Arquivo do mês: junho 2010

Jornalismo meia boca II, a missão

Tenho andado um pouco impaciente com jornalismo meia boca nos últimos dias. Sério, sem paciência mesmo de ensinar o pouco que sei, o que nunca antes na história deste escriba, pra citar o Lula, aconteceu. No trabalho que venho desenvolvendo em Franca, tenho preferido fazer e resolver do que ensinar. Especialmente se a lição tem que ser repetida. Acho que é sinal da idade, já que este post marca o primeiro que coloco neste blog após completar meus fofíssimos 29 anos, sendo dez deles de dedicação ao jornalismo, essa cachaça impossível de largar mas que tanto trabalho dá.

Também tenho andado pouco tolerante com as baboseiras que a imprensa anda escrevendo. Uma coisa, nos últimos dias, me deixou encafifado, talvez por ter me atingido diretamente. A bendita matéria do Congresso em Foco sobre os deputados com processos no STF. Tipo de matéria que não diz nada e só serve para enganar o eleitor. A partir do momento que você não esmiúça e investiga quais os crimes cada parlamentar recebe, de nada adianta. Dão a nem sempre verdadeira impressão de que processo é algo ruim, algo que depõe contra a honra do parlamentar. Nem sempre é assim, e as ressalvas precisam ser feitas.

No caso da matéria do Congresso em Foco publicada nesta semana, limitaram-se a citar, sem ouvir o famoso outro lado – principio crasso do jornalismo que foi solenemente ignorado – que o deputado – para o qual eu presto assessoria, é forçoso lembrar – que ele responde por dez processos no STF e que foi o que mais teve processos com entrada no período de tramitação do Ficha Limpa.

Vamos aos fatos, não para defender ninguém – Chiarelli dispõe de espaços muito maiores do que este blog meia boca para se defender, e certamente o fará – mas apenas para explicar o bom jornalismo ou, no caso, o mau jornalismo feito.

Chiarelli teve realmente o maior número de processos que deram entrada no STF na tramitação da Ficha Limpa. Evidente, ele assumiu há pouco mais de um ano e, portanto, todos os processos a que respondia nos tribunais inferiores, depois de certo tempo, sobem para o Supremo sem julgamento de Mérito. São ações velhas, portanto, colecionadas ao longo da carreira política e que subiram todas de uma vez ao STF devido à posse de Chiarelli. Não são, portanto, ações novas. O site poderia dizer, inclusive, que, no período, não houve nenhuma ação contra Chiarelli que ingressou diretamente no STF. Ou seja, no período que está deputado, não há queixas, ao menos por enquanto, contra Chiarelli. Tudo isso é o que um jornalismo sério deveria explicar.

Um jornalismo de boa qualidade e sério devia ir mais fundo. Deveria explicar mais. Deveria dizer que |Chiarelli é autor de mais de 70 ações populares e que condenou, com a ajuda do Ministério Público, metade dos políticos que acupam cargos públicos em Ribeirão Preto por improbidade administrativa, ou seja, rapinagem do dinheiro público. E que, entre os dez processos de Chiarelli, não há nenhum por improbidade, e todos são exclusivamente por calunia, injuria e difamação, delitos que não entram na lei da ficha limpa. Também há um crime eleitoral, da mesma forma delito que não é classificado entre os graves.

Um jornalismo sério, compromissado e de qualidade, no entanto, tinha a obrigação de explicar quem foram os autores dos processos. Por sinal, são os mesmos que já sofreram pesadas condenações baseadas em denúncias do próprio Chiarelli e que insistem em utilizar a Justiça, de forma sistemática, para tentar intimidar seus inimigos. Indo ainda mais fundo, os responsáveis pela matéria poderiam buscar os processos e verificar que Chiarelli já foi réu em quase uma centena de processos do tipo e que ganhou a imensa maioria deles.

E se alguém considerar crime chamar de bandido o bandido, ladrão o ladrão e picareta o picareta, Jesus, parem as máquinas, é o fim da liberdade de expressão.

Fico pensando se a imprensa utilizaria o mesmo critério para noticiar o que lhe é de interesse. A quantidade jornalistas processados por conta do ofício é absurda. Políticos e picaretas em geral não sentem-se minimamente constrangidos em intimidar os profissionais, de forma quase criminosa. Veja-se o que a Igreja Universal fez contra a repórter Elvira Lobato, uma das grandes do jornalismo atual. Ela tem centenas, possivelmente milhares de processos pelo país por conta de matérias. Talvez figurasse em um ranking de maus profissionais da imprensa se o critério utilizado fosse o mesmo.

Eu mesmo, aliás, fui e sou vítima dessa picaretagem. Fui e sou processado por políticos, digamos, nada probos que, dias depois, não se escusam em oferecer a retirada do processo em troca do meu silêncio. Não adianta, não calo, e vamos aos processos.

Mas o que esperar de um jornalismo que nem se dá ao trabalho de ouvir o outro lado?

Pior é que, com o advento da internet, esse oásis da picaretagem, o texto é reproduzido Brasil afora sem que os reprodutores tenham o menor cuidado de checar as informações. Assim, o jornalismo superficial e com falhas feito no primeiro momento por um único veículo, o Congresso em Foco, espalha-se como praga daninha.

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Médicos contam: Prefeitura mentiu sobre grupe suína

Recebi na semana passada uma informação que me deixou absolutamente chocado. A fonte é altamente confiável, portanto tomo a liberdade de compartilhar o que ouvi. E acreditem, é chocante. Eu mesmo cheguei a duvidar do que ouvi. Sabia que a “administração” atual tem capacidade de fazer tal fato, mas não imaginei que a picaretagem chegasse a tanto.

A notícia diz respeito à saúde de Ribeirão, com certeza o setor mais caótico e, se confirmada a informação, como parece o caso, dá uma medida exata de como funcionam as coisas na atual administração rosa.

Tive acesso a uma reunião com uma série de médicos da rede municipal. Gente competente e que conhece o sistema há anos. E eles disseram, com todas as letras, que a prefeitura mandou esconder e camuflar dados referentes à Gripe Suína em Ribeirão. Eis o depoimento de um dos médicos.

“Todo mundo sabe que no Cantinho do Céu morreram mais de 15 pessoas com gripe suína, mas a Prefeitura não deixou divulgar. Disse que foram só três, mas todo mundo na saúde da Prefeitura sabe que eles esconderam os dados”, disse o médico.

Fiquei chocado. Já tinha ouvido essa história, mas não da boca de ninguém de dentro da saúde. E só topei divulgar porque o médico garantiu que, em caso de processo, assume a bronca no tribunal. E não foi só um. Todos os médicos da reunião – eram seis – confirmaram.

“Foi um surto brabo que deu lá. Mas ninguém da imprensa falou nada e ficou como se fossem só três casos. Juro que não entendi o que aconteceu ali”, disse outro médico.

Esclarecimento ao Jurídico de um grande jornal Francano

Só pra esclarecer.

Meu pai nunca comeu nenhuma mulher no Rio Grande do Sul. NuncA SEQUER passou por lá. Minha família chegou ao Brasil em Pernambuco, a umas, sei lá, cinco ou seis gerações e de lá foi descendo o país. Há alguns parentes bem distantes em Juiz de Fora, terra de minha bisavó paterna, mas o grosso da Schiavonada está em São Paulo mesmo.  Meu avó nasceu em Ribeirão, assim como meu pai, tios e a parentada toda. Não temos parentes no Rio Grande do Sul.

Tenho uma só irmã, que eu sabia. Jaqueline Esther Schiavoni, filha de Rosa Maria Bogolin Schiavoni e Adalberto Augusto Schiavoni, como eu. Ela não se chama nem tem apelido. Tenho uma prima que é Larrissa Cristina Schiavoni, mas ela tem só 13 anos e mora em Ribeirão Preto. E o mail dela não é schiavoni@ig.com.br.

Pra fechar, gostaria que me enviassem o documento onde existe a prova da irmã gaúcha que encontraram. Adoraria conhecê-la, sabe como é, estreitar laços.

Beijos a todos,

Me liga

Schiavoni

Franca, a terra das histórias estranhas

Tive a chance de viver em Franca por alguns anos. Trabalhei como editor no Comércio da Franca e, como editor de fechamento, muitas vezes tive que fechar as páginas de polícia. É impressionante a quantidade de histórias absurdas que acontecem naquela cidade.

Eis que nas últimas semanas, temporariamente de volta à cidade das coisas esquisitas, me deparo com a seguinte notícia, publicada no Comércio:

NO ÔNIBUS
Aposentado e cobrador se envolvem em confusão
Um idoso de 88 anos e um cobrador da Empresa São José ficaram feridos na tarde de ontem durante uma confusão dentro do ônibus da linha Jardim Francano que estava parado no Terminal Central. O aposentado WC, 88, acusa o cobrador, JRS, 60, de agredi-lo com uma bengala. O cobrador se defende das acusações dizendo que foi o idoso que começou a agredi-lo com uma bengala após perguntar se ele não iria passar a roleta. O idoso ficou com um corte na testa e o cobrador estava com arranhões no braço e reclamava de dores no peito e na cabeça.

Segundo policiais que atenderam a ocorrência, testemunhas que presenciaram a confusão disseram que o idoso teria começado a bater no cobrador que tentou se defender. O fato ainda não está totalmente esclarecido. Durante a confusão, o filho do aposentado, SC, tentou bater no cobrador ainda no Terminal de Ônibus e foi contido pelos policiais. Ele foi junto para o Plantão Policial, onde precisou ser contido.

Após passar pelo Pronto-Socorro “Dr Janjão”, o aposentado também foi levado para o Plantão, onde deveria ser ouvido junto com o cobrador. “Não fiz nada. Ele arrancou a bengala da minha mão e me bateu”, disse. A filha do idoso, SC, disse que o pai passeia de ônibus todos os dias. “Ele faz isso há 15 anos e nunca tinha acontecido nada”.

O cobrador confirma que o idoso sempre pega o ônibus. “Ele anda muito no circular. E hoje só perguntei se ele não ia passar a roleta porque no final da corrida o ônibus ia para a garagem”. O cobrador foi para o Plantão acompanhado de um funcionário da Empresa São José, que preferiu não falar sobre o caso.

Não é, contudo, a pior. Há coisa de duas ou três semanas, houve briga mais engraçada entre cobrador e idoso. Mas essa vai virar crônica e publico durante a semana.

Em breve

Tive informações de fontes pra lá de confiáveis sobre um verdadeiro escândalo na Saúde de Ribeirão Preto. Coisa braba. Essa semana promete.

A evolução dos processos

O último a me processar, Wagner Rossi, ministro da Agricultura

A notíciaé velha, mas vale a pena ser publicada. Minha ficha de processos ganhou mais uma presença ilustre nos últimos dias. Sim, mil vezes sim, estou evoluindo qual um Pokémon. Recebi em casa, com imenso prazer, a visita de um novo Oficial de Justiça – esse eu não conhecia ainda –  e descobri que estou sendo processado criminalmente pelo excelentíssimo ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi. O boninitnho na foto ao lado.

Andei pensando. Ainda tenho alguns problemas sobre receber processos. É sempre chato, claro. Ainda assim, esse é mais um dos que me faz sentir orgulho. Um grande jornalista e amigo, Evandro Spinelli, sempre diz que a lista corrida de processos dos jornalistas depõem a favor – ou contra – o trabalho do profissional. Nesse caso, com certeza depõe a favor, dado o amplo currículo, digamos, não muito probo da figura.

Engraçado disso tudo é que eu vi Wagner Rossi ao vivo uma única vez, em uma convenção do PMDB em Santa Rita do Passa Quatro. Fiz até entrevistinha com ele para o A Cidade. Mas enfim, faz parte. Estamos vivendo uma época triste na qual as pessoas, ao invés de olharem no olho e resolverem as pendências, optam por processar.

Aliás, no caso do Wagner, a coisa é ainda mais estranha. Ele questiona dois adjetivos atribuidos a ele no blog, mas em nenhum momento contesta as informações divulgadas. Preocupa-se com o sofá e esquece a mulher pecadora, por assim dizer. Mas enfim, há Justiça pra isso mesmo…

Leopoldo "Guerrilheiro" Paulino, o primeiro a me processar

Só para constar, já fui processado por uma lista simpática de pessoas. O primeiro deles foi essa delícia de morango ao ao lado, Lepoldo Paulino, ex-vereador – graças a Deus – em Ribeirão e uma das maiores farsas políticas do país. Não vou perder tempo passando a ficha corrida deste senhor, mas basta dizer que ele criou uma imagem de ex-combatente da ditadura militar e, através dele, ingressou na política. Qualquer um que combateu de verdade a ditadura em Ribeirão irá contar se a história é ou não verdadeira. O processo acabou extinto por falta de prova. Ele me processou por injuria e difamação, salvo engano.

Corrêa Neves, dono do Comércio da Franca, outro de meus processantes

Mas a lista não para por ai. Além de alguns deputados picaretas de São Paulo, em processo na época do jornal Bom Dia que o jornal tratou de encerrar logo logo, o segundo grande destaque foi José Corrêa Neves Junior, dono do Comércio da Franca e meu patrão por mais de um ano na minha primeira experiência como editor. Esse é um cara que, se fosse bem assessorado – em todas as áreas – seria um cara bem mais bacana e boa praça.

Além de Junior, a amásia atual dele, Milena Franchini, e o próprio jornal Comércio da Franca também me processaram por conta do famigerado blog que insistem em dizer que é meu.  Junior chegou a me processar criminalmente, mas o processo foi extinto. Nos civeis, estamos na Justiça e ainda não há definição.

Em tempo: não tenho irmã no Rio Grande do Sul. Ao que me consta, meu pai nunca andou serelepeando por aqueles lados.

A prefeita de Ribeirão, Dárcy Vera, também entrou na onda de me processar

Não menos importante foi o processo da prefeita Dárcy Vera (DEM). No caso dela, foram dois, um no qual apareço como averiguado e outro investigado. Um deles já foi retirado e o segundo segue em investigação sigilosa na seccional e, até onde sei, eu já sai da lista de possíveis réus e figuro apenas como testeminha. Qual será o próximo?

Honestamente não sei. Sei, sim, que, infelizmente, uma série de políticos e picaretas em geral tem utilizado essa estratégia para intimidar jornalistas. Funciona como uma espécie de salvo conduto para a picaretagem: se falar as verdades sobre mim, processo você. Terás que gastar uma boa grana – que você geralmente não tem – e, na pior das hipóteses, dá menos dor de cabeça não falar do que perder tempo, dinheiro e energia com processos de toda sorte.

Comigo, contudo, não funciona. Só Deus sabe o quanto perdi, nos últimos anos, por conta disso tudo. Financeira, emocional e fisicamente, inclusive. Mas sou do tipo teimoso, que vai morrer defendendo o direito à informação, mesmo que leve um processo por semana.

Ainda mais agora, veja só, subi ainda mais de nível e já estou sendo alvo de ministros. A seguir essa linha, esse ano ainda serei processado pelo presidente Lula!

Atualizações

Devo desculpas pela falta de atuyalização deste blog. Infelizmente, fiquei sem meu laptop, que, depois de mais de seis anos de bons serviços prestados, foi pras cucuias. Como estou em uma ponte aérea complicada entre Franca e Ribeirão, e ainda por cima meio adoentado, tem sido díficil manter o ritmo. A situação deve ficar complicada por mais alguns dias, e, embora não falte assunto, vai faltar tempo com certeza. De toda forma, tentarei colocar mais postagens para não deixar esse espaço da cornetagem virtual desamparado por tanto tempo.