Arquivo do mês: julho 2010

Sobre putas, honra, Massa e a F1

 Esse assunto ficou na cabeça e não resisti. Felipe Massa, do Brasil, mostra para o mundo do que é feito o caráter do povo brasileiro. Só pra constar, Massa deu a vitória a Fernando Alonso no GP da Alemanha depois de receber ordem direta dos boxes da Ferrari. E não era caso de título mundial nem nada, só uma opção clara da escuderia de quem é o primeiro piloto e quem não é.

“Tadinho, ele recebeu ordens e cumpriu. Imagina o que aconteceria se tivesse desobedecido à Ferrari”, dirão os especialistas de plantão. “F1 é negócio, ele é funcionário, tinha que obedecer mesmo”, dirão outros.

O caráleo! Tenho verdadeiro ódio de tadinhos. Se fosse um desempregado que pudesse perder o emprego com o qual sustenta oito filhos, eu até pensaria melhor. Sendo um milionário, é conversa pra boi dormir. 

Oras, não me consta que algum grande nome do automobilismo brasileiro – Fitipaldi, pra mim o maior brasileiro de todos os tempos, Sena e Piquet tivessem recebido tal ordem. E, mesmo que tivessem, jamais obedeceriam. Não se pode dizer que eles eram santos. Mas Sena, por exemplo, ao invés de se beneficiar desse jogo sujo – e ele o faria, claro, mas nunca foi preciso – chegou a permitir a ultrapassagem de Gerard Berger para que o companheiro de equipe vencesse.

Schumacher, pra mim o melhor piloto do mundo de todos os tempos, daria risada da ordem. Mesmo na F1 atual, Fernando Alonso, que foi beneficiado pela trapalhada, dificilmente toparia. Mesmo Hamilton, competitivo ao extremo, não toparia o absurdo. Você mede um homem pelo tamanho das concessões que ele é capaz de fazer para manter uma determinada situação.

Um piloto de fibra teria, no mínimo, deixado de cumprir a ordem. Isso se não esculhambasse o absurdo depois. Poderia ser demitido? Até pode ser. Não acho que seria assim. Mas, ainda que fosse, falta de dinheiro não seria problema. Emprego também não. Ou você acredita que alguém talentoso demitido de uma equipe por querer vencer teria dificuldades para ser contratado por outra equipe de ponta?

A atitude de Felipe Massa – covarde, de resto – dá uma idéia do que fazemos, nos mesmos, em menor escala, em nossas vidas. Aceitamos alguns desvios morais que sabemos incorretos para evitar polêmicas. Nos submetemos a fazer um trabalho que sabemos ser eticamente contestável para mantermos nossos empregos. Infelizmente, somos flexíveis demais quando deveríamos ser intransigentes.

Já vivi os dois lados da moeda. Já fui demitido por não ceder a pressões incorretas e fazer o meu trabalho da mesma forma como engoli atitudes que não condizem com a minha ética para manter, em um momento ou outro, algum trabalho. Não são situações fáceis, admito. Mas juro que fiquei melhor desempregado e com a consciência tranqüila.

Me recordo com precisão o dia que fui demitido do A CIDADE. Dias antes, falei com um colega, que preservo o nome para preservá-lo, que minha cabeça estava a prêmio. Ele foi profético: “Você fez um excelente trabalho, denunciou o que tinha que denunciar, fez o seu trabalho. Mas não duvide se, agora, depois de ver a Darcy eleita, você acabar degolado. Você é um pé de dinheiro ambulante”, disse ele na ocasião.

Cantou a bola. Nem precisava, na verdade. No momento seguinte ao que a tia Rosa foi anunciada prefeita da cidade, eu sabia que tinha dois caminhos. Ou me adequava e entrava na turma do oba-oba – ou ao menos parava de bater – ou, mais dias menos dias, eu seria demitido.

Não bati despropositadamente, mas fiz questão de fazer as matérias que precisava fazer. As denúncias dos absurdos que estavam acontecendo antes mesmo da posse. O resultado foi a demissão, por sinal menos de uma semana depois das proféticas palavras do colega.

Dormi preocupado – filho pequeno, família pra cuidar e uma carreira pra resolver. Mas com a cabeça tranqüila. Fiz o que tinha que fazer. Fiquei exatos seis dias desempregado em Ribeirão. Engatei freelas seguidos e um emprego fixo. Não sei se estou melhor ou pior que naquela época, mas estou em paz com minha consciência. Pra mim, é o que vale.

Outra coisa: justificar uma ação sua dizendo que recebeu ordens não é covardia, é falta de caráter. É a mesma justificativa que os líderes nazistas seguidamente deram e dão aos tribunais internacionais. Algumas ordens não devem ser cumpridas. São as que atentem contra a moral. E você deve pagar o preço por não segui-las, senão seria fácil demais ser íntegro.

Cabe a crítica. Massa deu a posição a Alonso e, com isso, prejudicou todos os outros concorrentes ao título, além de si mesmo. Qual será a próxima ordem da Ferrari? Provocar um acidente que tire Vettel da corrida?  Não duvido.

Afinal de contas, como diz a anedota, um matuto chegou até a mulher, linda, e disse que pagaria R$ 100 por duas horas de foda em um motel da cidade com ela. Indignada, ela recusou. Xingou o matuto até a alma. Ele disse então: e por R$ 1 milhão?

A mulher pensou, pensou e topou. A resposta foi na lata.

“Puta já provei que você é. Agora é só negociar o preço”.

Resumindo, Massa é a nova puta da F1. Já provou que obedece ordens, mesmo extremamente contestáveis, para manter o emprego. Como Baricchelo, outro lacaio que recebeu ordem semelhante da mesma Ferrari há oito anos, faz o que mandam.

Pra mim, absolutamente nada os diferencia de Nelsinho Piquet, que provocou, a mando da equipe, um acidente para beneficiar o mesmo Alonso.

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Cornetagens francanas

Voltar a Franca tem muitas desvantagens, mas algumas coisas interessantes. Não vou poder defender meu glorioso titulo de Mr. Pocket Aces e buscar o bicampeonato, já que estarei poucas segundas em Ribeirão. Por outro lado, poderei procurar novos grupos de poker e , de vez em quando, matar as saudades da antiga galera.

Também ficarei um pouco mais longe – mas não por isso menos ligado nas picaretagens – de tia Dárcy e seu povinho. Especialmente do pederasta assessor, que me dá nos nervos e no saco.

E, por outro lado, vou ficar bem próximo dos que litigam comigo no Judiciário francano, o que sempre é divertido. E sabe como é informação, né? Sempre chega.

A mais divertida dos últimos dias diz respeito a um oferecimento descarado de grana a uma candidata a deputada federal. Conta a lenda que um grupo de comunicação francano que eu corto os bagos mas não rrevelo o nome ofereceu algo perto de R$ 750 mil, em cash, para que a referida candidata, graciosa, tirasse o bloco da rua e desistisse de sua candidatura. O mesmo grupo já havia oferecido R$ 500 mil. Ambas as ofertas foram negadas por ela, que é consciente da lei.

Como gosto de dar a notícia completa, ai vai: um passarinho verde me contou que a ação foi motivada pelos interesses do grupo em manter o atual deputado da cidade, Dr. Ubilai (PSB), que seria peça fundamental – a única esperança, na verdade – para que o conglomerado consiga um vantajoso acordo de desapropriação em uma área da cidade que eu sei qual é, mas deixo para a curiosidade de todos como incentivo à pesquisa jornalistica. Um acordo até mais vantajoso que o conseguido por um jornal local com o Poupatempo.

Os passarinhos de Franca às vezes são meio cascateiros, mas esse me mostrou até o registro dos imóveis. Garanto que essa ave singela, forrada com alpiste da melhor qualidade, não deve ter se enganado…

De saída

Antes que a rede da boataria se encarregue de espalhar aos quatro ventos, ai vai a informação de primeira mão dada por mim mesmo. Desde segunda-feira desta semana, dia 19 de julho, deixei minhas atividades como assessor parlamentar do deputado federal Fernando Chiarelli (PDT-SP). 

A saída já era esperada e não foi repentina nem de surpresa. Estóu há três meses e meio como chefe de reportagem das revistas Enfoque e Mérito, de Franca, ambas com periodicidade mensal, de forma que se tornou complicado conciliar as duas coisas e especialmente as duas cidades.

Desejo sorte ao deputado nas próximas eleições e agradeço pela oportunidade de conhecer mais de perto o mundo político, com todos os sucessos e insucessos que vieram com esta nova chance.

Interesse público? Viajou na Maionese, Tia Rosa

E só pra voltar ao quesito cornetagem… pelas perigrinações aos butacos de Ribeirão e região, notei que a três vezes gloriosa Prefeitura Municipal de minha amada cidade patrocina uma ação de marketing da maionese Hellman´s que visa eleger a melhor comida de boteco, não se se de Ribeirão, região, estado ou Brasil.

Funciona assim: os pinguços de plantão experimentam e provam os aperitivos e elegem a sua preferida. É bem divertido, inclusive, além de uma delícia! Nhan Nhan Nhannnn, diz o gordinho quase simpático…  O coleguinha da cornetagem Luiz Fernando Mathias, também pinguço e corneteiro, confirmou o concurso – eu podia estar tonto demais e ter visto errado – e afirmou ainda que viu o panfleto com o apoio da prefeitura em Jurucê, distrito que é quase capital de Jardinópolis.

Pergunta o jornalista corneta e careta:

1 – Qual o relevante papel cultural para Ribeirão Preto de um concurso promovido por uma marca de maionese?

2 – Quanto será investido nessa, digamos, ação promocional?

3 – Será que não há grupos culturais na cidade que precisem mais – e façam um trabalho mais interessante para o panorama astístico da cidade – do que uma multinacional do setor alimentício?

4 – Qual o resultado que a Prefeitura espera ao apoiar eventos do gênero?

Com a resposta a exceletíssima alcadesa Dárcy Vera. É só mandar que publico.  Titio Elizer, pode confiar, é na íntegra, viu?

Campeão do Mundo de Poker da Lepidolup

Meus caros, a notícia é velha mas, já que fiquei semanas sem dar as caras, vale a pena falar. Sou CAMPEÃO MUNDIAL DE POKER do campeonato organizado pela Lepidolup!

Tá bom, não é nenhum campeonato mundial, mas sou o grande vencedor do I Circuito Pocket Aces de Texas Hold´em, evento que durou 18 etapas e teve a participação, no total, de 44 pessoas.  Além do título de Mr. Pocket Aces e da premiação em dinheiro – algo em torno de R$ 200 – ganhei o direito de disputar a Mesa Final, onde mais R$ 400 serão disputados.

A coisa foi tão disputada que, até na etapa final, três pessoas ainda tinham chance de abocanhar o título. Felizmente (pra mim) e infelizmente (pra eles), fiz uma boa etapa e cheguei à final, sacramentando o título com uma vitória no heads up contra o Pastel e acrescentando mais uma etapa vencida ao currículo. Mas isso, claro, não é nada. O que conta é a cornetagem. Fernando Mão ficou em segundo e o glorioso Bunda em terceiro.

O evento e a premiação ocorrem hoje. Espero ter fotos simpáticas para postar amanha e, quem sabe, mais um post dizendo que faturei a Mesa Final. Who Knows? Tudo pode acontecer.