Arquivo do mês: dezembro 2009

Entrevista de Quinta – Eduardo Schiavoni

Pessoal, estou agendando uma série de entrevistas fantásticas para o ano que vem. Só que, por conta dos agendamentos, fiquei sem muitas opções para a entrevista de quinta desta semana. Ou requentava alguma coisa velha – fiquei tentado a colocar aqui uma entrevista com uma puta que caça clientes pela internet que fiz há uns 4 anos em Franca ou uma exclusiva que fiz com a Felina, aquela que grava os famosos mostrando suas vergonhas na cam. Mas acabei optando pela saída da casa mesmo.

Num esforço de reportagem que faria Sigmund Freud rebolar no tumulo, faria a primeira auto-entrevista da minha carreira. Sem mais delongas, o papo dessa semana é com Eduardo Schiavoni.

Blog do Schiavoni: Você é conhecido pelas polêmicas que cria. Por caçar confusão. Sempre foi assim? O que te motiva a isso?

Olha, sempre sim, desde pequeno. Lembro uma vez na escola, terceira ou quarta série, que haveria uma comemoração da Independência do Brasil. Escola Walter Ferreira, lá na Vila Tibério. Eu fora escolhido para ser um dos discursadores. Estava escrevendo o que ia dizer quando minha mãe leu e começou a falar comigo. Reescrevemos algumas partes e, basicamente, acabamos com a história que os professores ensinavam. Lembro que o discurso continha algumas críticas ao Brasil daquela época, falava sobre a dependência que o país vivia no fim dos anos 1980 e começo dos 1990. Lembro a cara de espanto da minha professora, D. Teresa. E também da diretora, Maria Amélia Zucollotto Teixeira, que até hoje está na ativa. E também dos burburinhos de professores e alunos, meio pasmos com o que eu falava. E continuou depois. Fui diretor e presidente de Grêmio, representante de sala na Unesp, integrante do Conselho Universitário, agora sindicalista. Sempre cornetando.

 Então começou cedo?

 Gosto de polêmica, sempre gostei. Mas virou também uma marca, um estigma. Nem tudo que faço é para polemizar. Geralmente, no cotidiano, sou adepto da conciliação, embora poucos acreditem.

O senhor também é conhecido por mudar frequentemente de emprego. Raramente passa mais de dois anos em um lugar. O que acontece?

 Também me pergunto isso, äs vezes. Mas minha carreira é marcada por dois divisores: antes e depois de Franca. Até Franca, eu que pedia para sair dos lugares quando arrumava outros empregos. Comecei na Conceito, em assessoria, e, com pouco menos de dois anos de casa, sai para começar no Jornal A Cidade. Mudei de assessoria para realizar um sonho, que era ser repórter político em jornal.

Lá, passei um ano. Só sai porque fui afastado de política e surgiu uma proposta do Evandro Spinelli para fazer parte da equipe dele em Jundiaí. Topei o desafio. De lá, um pouco menos de oito meses e surgiu a chance de ser editor em Franca. Também topei na hora.

A partir de lá as coisas ficaram mais complicadas. Por conta de problemas extra-jornalismo, acabei demitido. Depois de um mês procurando trabalho, apareceu o jornal A Cidade e a chance de voltar a fazer política.

De lá, mais um ano, e uma nova demissão, dessa vez ocasionada por pressão da prefeita. A partir daí, fui rodando em uma infinidade de freelas – Tribuna e Gazeta principalmente, até acertar com o deputado Chiarelli, que havia acabado de assumir. Assim é minha história.

Sobre suas brigas com a prefeita Dárcy Vera. O que tem de verdade nisso?

Pouca gente acredita, mas nunca tive bronca dela. Nada pessoal. E também entendo a atitude dela em falar com o pessoal da EPTV por conta daquela frase de MSN. Sou um jornalista que incomoda. Também nunca fiz questão de esconder de ninguém que não acho a mais adequada a forma como a Dárcy faz política.

Imagino que ela reagiu para livrar-se de um problema. O que me surpreendeu e magoou um pouco, na ocasião, foi o veículo que eu trabalhava comprar a idéia. Mas tudo isso faz parte. Não sou, nem quero ser, um mártir. Só quero trabalhar. Nào tenho nada contra ela, mas sim contra a forma de administrar e agir.

 Como foi a transição de repórter para assessor político?

Primeiro tive a experiência de ser repórter de um programa bancado pelo Rafael Silva. Foi sensacional. Fazer rádio realmente é a melhor coisa do mundo, e posso dizer que, apesar do vínculo político, em poucos lugares tive tanta independência pra dizer o que penso e fazer as matérias que julguei corretas. Foi uma excelente escola, e tenho muito a agradecer por ter tido essa chance de fazer AM, minha grande paixão.

Agora, quanto à política em si…Olha, foi e é muito difícil. Tenho a vantagem de estar com o Chiarelli, que não é bandido. E também gosta de polêmica.  Isso facilita as coisas.

Não é um trabalho fácil, e todos sabem que a personalidade dele é um pouco complicada. Mas não tenho queixas a fazer sobre isso. Está sendo uma experiência nova, novos conhecimentos que, quando acabar a fase, serão úteis na carreira.  Mas o mais complicado é ver a picaretagem em alguns veículos e ter que conviver com isso.

 Você compra muitas brigas. Não tem medo de se queimar?

 Mais? Acho difícil. Meu filme está mais torrado do que papel de foto exposto à luz do meio dia. Também não é uma coisa que tire meu sono: nunca fui picareta, sempre tentei fazer o certo. Tive erros e acertos, como todas as pessoas, mas nunca na sacanagem. Nunca sacaneei colega de trabalho, nunca fui ingrato com os lugares pelos quais passei e sempre procurei ajudar as pessoas. Sempre tive minhas opiniões e nunca tentei escondê-las.

É do tipo que perde o amigo, mas não a piada?

 Sempre. O que vale é cornetar. O resto a gente ajeita depois.

 Como vê a política em Ribeirão?

Se o entrevistador não fosse eu mesmo, responderia que com os olhos. Mas como sou, vou direto: Medíocre. Sem novos líderes, sem grandes perspectivas. A mesma mediocridade de sempre: mudam-se as moscas, mas a merda continua a mesma. Quem poderia ser um sopor de renovação – a prefeita – reúne, pra mim, as duas principais deficiências do líder – populismo aliado a incompetência administrativa.

Fale sobre sua passagem por Franca. Por que saiu?

Não sai, sairam comigo. Mas Franca foi um marco realmente na minha vida. Foi o lugar onde, junto com o A CIDADE, eu tive mais prazer em trabalhar. Foi onde conheci grandes profissionais. Onde tive a honra de trabalhar com um prêmio Esso, o Thiago Brandão. Foi também onde pude ver como um editor atento pode mudar a trajetória da carreira de um repórter.

 Trago orgulho muito grande pelo trabalho que fiz lá, pelas pessoas que conheci. Mas acontece que, talvez pelo ambiente que, mesmo tão pesado, era tão leve.pra mim, houve um exagero na cornetagem.

Uma brincadeira, o lance do blog, acabou tomando proporções que não devia e a reação do Corrêa Neves Junior, o dono do jornal, por uma série de fatores, também foi exagerada. Acabei levando sozinho a culpa de algo que absolutamente não fiz e a demissão ocorreu. E, depois dela, os processos. Foi uma fase muito complicada, mas ainda assim muito importante. E depois a demissão da Thaisa, minha mulher, que estava grávida e trabalhava na mesma rádio do grupo. Enfim, não foram momentos fáceis.

Mas nem no auge dessa confusão toda deixei de sentir carinho pelo jornal. Aprendi demais lá. Tive muita dor de cabeça também, mas, no fim das contas, o Comércio da Franca é um veículo pelo qual nunca poderei deixar de sentir carinho. Mesmo magoado com as situações e com algumas pessoas que dele fazem parte.

Família. Você casou recentemente, teve um filho. Muda muito?

 Muda completamente. Seus focos e prioridades passam a ser outros. Você simplesmente fica mais bunda mole quando tem filho, tem mais a perder, tem alguém que depende de você e do seu trabalho. Passa a ter que aceitar algumas coisas que, antes, não aceitaria de jeito nenhum. Mas tudo tem seu lado bom. A vida de casado é, em muitos momentos, recompensadora. E ver um filho aprendendo a falar, a andar, enfim, as pequenas coisas, é uma coisa que não tem preço.

Pra fechar, algum arrependimento?

Parece que você adivinha meus pensamentos. Queria falar exatamente sobre isso, e podemos fechar com isso.

 Claro que todos temos arrependimentos.Eu carrego os meus. Penso que, quando tive a segunda chance, deveria ter abandonado ou colocado alguns planos em stand bye para ir para a Folha. Também me arrependo, vez por outra, de não ter tentado São Paulo, a grande imprensa. Mas são coisas da vida.

ONG avalia vereadores

Honestamente, não sei se alguém deu essa notícia. Fiquei uns dias fora e não vi os jornais da cidade. Eu recebi há uma ou duas semanas, mas acabei não fazendo pela correria do dia-a-dia. Ainda que alguém tenha feito, é o tipo de assunto que vale sempre lembrar. O Grupo Ação Pró-Cidadania entregou seu relatório de avaliação dos vereadores de Ribeirão em 2009.

Foram acompanhadas 92 sessões da Câmara e avaliados quesitos como qualidade X quantidade de projetos, uso da tribuna no pinga fogo e ordem do dia, participação em comissões, em debates e qualidade de requerimentos e frrequência. Para cada uma das sete categorias acima, os vereadores foram classificados, em ordem de 1 a 20.

Os dez primeiros de cada categoria recebem uma indicação. A avaliação final avalia a quantidade de indicações entre os dez primeiros cada vereador teve. No resultado, os vereadores foram qualificados em cinco grupos distintos, e o resultado pode ser conferido abaixo.

1 – Grupo A – Sete indicações em sete quesitos

Gilberto Abreu (PV) e André Luiz (PCdoB)

 2 – Grupo B – Seis indicações em sete quesitos

Coraucci Netto (DEM)
Nicanor Lopes (PSDB)
Gláucia Berenice (PSDB)
Giló (PR)
Walter Gomes (PR)
Maurílio Machado (PP)
Saulo Gomes (PRB)

 3 – Grupo C – Cinco indicações em sete quesitos
Jorge Parada (PT)
Bertinho Scandiuzzi (PSDB)
Bebé (DEM)
Oliveira Júnior (PSC)
Samuel Zanferdini (PMDB)
Léo Oliveira (PMDB)
Capela (PPS)

4 – Grupo D – Quatro indicações em sete quesitos

Silvana Resende (PSDB)
Waldyr Villela (DEM)

 5 – Grupo E – Três indicações em sete quesitos

 Cícero Gomes da Silva (PMDB)

Vale lembrar que Cícero Gomes, como presidente da Casa, sai prejudicado na avaliação, já que não participa em Comissões Especiais de Estudo.

Agora, minha avaliação: A Câmara versão 2009 é ruim, mas infinitamente melhor do que sua versão 2008. Só o fato de não termos Leopoldo Paulino (PMDB), o ex-guerrilheiro de araque, e Silvio Martins (PMDB), el carnegón, já faz uma diferença imensa.

Claro que perdemos um nome importante, o Beto Cangussú (PT), que faz falta. E ainda ganhamos alguns carnegões novos, como os Oliveira. Mas, no computo geral, houve significativa melhora. Diria que, de nota 2, passamos a nota 3,5. Muito menos do que o mínimo, mas muito melhor que antes.

Explico: a Câmara ainda é uma farra de cargos. Cada vereador, além dos lotados no Gabinete, domina certos setores, têm indicações a fazer em praticamente todos os departamentos. Tanto que a imensa maioria dos servidores do Legislativo estão lotados em cargos comissionados. De efetivo, mesmo, são poucos.

E ainda há dificuldade em conseguir documentações sobre alguns aspectos complexos do Legislativo, como contratos de terceirização ou mesmo inventário dos materiais em estoque. Na administração passada, a Câmara comprava de tudo, e superfaturado, sem o menor controle. Alguém fez muito caixa com isso. Tanto que os porões e depósitos estão cheios de bugigangas. É uma área que Cícero não quer mexer diretamente, pois complicaria a vida de ex-aliados.

Pra mim, destaque negativo para Silvana Resende, uma vereadora que costumava ser melhor avaliada e ficou na rabeira deste levantamento. A tucana perdeu o tom nesse ano: brigas demais com a prefeita (o que rendeu, inclusive, puxões de orelha de tucanos, digamos, mais próximo dos maiores ninhos do partido), projetos de menor relevância, pouco planejamento político, enfim…foi um ano que ela deveria esquecer.

E destaque, dessa vez positivo, para dois nomes novos, Maurílio e André, que fazem, ambos, um bom trabalho, cada qual em seu primeiro ano de Legislativo. Assim como Gilberto Abreu, que manteve a média das avaliações passadas e permaneceu no grupo dos melhor avaliados.

Por fim, preciso ainda falar da excelente condução dos trabalhos da Câmara pelo Cícero Gomes, figura história e que deveria ser incrporada pelo patrimônio da Cassa. Talvez tornado presidente vitalício da instituição. Com muita articulação política, é o único a reunir condições técnicas para acomodar a sede de mudança dos novos com a administração pragmática da Casa.

O fato é que, com um grupo de poder reduzido – antes do famoso Grupo dos 13 mandava e desmandava como queria no Legislativo – Cícero teve que compor mais e, mais restringido pelas cobranças de transparência, administrou muito bem a nova situação.

Agora é torcer para os novos, que entraram com essa gana moralizadora, não se deixem acomodar nos três outros anos de mandato.

PS: Os interessados na íntegra do levantamento podem solicitá-lo por e-mail ou comentário. easchiavoni@hotmail.com

Minha Ribeirão

Sempre tive uma relação muito mais de amor do que de ódio pela minha Ribeirão. Relembro meus 17 anos, quando tive que deixar a cidade – isso significava demais, principalmente os jogos do Botafogo – e ir viver e Bauru.

Passava semanas, geralmente pelo menos um mês, longe de casa. Grana curta, tinha que controlar as viagens. Em 1999, primeiro ano de faculdade, recebia uma ajuda mensal dos meus pais de R$ 300. R$ 150 ficava no aluguel de um quarto. O resto, pra comer, beber, pegar ônibus e qualquer outra coisa que se fizesse necessário.

Lembro com carinho daquela época. Sopas que duravam a semana toda, sempre acrescida de mais água e de indefectíveis batatas, além de um lauto banquete de frutas colhidas na própria UNESP. Era, junto com o Ygor Salles, verdadeiro irmão, sem dúvida, um dos cinco caras mais duros da minha sala.

Mas perdoem a digressão. Outro dia falamos sobre Bauru. Esse post é sobre Ribeirão.

Fui um verdadeiro embaixador da minha cidade. Falava dela com um orgulho que impressionava a todos. Só tinha rival no bairrismo quando conversava com o grande José Romeu de Castro Rios, vulgo Araxá. E com o Bruno, que convencionou-se chamar de Ribeirão, meu conterrâneo. A Vila Tibério era uma espécie de paraíso perdido. A USP, onde também cresci, era uma espécie de Jardim do Éden preservado. E o Botafogo, bem, o Botafogo… era simplesmente o Botafogo.

Marcava minhas vindas sistematicamente para coincidir com os jogos do Botafogo. Naquele ano, 1999, estávamos na A-2. Subimos. Posso dizer que acompanhei pelo menos 40% da campanha do Pantera in loco. Estar no Santa Cruz, as vezes sozinho, as vezes com o meu pai, era um sinônimo de estar em Ribeirão, em casa. Emocionava. Confesso sem medo que não foi uma nem duas vezes que me peguei com lágrimas nos olhos quando aquela equipe, que nem era das melhores que já vi, entrar em campo.

E por falar em Santa Cruz, como foi gostoso, em 2001, naquela campanha linda do tricolor – que também acompanhei nas idas e vindas de Bauru – saber que dois são-paulinos que moravam comigo – dois irmãos na verdade – vieram a Ribeirão, foram ao Santa Cruz e apanharam de 2 a 1 do Panteira.

Ano tão difícil, primeira desilusão amorosa, além de estar a pelo menos 250 km de casa. E quando os pensamentos não queriam parar, qual a solução? Ir pra casa, para o Santa Cruz. Come-fogo com toda a família. Ainda que com a alma dilacerada, o segundo gol de Tiba em um 2 a 2 ruim de se ver (Bafo 1, Fogo 1, Bafo 2, Fogo 2), um chutaço de fora da área, no ângulo, sem chance, ajudou barbaridade a aplacar a dor.

Depois de Bauru vive e trabalhei em muitas cidades. Jundiaí, Franca, São Paulo. Mas confesso que tenho saudades da Cidade Sem Limites. Depois que deixei definitivamente a cidade, lá voltei duas vezes. A última, para uma entrevista de emprego, em 2006. Passei pela boa e velha UNESP, bem mudada, Também revi minha última casa, onde instalou-se a gloriosa Curva do Rio, República de respeito onde vivi bons momentos.

Pena que, nesses anos que se seguiram, algumas coisas tenham mudado tanto no lugar onde nasci e cresci. Se na época de faculdade esbravejava contra um tal Antonio Palocci Filho, prefeito que eu julgava, então, o mais picareta dos que eu tinha visto, agora tenho que me contentar com Dárcy da Silva Vera.

Se antes comparava as ruas de Franca, onde morei e também fui muito feliz, a um território de guerra, cheio de minas e buracos, tenho que me contentar com a massa asfáltica caótica que toma conta da minha cidade. Não deixa nada a dever ao petista Gilmar Dominicci, o rei dos buracos francanos.

Pior: se antes podia dizer, com a boca cheia, da hospitalidade de Ribeirão, agora tenho que agüentar – mas não calado – moradores de rua (cuja existência já é um absurdo pelo fato em si) tendo o corpo ateado de fogo por comerciantes que, pior de tudo, insistem em inventar desculpas estapafúrdias.

Ribeirão está mudada. E para pior.

Comentário de Bullamah

Vanderson Bullamah, que foi tema de uma postagem neste blog, enviou um comentário ao texto, o qual resolvi publicar como postagem. Achei realmente interessante ter esse feedback daquele que foi motivo das palavras que escrevi. Eis o comentário dele.

“Espero q esteja bem Schiavoni, por coincidência estava procurando trabalhos de v.subclávia/hidratação e perto dessa referência:
(FAZAN, V. P. S. ; SCHIAVONI, Maria Cristina Lopes . Estudo da correlação.. ) estava seu blog e lí a matéria q escreveu, aliás todas.
Impressionante como consegue passar para a escrita dados de linguagem corporal e cognitivas do analisado.
A sua acertividade é quase que total. Realmente,
embora pouquissímos, os pesos alheios sãos piores, mas amenizam sabendo das pacientes satisfeitas e estudando nutrição geral associado aos de formado em medicina.
Abraços, grato pela forma que abordou o assunto, boas festas e bons anos novos a vc e familiares.

22/12/2009.
Vanderson

ENTREVISTA COM PAPAI NOEL

Sim, senhores, estreiamos nossa nova secção temática, a Entrevista de Quinta, com uma das maiores figuras da sociedade cristã ocidental. Trata-se dele, Santa Claus, o bom e velho Papai Noel, que conta tudo em uma entrevista mais que exclusiva.

Boa leitura!

 Blog do Schiavoni: Vamos começar pelo mais difícil. Brincadeiras na internet sugerem que pode haver algum indício de homossexualidade, zoofilia e pedofilia em algumas ações de sua pessoa, principalmente a questão de colocar crianças no seu colo e fazer um pedido. Também comentam de sua relação com Rudolph, o líder das renas. Seco pra você, Papai Noel: o senhor é bicha?

 Papai Noel: Isso tudo é intriga. Sou espada, posso garantir! Além disso que você disse, também dizem que, nos Estados Unidos, sou conhecido como Santa. E também que submeto os anões a uma rotina de trabalho escravo. São pessoas sem espírito cristão, que querem acabar com os valores. Posso assegurar que nada disso existe.

 Nunca manteve relação nem assediou nenhum dos seus anões? E sobre o Rudolph?

Não vou responder esse absurdo. E, se a entrevista continuar nessa linha, teremos que parar por aqui?

 Tudo bem, vamos deixar a temática sexual de lado. Mas e a questão trabalhista? O blog apurou que existe pelo menos uma dúzia de processos de trabalhadores de sua fábrica na Justiça da Lapônia exigindo o pagamento do piso da categoria e as horas extras, que seriam pelo ano todo…

 Sabe como é, funcionário nunca sai satisfeito, mas trato cada um dos meus colaboradores como parte da minha família. As informações jurídicas sobre os casos você pega com meu advogado, sabe como é.

O senhor é uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo. Como faz para lidar com a fama? Já tem serviço de assessoria de imprensa?

 Essa história de comunicação é muito importante, né? Sempre fui o Papai Noel, mas as pessoas só começaram a me conhecer de verdade depois que uns marketeiros da Coca Cola resolveram dar uma mãozinha na minha carreira, sabe? Hoje tenho uma equipe própria que cuida da minha imagem. Mas o problema que todos nós vivemos é a pirataria. Saca, um Papai Noel em cada shopping, nas ruas das cidades, tudo isso sem licenciar. Acabo perdendo muito dinheiro. Investimos décadas e décadas em qualidade para, no fim do ano, qualquer gordo desempregado vestir a mítica roupa vermelha e encarnar meu personagem. É triste e duro isso, sabia?

O senhor vive uma relação estável com a Mamãe Noel, que é muitos anos mais jovem que você. Na verdade, a cada ano o senhor está mais velho, e a Mamãe Noel fica cada ano mais nova. Consegue cumprir com suas funções conjugais?

 No começo, havia só uma Mamãe Noel. Mas ela encheu muito o saco, brigou com meus assistentes e acabamos nos separando. Desde então, tenho vivido uma série de relacionamentos não muito longos. Quero aproveitar o momento, entende? Mas posso garantir que cumpro com todas as obrigações sexuais, e sem Viagra!

 Como consegue financiamento para comprar e produzir tantos presentes? Há um boato que o senhor, durante o ano, rouba bancos para bancar a fartura natalina…

 Mais uma mentira. Sou um homem de muitas posses, tenho recursos mais que suficientes para fazer meu trabalho. Mesmo nos últimos anos, onde a febre tecnológica encareceu consideravelmente o preço das matérias primas, posso dizer que ainda consigo ser sustentável. Também tenho fontes de financiamento público de bancos estatais, como o BNDES, que ajudam na produção e geralmente sequer cobram taxas de juros, dado o caráter social do investimento.

 Como é? O senhor está dizendo que o BNDES financia sua produção?

Contribui com uma pequena parte. Mas nada muito diferente do que ele geralmente faz para governos amigos, como Venezuela. Tudo entre amigos. Gosto muito do Lula.

Vou ignorar sua referência política e continuar. Uma banda brasileira de punk rock escreveu, há duas décadas, uma música que tornou-se um clássico. Papai Noel Filho da Puta. O que acha dela?

Um ultraje. Prefiro a versão do Velho Batuta. Mas meus advogados já estão cuidando disso e abriram um processo contra esses palhaços. É mais uma tentativa de me integrar ao sistema capitalista.

E você não está integrado? Alguns consideram o senhor como o grande ícone do consumismo desenfreado que simboliza as últimas décadas.

 Não tenho culpa da apropriação que as pessoas fazem do símbolo que sou. Eu dou presente, faço o bem. Mas não tenho culpa se as empresas me integram ã sua estratégia de marketing. Devo dizer, aliás, que nem os royalts nem direito de imagem eu recebo. Um verdadeiro absurdo.

Posso imaginar. Mas para acabar essa entrevista com um bate bola. Pode ser?

Vamos lá.

Uma personalidade:
Papai Noel, claro.

Um filme
 A louca história de Papai Noel

Um livro
Papai Noel: Um velhinho de muitos nomes

Uma música
Então é Natal, com a Simone cantando. A-D-O-R-O.

Time preferido de futebol
Santa Cruz

Um pedido
Folgar no Natal pelo menos um ano. No Brasil. Em uma praia. Muito quente.

Um projeto
Minha nova fábrica no Pólo Sul. Sabe como é, o Pólo norte está acabando por conta do calor, é preciso precaução para o futuro.

Um sonho de consumo
Um super trenó ultra speed versão 7.0 com velocidade máxima de 16 mil km/h.

Doce ou salgado
Odeio doce. Diabetes, sabe como é.

Papai Noel por Papai Noel
Sou um cara gente boa, muitas vezes incompreendido.

Novidades

Depois de um agradável fim de semana na cidade das três colinas, eis que volto a Ribeirão e a este humilde blog que, nos últimos dias, ficou sem atualização. E, para compensar o tempo, tenho uma notícia bacana.

Aliás, grande Sérgio de Pinho, o mestre das artes fotográficas, obrigado pela acolhida. E ao Rodolfo, claro, pela excelente companhia no sabadão.

Para movimentar o blog e não depender exclusivamente das minhas poucas idéias, começo a publicar, a partir dessa semana, algumas sessões fixas. Não pensei em todas ainda, mas na quinta-feira estréio a primeira delas: Entrevista de Quinta.

Funciona assim: toda quinta-feira entrevistarei alguém interessante – seja conhecido ou não – em um bom pingue-pongue e depois disponibilizo através do blog.

Tenho algumas outras idéias que devem ser implementadas até o começo do ano que vem. E vamos que vamos.

SEPARADOS NO NASCIMENTO

Já fiz esse comentário para algumas pessoas e, vendo novamente uma foto ontem, a semelhança tornou-se, para mim, ainda mais absurda. Mesmo estilo e, há quem diga, mesma forma, digamos, de se posicionar em relação ao mundo. Digam: não parecem irmãos?

O vereador e jornalista Marcelo Palinkas (DEM)...