Arquivo do mês: janeiro 2010

Botafogo versus Ponte

Todo torcedor panterino com mais de dez anos de idade não esquecerá, jamais, esse confronto. Paulista de 2001, semifinais do Paulista, Ponte jogando por dois empates, primeiro jogo em Ribeirão. A Macaca tinha um senhor time, com Whashington, hoje do time Bambi, como o grande destaque.

E o Botafogo…bem, sem dúvida, foi o melhor que eu vi jogar. Doni, Leandro, Chris, Robert, Ratinho, Douglas … Mas vamos ao jogo.

Lembro do primeiro jogo. Santa Cruz lotado. Fui com meus pais – minha mãe é bafuda, mas foi secar ao vivo. Também foi uma outra pessoa, que não lembro quem. Um cheiro de maconha absurdo. Estádio lotado. Tivemos que ficar em pé.

Do nada, os campineiros começaram a gritar: “Caipira, viado”. Achei aquilo o cúmulo. Campineiro chamando alguém de caipira e, pasmem, de viado. A torcida tricolor não deixou por menos: “Campineiro, viado, chupa rola, dá o rabo”. No fim das contas, acho que nosso grito era mais verdadeiro e mais simpático.

Desnecessário dizer que a Ponte parece com o Bafo. Mesmas cores. Mesma torcida demente e violenta. E um time que pareceo Bafo jogando em Santa Cruz só tem um destino: apanhar.

O jogo foi emocionante. Terminou 2 a 1 para o Botafogo, e eu sai do estádio com a sensação que íamos ter uma batalha homérica em Campinas. Lembro que terminamos fazendo sinal de dedo para os campineiros viadinhos e mandando um delicioso – chupa, suas bichas.

Mas a batalha que foi o segundo jogo, em Campinas, jamais seira do imaginário botafoguense. Não pude ir até a maior cidade gay de São Paulo ver o jogo e fui obrigado a ouvir pelo rádio. Com 15 minutos de jogo, a Ponte estava em cima e parecia que ia abrir o placar logo logo. Pênalti. Doni defende. Comemoro feito um doente.

Mas a coisa ainda estava feia e a Ponte não tardou a abrir o placar. Logo logo a Macaca fez o segundo. Nessa hora, cheguei a pensar que a viola tinha ido pro saco.

Mas Cézar diminuiu, 2 a 1. Por puco tempo. A macada fez 3 a 1. Comecei a chorar. Mas ainda acreditava. E o Botafogo fez o 3 a 2. Não lembro com quem, mas desconfio que tenha sido o Robert.

A partir dai foi só rezar. Me tranquei no quarto e colei o ouvido no rádio. E veio o penalty. Leandro se preparava para bater. Bateu, e fez. Inacreditáveis 3 a 3, em pleno Moisés Lucarelli. Não consegui me conter. Sai berrando feito um louco pela casa, chorando mais que criança que teve o pirulito roubado. E ainda tive tempo de xingar o Roberto, que perdera, segundo o locutor, um gol incrível. Foi mesmo, depois confirmei pela TV,

Era final de jogo e sai correndo feito um desembestado. Chorando copiosamente, gritava pela rua e fui até a casa da minha avó, que fica pertinho da casa da minha mãe. Uma tia me recebeu com um copo de água com açucar e eu só tive tento de entrar e abraçar o meu avô, também botafoguense.

Cara, só de lembrar disso começo a chorar. Anos depois, continuo a mesma bichona. Anos depois, fiquei sabendo que minha mãe, temendo que me desse um piripaque, avisou pra me segurarem um pouco lá.

Mas enfim…lembro de voltar para casa e, enquanto passava em frente ao vizinho, ver o gol do Corinthians, Ricardinho, de fora da área, aos 45 do segundo tempo. Gol que colocava o Timão na final com o Botafogo. Gelei. Naquele segundo, falei alto: acabamos de perder o título. E não deu outra. Imagino que, se fosse o Santos – equipe que já tinhamos vencido naquela Paulista – o Botafogo seria campeão em 2001. Infelizmente não foi.

Sai correndo e fui até o Poliesportivo do Botafogo, que fica na rua Paraíso, uns cinco quarteirões de casa. Milhares de botafoguenses já começavam a chegar. Farreamos até a madrugada, bêbados, evidentemente. O povo de casa morreu de preocupação – celular não existiam pra mim, na época. A noite inteira com aquela sensação boa, aquela emoção.

Lembro que, meses depois, em Bauru, estava chegando em casa de um estágio e, zapeando a televisão, vi esse jogo, Ponte e Botafogo, passando na SporTV. Meu irmão Ygor Salles veio assustado quando ouviu gritos na sala. Era eu comemorando os gols do Botafogo, no segundo tempo, e chorando – pra varir – vendo o VT. Coisa que só quem viveu aqueles momentos mágicos vai entender.

É é assim que eu lembro Botagofo e Ponte. Um filme que sempre vem à cabeça quando as duas equipes se confrontam. Hoje estarei no Santa Cruz, às 21h, para assistir mais um jogo entre as equipes. Mas parte da cabeça vai estar, com certeza, naquela semifinal.

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Impressionante

Viajar a região, caros leitores, é assaz interessante. Ontem estive, entre outras cidades, em Cajuru (70km de RP) onde pude encontrar coisas pitorescas. Começou com uma senhorinha que estava passeando com sua jibóia de estimação na praça matriz da cidade. A velhinha colocava a cobra no pescoço, deixava crianças passarem a mão, brincava com o bicho. Ela rastejava, saracoteava, enfim, bem divertido.

Cajuru, por sinal, é uma cidade bem ajeitadinha. Arrumad,a limpa, com um povo simpático e cordial, pelo menos em uma primeira olhada. Foi a primeira vez que fui até lá e gostei do que vi. Mas o que mais me chamou a atenção na viagem foi o prefeito de Cajuru. Gente bonissima. Fala gostosa, bom papo, convicção de idéias. Um cara que eu, definitivamente, queria ter como prefeito de Ribeirão.

Estava acompanhando o deputado federal Fernando Chiarelli (PDT-SP) e parte do que conversamos não poderei revelar. Principalmente as opiniões do prefeito sobre algumas administrações… Só posso dizer que ele vem bastante a Ribeirão e reclamou em termos, digamos, não muito recatados dos buracos e do abandono da minha cidade. Fiquei até com vergonha…

Aliás, triste isso. Eu, que sempre tive o penacho em pé por ter nascido e crescido nesta terra, ando meio com vergonha do que está péssima administração rosa tem feito com minha cidade.

Mas a lição mais importante que tirei das visitas que fizemos ontem é a seguinte: inabilidade política mata. Podem contestar o quanto quiserem, afinal, sou assessor de um deputado e candidato à reeleição, mas a realidade é que não existe uma única cidade na região que você passe e as lideranças políticas locais não reclame da falta de atenção dada por um dos deputados federais da região.

Em Pontal, ouvi de um ex-candidato a prefeito o seguinte: “Vou ajudar [o candidato e atual deputado] da mesma forma como ele me ajudou: com nada”

Em Sertãozinho, um vereador, inclusive do mesmo partido do deputado, disse: “Quando era secretário, mandava muita coisa. Virou deputado, nem recebe mais a gente”.

Um prefeito da região de Cajuru completou: “Pra nós, é a mesma coisa que nada. Esqueceu aqui”.

Outro prefeito, dessa vez da região de Barretos, foi ainda mais enfático: “Só se reelege se pingar voto do Estado inteiro. Por aqui, está muito queimado. Nem receber a gente recebe”.

O mesmo deputado, líder de seu partido, articulou e articula tão mal as candidaturas de sua legenda na região que terá que enfrentar concorrência dentro de casa. Um (a) ocupante de cargo legislativo deve roubar pelo menos 20 mil votos que seriam dele. Talvez mais.

Até ontem, mesmo com as queixas constantes, pensava que a reeleição dele era certa. Agora, depois do que vi e vivi ontem em quatro ou cinco cidades, começo a rever este conceito.

Novidades na Conab

Caros e caras

Primeiro, perdão pela ausência nos últimos dias. Rotina complexa e um certo vício no Desert Operations, além da derrota do Botafogo – sempre fico com preguiça quando o Fogão apanha – impediram a atua;lização desde a última terça.

Mas acontece que ontem, andando pela região, fiquei sabendo de uma notícia que tem potencial para deixar de cabelo em pé um figurão da política da cidade que já comandou o Porto de Santos. Dou mais detalhes quando tiver o processo em mãos, mas posso dizer que a Justiça Eleitoral já investiga suspeita gravissima de crime eleitoral.

Mais novidades em breve.

Análise rápida

Faço uma análise rápida depois. Mas o jogo, que não foi dos melhores, mereceu o placar.

Destaque negativo para o juiz, que errou para os dois lados – mais contra o Botafogo. De resto, são duas equipes que prometem lutar por alguma coisa mais que contra o rebaixamento no campeonato.

Fim das transmissões em Santa Cruz. Foi quase um prazer.

PT saudações

Fim de jogo

Fim de jogo em Santa Cruz. Como predito, zero a zero.

Susto

Aos 42, cruzamento em bola parada na área do Botafogo. A pelota passa por toda a área e fica a centimetros da cabeça do atacante do Ituano. Seria gol na certa.

Vaia

o Botafogo toca a bola atrás, rezando para o tempo passar…é vaiado, claro, e de forma sonora. A torcida começa a perder a paciencia com os seguentes erros da equipe.