Arquivo do mês: outubro 2010

Dilma (mais) e Serra (menos) mataram o Polvo Paul

Polvo Paul, o oráculo da Copa de 2010, foi pro saco. Dilma e Serra são as causas

A vida nem sempre é justa. Eis que, borboletando pela internet, tive a confirmação: o Polvo Paul, aquele que, diferente dos institutos de pesquisa brasileiros, sempre acerta suas previsões, partiu dessa para o paraíso dos polvos, onde sempre há muitas fêmeas polvinhas para a procriação e comida farta e abundante. Mas o que mais me chocou foram os motivos da morte do simpático animal, que acertou oito jogos da última copa, inclusive a final.

O Polvo Paul morreu ontem à noite pouco depois de ter sido obrigado por seus donos a escolher entre José Serra e Dilma Rousseff. Desde a Copa do Mundo Paul estava sendo poupado de suas adivinhações. Em festa para a colônia brasileira na Alemanha, os donos de Paul resolveram abrir uma exceção e deixar o Polvo fazer mais uma escolha.

Eles deixaram o Polvo assistir ao debate para ter mais base. Logo na metade do programa Paul começou a se sentir mal. O golpe fatal veio quando os donos mergulharam as fotos de Dilma e Serra no aquário. “Foi demais para ele ver aquelas criaturas horrendas. O pobre animal ficou em choque. Ele não queria nenhum dos dois”, lamentou o veterinário.

Em nota, o presidente Lula lamentou a morte do parente.

A notícia original pode ser vista AQUI

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Debate hipócrita: SIM à privatização!

É triste ver que a eleição deste ano pode ser definida por absurdos retóricos como a defesa do aborto e da privatização. Falta no Brasil a coragem para defender o que é necessário. Imagino que tanto José Serra quanto Dilma Roussef (essa mais anencéfalamente) sabem que o aborto é questão de saúde pública. E que, independente de valores pessoais – foda-se quem é a favor ou contra o tema) – toda mulher deve ter o direito a escolher. Se vai ou não fazer aborto, problema individual de cada um. Cada doido que fique com suas convicções.

A privatização é um outro caso típico. Empresa pública só serve pra uma coisa: dar cargos e dinheiro para quem está no poder mamar nas tetas gordas e fartas do governo. Por mim, privatizava-se tudo: Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e tudo o mais. Governo se intrometendo em qualquer setor é o caminho mais rápido para um único fim: merda!

Vejamos um exemplo concreto. Há dez anos, em maio de 1997, a Companhia Vale do Rio Doce (CRVD), uma das jóias da coroa do patrimônio público brasileiro, foi privatizada sob o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Houve chiadeira, lágrimas, acusações e o diabo a quatro. Mas vamos analisar os fatos.

A produção média anual da Vale quando gerida pelo Governo Federal era de 35 milhões de toneladas/ano. Em 2007, a produção será recorde: 300 milhões de toneladas/ano. Em 2010, a estimativa é que produza 400 milhões de toneladas.

Em 1997, a Vale tinha 11 mil empregados. Dez anos depois, já eram 56 mil empregados diretos. Hoje são perto de 70 mil, ou seja, quase sete vezes mais que na época que era pública. Considerando-se toda a cadeia de produção, estima-se que a Vale crie 900 mil postos de trabalho.

O valor de mercado da Vale em 1996 era de US$ 12 bilhões. Em 1996, último ano antes da venda, o lucro líquido da Vale foi de US$ 497 milhões. Atualmente, a empresa tem um valor de mercado de US$ 138 bilhões e um lucro líquido de US$ 5,8 bilhões. Em ambos os casos, a privatização tonificou os números em mais de dez vezes.

Ponto um: a privatização foi uma benção para a Vale, que passou a ser uma empresa competitiva e tornou-se a 12º maior do mundo, sendo a segunda maior mineiradora.

 Ponto dois, foi uma benção para o Brasil, que passou a ter acesso a mercados internacionais e cacifou-se como players na economia mundial.

Ponto três, foi uma maravilha para os brasileiros, que tiveram mais empregos e renda. Muito se discute sobre o valor pelo qual a empresa foi vendida.

Na época, FHC vendeu 27% das ações por R$ 3,3 bilhões. Talvez esse seja o único ponto a ser contestado. Um processo diferenciado porderia trazer mais dinheiro ao processo? Talvez. Mas, independente disso, a privatização, em si, foi uma maravilha. Ao contrário do que dizem por ai, vender a Vale só fez bem ao Brasil, aos brasileiros e à empresa. Aliás, a questão da privatização é meio cascata, já que quem manda na Vale são os fundos de pensão da Petrobras e da própria Vale.

Pra fechar: Só de imposto de renda foram 2,8 bilhões de dólares em 2009, quase 6 vezes mais do que a empresa lucrava em 1997 quando era do Estado. Ou seja, mesmo em receita gerada pro Estado, a venda da Vale foi bom negócio.

A Petrobras é outro caso parecido. Muito se falou sobre a capitação de recursos realizada pela empresa no ultimo mês. Algo em torno de R$ 150 bilhões. Mas vamos olhar para o número com mais cuidado. O governo vendeu as ações preferenciais a 26,30. Na ocasião, o valor patrimonial da Petro era algo em torno de R$ 23 por ação.

Cara, uma empresa com a solidez da Petrobrás nas mãos da iniciativa privada, tipo um Eike Batista, seria vendida a mais de R$ 200 por ação.

Duvida? Quer confirmar? Opa, é pra já.

A Petro tinha valor Patrimonial de R$ 23 por ação. O governo vendeu a R$ 26,30. A OGX tem valor patrimonial por ação de R$ 2,89. E é vendida a 22,90.

Dá pra notar a diferença entre o público e o privado? Uma empresa sólida e gigante, como a Petrobrás, vende suas ações em uma capitalização por pouco mais do que sua estrutura física vale. Uma empresa privada, do mesmo setor, infinitivamente menor, que opera em apenas parte do segmento, vende suas ações por dez vezes o que vale a sua estrutura.

O dado é simples: a lucratividade de uma empresa é inversamente proporcional à participação do governo nela. Fato. Agora imagine você se a Petrobras fosse conduzida pela iniciativa privada? Provavelmente teria atraído, por baixo, 1 trilhão de reais na sua capitalização.

É o mesmo caso das telecomunicações. Lembro quando uma linha telefônica era um investimento. Já no Plano Real, uma linha valia algo em torno de R$ 2 mil. Muita gente alugava número de telefone. Conseguir uma chamada DDD era para os fortes: além de cara pra burro, era virtualmente impossível.

Depois da privatização das Teles, houve a massificação do atendimento. Hoje, ligar uma linha não custa nada. O celular está nas mãos de todos e, embora seja um setor muito problemático, a telefonia é acessível a todos os brasileiros. Imagino o que seria do setor se ainda continuasse nas mãos do governo.

Declaração de voto

Não que isso vá interessar a alguém, mas acho interessante o posicionamento.  No primeiro turno – votei no Plínio Sampaio (PSOL) – acabei não escrevendo. Mas agora chegou a hora de desfazer essa falha.

Primeiro, cumpre dizer que essa eleição, especialmente o segundo turno, é uma tarefa inglória pra mim. Estou sendo obrigado a escolher entre o muito ruim e o péssimo.  E já tem tempo que acabo sendo obrigado a escolher entre opções que não me agradam. Mas, diz a lenda, faz parte da democracia.

Vamos à minha análise, se é que interessa para alguém.

José Serra (PSDB) é um exemplar de ditadorzinho, que não respeita muito a democracia. E que pede a cabeça de jornalistas. E que é centralizador e autoritário. O mesmo que, a frente do governo de São Paulo, não teve nenhuma iniciativa diferente ou revolucionária, apenas cuidou de gerir o Estado. Que, diga-se, vai sozinho, bastanto que os políticos não atrapalhem muito. Ou seja, foi um bom administrador, mas um líder pra lá de meia boca.

Dilma, bem, Dilma é um nada.  Como diz meu ex-chefe, Fernando Chiarelli (PDT), “é uma senhora que matava criança no Goiás” e que, graças a um absurdo da democracia, concorre ao cargo mais importante da República sem a menor tarimba ou experiência. É tipo um Maguila lutando contra o Tyson, uma equipe de bairro jogando a primeira divisão. Pior que isso, ela reune tudo de ruim que Lula tem – o PT, os amigos e as picaretagens, mas não esboça nenhuma das qualidades do presidente atual do Brasil.

Veja bem, em Lula reconheço o imenso carisma e o mérito de ter dado continuidade ao excelente trabalho feito por FHC. Sem ousar, conduziu bem o que o antecessor deixou, a herança bendita, e soube equilibrar a coisa com um investimento, ainda que assistencialista, no social. Melhor ainda, deu um rabo desgraçado e pegou sete anos, dos oito, de intenso crescimento economico mundial.

Dilma é um balão de ensaio. Uma mulher sem carisma, sem beleza e sem competência. Tudo em que se envolveu deu merda. A gestão energética do Brasil foi pras cucuias com ela. Enfim, ao contrário do que a propaganda oficial quer vender, ela é uma incompetente de mão cheia. Sem gestão e sem noção, diga-se de passagem.

Pessoalmente, aposto que o Brasil tem pouco a ganhar nesta eleição, seja qual for o resultado. Se eleita, Dilma não terminará seu governo. Sem a maestria política de Lula e o alto carisma do líder sindical, ela não vai resistir aos primeiros escândalos. Já deu prova mais que suficiente que é fraca. Corre o risco concreto de deixar o Brasil nas mãos de Michel Temer (PMDB). Isso será mais que suficiente para fazer com que o PT não volte ao poder nos próximos, sei lá, 20 anos.

Se Serra ganha, teremos um presidente mais competente, mas tão autoritário quanto. O PSDB já deu mostras também, em São Paulo e no Brasil, que tem sua patota e que a divisão política da administração pública, ainda que seja levemente menor, continuará firme e forte.

Enfim, esse é o cenário e essa é a minha análise.

Fico com a segunda opção e voto Serra. Mas não estou exatamente feliz por isso.

Grupo Cascata de Notícias no buraco

Para efeitos processuais, já declaro que esse post é uma obra de ficção, e que não há qualquer referência, velada ou não, a qualquer personagem, vivo ou morto, da história de Franca.  Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais terá sido mera coincidência

Agora sim, vamos aos fatos. Ou melhor, à prosa.

Palavra que eu estou assustado. Chegou às minhas mãos uma documentação interessantíssima que diz respeito à condição financeira de um prestigioso grupo de comunicação francano que se intitula o maior da cidade, do interior e, porque não, do universo.

Rapaz, palavra que eu sabia que a coisa estava ruim, mas não tanto. Só em uma determinada pendenga judicial o referido Grupo Grande Cascata em Notícias terá que botar a mão no bolso e desembolsar mais de R$ 2,5 milhões.

Engraçado que esse foi o primeiro negócio que o magnata do grupo envolveu-se pessoalmente. E o valor pago pela rád…ops, pela empresa adquirida, algo em torno de 3 vezes o valor de mercado na época, basta para mostrar o perfil apurado do pequeno pimpolho para os negócios.

Mas isso é, de longe, o menos grave. Parece que esses R$ 2,5 milhões são a ponta o iceberg. Isso diz a Receita Federal, a quem agradeço por expedir os documentos simpáticos e milionários que tenho em mãos.

O pai do atual mandatário, é fato, deixou uma espetacular quantia em dinheiro, brasileiro ou estrangeiro, suficiente para manter a imprudência do bebê por décadas. Mas o tamanho do rombo e o naipe das cagadas pode fazer o leite secar antes.

Será? Olha, eu tinha certeza que a falência demoraria pelo menos mais 20 anos. Pela primeira vez, tive dúvidas ao ver o valor da brincadeira… acho que é coisa pra mais já, como diz o caipira. Veremos$$$.

Libélula tresloucada

 Acontece que a, digamos, borboletinha, que não conhece a imprensa séria e imagina que todos têm que curvarem-se ao ribombar de suas cintilantes asas, deu agora – sem maldade, no bom sentido – para impedir que a imprensa fale com determinados servidores públicos, especialmente na área da Saúde.

Exige a libélula que as entrevistas sejam monitoradas e que as perguntas só sejam respondidas depois de averiguado o potencial revelador de podres. E que todas as entrevistas, pelo menos com a parte séria da imprensa, aquela que não se vende nem lambe-lhe as botas, precisam ser acompanhadas – ou seria censuradas – por pessoal dele.. Lindo, não?

Felizmente o governo rosa dura dois anos e depois irá se esvair nas sombras de onde nunca deveria ter saido. Será lindo ver a libélula, um primor de incompetência, vagar pelo infinito mar do desemprego, já que as tetas públicas às quais sempre se agarrou irão secar-lhe o leite.

Há nos corredores do Palácio do Rio Branco, uma libélula louca. Conta a lenda que, tresloucada, a simpática mariposa ganhou nova ocupação: telefonar para sede de empresas jornalísticas e pedir a cabeça de repórteres combativos. Não, não falo de mim. A mania pegou e qualquer matéria menos acéfala é motivo para o bater de asas da singela borboleta, que é duplamente rosa: por opção e subserviência.

Saudades

Nem é hora, nem lugar, nem momento, mas ainda assim teimo em escrever. Por volta de uma da manhã do último sábado, o mundo perdeu. Não apenas eu, que nada sou e nada serei. Mas deixou de existir um exemplo de honradez, de virtude.  Um homem raro.

A começar pelo nome:  Zualdo. Morreu Zualdo Antonio Schiavoni, aos 85 anos, meu avô paterno. Mais que isso, homem íntegro e reto como nunca serei. Nem tenho a capacidade e a pretensão de o ser. E, acredito, como poucos são.

Depois de uma década e meia lutando contra o câncer, enfraquecido por uma dengue – prefeita rosa, ficará pra sempre marcada, pra mim, como a mulher que, por sua omissão, precipitou os acontecimentos – acabou não resistindo a um período de internação de 20 dias.

Engraçado que meu avô, de quem herdei as poucas qualidades morais que me impedem de ser um bandido, também era especialista na arte de cornetar. Não com a mesma maldade que eu, mas talvez com a mesma competência. Nunca para prejudicar, sempre para ajudar.

Sistemático, tinha horror a Lula e ao PT. Mesmo internado, lamentava-se por não poder votar em José Serra para “impedir que aquele sapo barbudo filho da puta” continuasse no poder. No auge da expectiva de deixar o hospital, durante a internação, disse ainda que morrer teria um lado bom: não ver a Dilma presidente. Ficou feliz com o segundo turno, mas não teve tempo de votar.

Imagens e momentos que vivi com ele nunca saíram da memória, nem sairão. Foi a pessoa mais importante na minha formação. Lembro com lágrimas nos olhos as primeiras lições. Ensinou-me a ler quando tinha cinco anos. Graças a ele, entrei na primeira série, com sete anos, já sabendo ler e escrever. Até somar e diminuir.

Na cartilha Caminho Suave, que ele mesmo comprou, aquele homem, ele mesmo com estudos até a quarta série, ensinou os netos, um a um, a contar, ler e escrever. Dos cinco netos que teve, fez isso com quatro. Apenas um, por ter menos contato, não aprendeu na cartilha dele. E, nos ínfimos dois anos que teve ao lado do meu filho, ajudou que ele aprendesse a contar até 10 e reconhecesse as cores.

Difícil dizer o que ele não me ensinou. Além de ler e escrever, é com ele que tive as primeiras pescarias. E as mais prazerosas. Era um exímio pescador, insistente na medida certa. Quando estava na beira do rio, sequer parava para almoçar. Também foi ele quem me ensinou os prazeres do truco. Isso para ficar apenas no menos importante.

Adorava me cornetar. Nos últimos tempos, deu pra pegar no pé por conta das minhas partidas de pôker. E eu, que sempre adorei uma cornetada, fazia questão de jogar alguma partida de baixo valor no laptop enquanto falava com ele. Só para descontrair.

Tinha orgulho dos netos. Da minha irmã, que é doutoranda da USP. De mim, o primeiro dos netos a entrar na faculdade e o primeiro em muitas coisas. Criou três filhos, ajudou, inclusive financeiramente, a todos, e também aos netos. Fico feliz que tenha conhecido meu filho.

Ainda no sábado, perdido, dirigindo de volta pra casa como um autômato, uma coisa me chamou a atenção. Eu, que não tenho mais o dom de acreditar, fui surpreendido pelo Gabriel, no banco de trás, em sua cadeirinha. Meu filho disse: “A mula preta, vovô”. Era a música com a qual meu velho ninava meu filho. Olhei para trás e vi um sorriso no rosto dele.

Nem três minutos depois, adormeceu, ainda sorrindo. E, antes de dormir, disse “Tchau, vovô”. Thaisa, minha mulher, com lágrimas nos olhos, me chamou a atenção para o fato. Sem querer demonstrar a saudade que doía no peito, resmunguei alguma coisa ininteligível, algo como “cascata” e, com o peito apertado, cheguei em casa.

Chorei a noite, sozinho, depois que todos dormiram. Queria sentir, ver, tocar o velho. Infiel que sou, consegui apenas lembrar.