Arquivo do mês: dezembro 2010

Sobre valores, posturas e jornalismo

Jornalistas de Ribeirão Preto, que classe de merda, hein? Que bando de bostas! Dá nojo de ser dessa cidade e ver tanto nego meia boca exercendo a profissão. Negos e negas sem colhões. Será que o emprego é tão importante que supere os valores éticos? Será que ninguém percebe que, aceitando a farra dos donos de jornais e patrões, aceitando e se sujeitando a pressões políticas, só estamos fodendo a nossa própria vida?

 E ai, Sindicato de Merda, que não sabe de nada, não diz nada, não faz nada, será que não é hora de agir? Até quando se aceitará esse tipo de ingerência na profissão? Que tal parar de vender carteirinha da Fenaj e atuar de verdade pelo jornalismo de Ribeirão?

Eu fui o primeiro e avisei, naquela ocasião, que não seria o único. Foda-se o que pensam de mim, o que acham sobre meu comportamento profissional e, principalmente, os babacas que não batem com a minha fuça e, a pretexto disso, até comemoraram minha demissão, ocorrida a mando da prefeita de Ribeirão, Darcy Vera (DEM), infelizmente uma política canalha, das mais canalhas que essa cidade pródiga em picaretas já produziu.

Aliás, da mesma forma como alguns – acho que a minoria – não seguraram as línguas nervosas contra mim naquela época, já houve um ou dois que vieram, com seu veneno de cobra, cornetar o Rossit e a Maria Fernanda. Como se eles fossem os culpados por essa situação patética. Façam-me o favor…

Quando fui sumariamente demitido do A Cidade, esperava, do fundo do coração, a união da classe. Não por mim, que posso até ser um grande babaca, mas pela profissão. Não se atentaram os idiotas corneteiros e adoradores do mal feito que eu era apenas o primeiro e que, consumada a demissão minha, qualquer um que tentasse fugir um pouco da linha que a Prefeita estipulasse correria perigo de ter destino semelhante.

E o que profetizei, infelizmente, tornou-se verdade. Ameaças a profissionais, veladas ou descaradas, são a regra hoje. Perguntem a qualquer repórter mais combativo se ele já não ouviu a frase “Vou ter que falar com o Silvino”, “Vou ter que falar com o Boni” ou “Vou ter que falar com o Eduardo” ou, recentemente, “Vou falar na Barão de Limeira”. Eu conheço PELO MENOS três que já me contaram a mesma história, com o mesmo enredo e os mesmos personagens.

Pois bem. A coisa chegou a um ponto ainda mais crítico nesta semana. Não é o babaca do Schiavoni, esse idiota que só fala e faz merda. Nem é o Linconl Fernandes, que trabalha com o Rafael Silva. Nem a Maria Carolina, foca sangue nos zóio que tem incomodado a prefeita rosa e sua corja canalha. A bola da vez, infelizmente, é Mário Rossit, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, dono de uma carreira irreparável, ética e correta. Um dos melhores chefes com os quais tive o prazer de conviver, que comprava as brigas de sua redação e, sempre baseado na Justiça, fazia questão de impor o jornalismo.

Atesto isso pessoalmente, já que a Dárcy, com esse amor ou tara que tem por mim, ligou em uma série de veículos nos quais trabalhei ou fiz freelas para “gentilmente” sugirir que eu, digamos, era um empecilho para acordos comerciais mais interessantes com a Prefeitura. Isso incluia a Gazeta onde eu, como um mero freela, sem vinculo, fui mantido por Rossit após pressão intensa dela.  Na ocasião, já havia dado término do frila como um fato consumado.  Mas Rossit me surpreendeu e, com muito sacrificio – inclusive pra ele, sei disso – conseguiu manter as coisas. Ganhou ainda mais respeito e admiração da minha parte, fato que se confirmou ao perceber que essa era a forma de agir dele com todos na sua equipe.

Pois bem, digressão feita, Mario Rossit foi demitido da Gazeta de Ribeirão. Dizem, com muita comemoração no Palácio do Rio Branco, a quem a cabeça teria sido entregue em uma bandeja de prata e no próprio comercial do Jornal, já que, profissional sério que é, não aceitava ingerências.

Agora vamos parar de alegoria e falar sério, sem medo de processos: A Darcy pediu, e conseguiu, mais uma cabeça.

A propósito, Dárcy, pare de tentar me ameaçar com processos. Já tentou umas, sei lá, oito? Nove? Vezes e não deu certo.

O que ninguém parece perceber – ou, se percebe, faz questão de não se manifestar – é que, tal como os nazistas antes da segunda guerra, esse tipo de cobardia e absurdo que a prefeita rosa faz só é possível graças à nossa omissão. Como diz o filósofo, vieram buscar os judeus, e eu me calei. Vieram buscar os gays, e eu me calei. Vieram buscar os negros, e eu me calei. Quando vieram me buscar, ninguém gritou por mim.

E assim está sendo em Ribeirão. Preocupado com os salários de fome que ganham, com os empregos malditos que possuem, com os filhos que têm para criar ou, sei lá, com as carreiras medíocres que começaram a traçar, todos estão quietos, todos estão engolindo seco, todos estão vendo a profissão ser aviltada e ninguém move uma palha em defesa de quem é perseguido. Se não for por solidariedade ao profissional, ao menos que seja pela profissão.  Ou tenham a certeza que, quando chegar a sua vez, por qualquer motivo, ninguém fará nada.

Digo e repito: ou o jornalismo em Ribeirão dá um basta nesse absurdo, ou fazer jornalismo tornar-se-á atividade de risco e impossível de ser realizada na cidade, ao menos quando o assunto for de interesse do Palácio do Rio Branco.

O morte lenta do jornalismo em RP – Mais uma demissão absurda

Esta quarta-feira foi, para mim, um dia de luto. Posso dizer que morreu dentro de mim um pouco mais do jornalismo. Apesar de amar minha profissão e não me ver fazendo outra coisa exceto jogando pôker, talvez – o pouco de fé que ainda tinha foi por água abaixo.

Explico: Mário Rossit, jornalista competente com quem tive o prazer de trabalhar, por alguns meses, na Gazeta de Ribeirão, foi demitido, sem muitas explicações, do cargo de Editor Chefe da Gazeta de Ribeirão, onde era trabalhou nos últimos anos. Vencedor de um Prêmio Esso, Rossit foi sem dúvida um dos mais competentes com quem convivi e um dos chefes mais corretos que conheci. Defendia sempre seus repórteres, segurava as broncas e sempre foi extremamente leal com o seus comandados. Na mesma esteira também foi demitida Maria Fernanda, mulher do Rossit e que desempenhava o papel de pauteira do jornal.

Por sinal, Maria Fernanda, também competente, foi a melhor pauteira com quem já trabalhei. Poucas pessoas cumprem tão bem o papel de cobrar e estimular a redação.

Demissões são normais no jornalismo. Mas não essas. Quando ocorrem por ingerência política, a coisa começa a complicar. E, até onde me consta, houve muita comemoração no gabinete da prefeita de Ribeirão. E também em alguns setores da Rede Anhanguera de Comunicação, rede que mantém o jornal.

Mais um absurdo perpretrado contra o jornalismo em Ribeirão. Mais um dos muitos que tem ocorrido nos últimos anos. Preciso dizer mais? Acho que todos sabemos os motivos da saída. Fica só minha solidariedade ao casal e a indignação contra a atitude de todos os demais envolvidos nessa pantomina macabra.

Não sei como as coisas devem ficar por lá agora. Pelo que fiquei sabendo, Luiz Fernando Manzoli, editor assistente, deve ocupar a vaga – mas não o lugar – de Rossit. Confesso que é uma pena. Esperava outra atitude. Não só dele como de muitos profissionais. Penso também que os repórteres com o mínimo de dignidade irão sair, se não imediatamente assim que possível. Imagino muitas mudanças na Gazeta nos próximos, sei lá, seis meses. Para esses, inclusive, será uma excelente oportunidade, já que, profissionais gabaritados que são, Rossit e Maria Fernanda logo logo estarão na ativa e abrirão portas.

Acho que sou meio saudosista de uma época que não vivi. Época no qual os grandes jornalistas não tinham medo de defender sua honra e sua postura ainda que isso custasse seu emprego. Ainda que houvesse família pra criar. Cheguei a trabalhar com alguns desses profissionais, verdadeiros bichos em extinção. Acho que eu mesmo sou um pouco assim. Mas infelizmente somos raros.

A maior indignação, porém, é com os colegas. Posso perdoar tudo, de ingenuidade a picaretagem. Mas não a omissão.