apresentam projetos que já existem ou, como os índios na época dos escambos, abrem largos sorrisos ao trocarem votos por caminhões de terra.

Há, ainda, nobres deputados que não sabem quando nos tornamos uma República, o que faz revisar em seu mausoléu o heróico Deodoro da Fonseca que seria, para alguns, tão marechal quanto o próprio Pedro I. Outros, mais esmerados, mudam-se, quando eleitos, descaradamente para cidades vizinhas.

Pensando bem, Napoleão era danado. Tinha mesmo razão, o baixote. Os parvos com iniciativa (e votos) podem acabar com qualquer exército. Quanto mais com uma simples cidade.