Arquivo do mês: janeiro 2011

Bons ventos na Folha Ribeirão

Primeiro de tudo, preciso dizer que sou um fã do estilo Folha de fazer jornalismo. Desde moleque, com meus oito, nove anos, leio o jornal. Meu tio Pedro Adilson é assinante e, como ele morava com meu avô, que eu visitava praticamente todo dia, acabei crescendo sob e batuta da Folha. Como sempre adorei ler, destrinchava o jornal inteiro, bagunçando-o por completo. Gostava de levar o jornal para a banheira, onde lia, bem folgadão, as notícias. E, invariavelmente, molhava o jornal, pois sempre fui lambão.

Cansei de levar artigos para as aulas de Geografia para discutir temas que o jornal abordava. Desde moleque, adorava as crônicas do Cony e os textos da Catanhedê e do Rossi. Acompanhei a criação da Folha Nordeste SP, que depois virou Folha Ribeirão. E sempre fui um fã do trabalho da Eliane Silva. Trabalho que, por sinal, ajudou a fazer com que escolhesse a carreira de jornalista. Tive a chance de dizer isso a ela, inclusive, em um processo de seleção para a Folha Ribeirão que participei.

Pois bem, cresci com a Folha e cresci lendo a Folha Ribeirão. Na faculdade, aquele fase de indefinições, era um dos poucos que tinha definido o que queria: escrever para jornal impresso, ser repórter de Política e trabalhar na Folha Ribeirão. Evandro Spinelli e Rogério Pagnam, que por lá passaram, foram dois de meus verdadeiros ídolos. A Eliane, de quem sempre ouvia histórias, também era grande referência.

Feliz ou infelizmente, as coisas mudam e não pude realizar completamente esse sonho – quando eu quis, a Folha não quis; quando a Folha quis, eu não pude. Mas voltemos ao foco.

Depois de comandar a Folha Ribeirão nos primeiros quatro anos de sua criação – de 1992 a 1996, se não me engano, Eliane voltou ao caderno no começo do milênio e comandou a redação por sete anos, até 2010, quando foi dispensada pela Folha – a versão oficial fala em corte de gastos. Pessoalmente, independente das causas, acho que se poderia pensar em uma forma diferente de organizar a saída. Mas enfim, quem sou eu….

Fã que sou do jornalismo que a Folha sempre fez, e do trabalho que a Eliane fez na Folha Ribeirão, não posso deixar de comentar a chegada do grande Eblak, com quem nunca trabalhei mas muito conheci graças a amigos em comum. Contato mesmo, pessoal, com ele tive muito pouco. Fui aluno em uma aula de pós graduação e o utilizei, enquanto professor de comunicação que é, como fonte em algumas matérias, por telefone.

Sei, porém, que ele faz a linha investigativa, tem faro para a notícia e não se importa muito em ir a fundo para buscar picaretagens. E me parece que a Folha Ribeirão estava precisando desse ar fresco.

Não tenho acompanhado todos os dias a edição impressão do jornal. Em Franca, tenho menos acesso. Mas vez ou outra leio e, sempre que vou a Ribeirão, leio o jornal todo. E o nível das matérias que a Folha tem publicado cacetando a administração pública e picareta de Ribeirão subiu bastante nos últimos tempos.

Não são matérias brilhantes, maravilhosas, espetaculares. Mas são muito, muito, mas muiiiito melhores que a média da imprensa de Ribeirão sobre o tema administração pública e política.

Não conheço todos os repórteres da Folha pessoalmente, mas conheço uma boa parte. E, os que não conheço diretamente, conheço através de amigos e do trabalho. Posso dizer que, embora a média de jornalismo em Ribeirão seja triste e pobre, a equipe da Folha tem bons valores. Nenhum repórter espetacular, mas alguns bons repórteres e outros repórteres em formação, com futuro forte pela frente.

A matéria sobre a picaretagem da tia Dárcy sobre os gastos com publicidade, anunciando obras que sequer foram licitadas, especialmente lavou minha alma. Venho dizendo isso há meses e, quando vejo uma matéria e não posso publicar – nesse caso, estou sem veículo – ser feita, especialmente sobre temas que eu costumeiramente escrevo, sinto um tesão grande demais. E tive esse tesão. O Araripe – que não conheço pessoalmente, só por telefone, algumas vezes como colega e outras como fonte – fez exatamente o que eu faria. Basicamente, chamou a tia Rosa de mentirosa e cascateira na cara dura. E, como não houve contestação nem resposta, fica valendo o que o jornal disse.

Aliás, MP, seria uma boa se coçar nesse caso. Ou político pode fazer propaganda enganosa na televisão e ficar por isso mesmo? Impressão minha ou temos a matéria prima de um crime aqui?

A matéria do aumento das favelas também é uma bolacha na administração fanfarrona. E são apenas exemplos: sinto que o noticiário do jornal passou de uma certa pasmaceira e acomodação a uma visão mais crítica dessa administração, fazendo o que todo bom órgão de comunicação deve fazer: cornetar, com vontade e propriedade, as picaretagens da turma de plantão.

De toda forma, desejo toda sorte do mundo ao Eblak nessa volta dele a Ribeirão. Excelente profissional que é, tem tudo para fazer um excelente trabalho, da mesma forma como a Eliane fez em seus 12 anos comandando a Folha Ribeirão.

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Sobre tragédias e políticos sem colhões

Definitivamente, não sou um bom telespectador para matérias emocionais que contam sobre momentos de tragédia causados pelas chuvas. A mim, feliz ou infelizmente, não impressionam momentos de heroísmo ou a imagem de dezenas de corpos sendo retirado de algum dos muquifos cobertos pela terra que desce das encostas. Explico.

Essas não são tragédias. Embora disparadas por acontecimentos naturais, são planamente evitáveis. Não são como tsumanis, terremotos incêndios, que acontecem, muita vez, de forma inesperada.

Por mais que entenda o drama humano envolvido em tais situações, como diria Nelson Rodrigues, trata-se da crônica de uma tragédia anunciada. Vem cá, qualquer idiota, por mais idiota que seja, sabe que, se chover, há deslizamento no morro. Qualquer idiota sabe também que, se tiver a brilhante idéia de construir uma casa em um desses morros, existe a chance concreta (perdão pelo trocadalho do carrilho) tudo vir abaixo em um segundo de fúria das chuvas.

Oras, a equação está feita. Pra que, então, construir em área de risco?

Não venham dizer que é a falta de opção, que muitos não têm outra possibilidade, que é o único lugar disponível, etc etc etc. Isso ameniza, mas não justifica. A idéia de ocupar uma área que tem alta chance de desmoronar continua sendo tremendamente idiota, ainda que não exista outro lugar para construir.

A verdade é que, nesse jogo macabro, os moradores têm tanta culpa quanto as autoridades, que permitem as construções irregulares. Sim, porque, pra mim, permitir é praticamente o mesmo que não retirar os invasores enquanto é tempo. Se fosse eu a autoridade competente, independente das perdas eleitorais que a ação causaria, mandava a polícia por abaixo, a cacetete, qualquer início de obra irregular em local impróprio. É preciso ser enérgico para evitar tragédias como essa que acontece.

Isso sem falar, claro, na incapacidade latente das autoridades, que poderiam minorar, e muito, a situação se dispusessem de inteligência suficiente para avisar a população sobre as possíveis condições adversas do clima. Mas essa é outra história.

Pra não dizer que não falei de flores, o problema de Ribeirão é, há décadas que está sendo (mal) finalizado pela atual administração, irá minorar, mas não resolver o problema, o mesmo quando o assunto é enchentes. O plano de drenagem, feito pelo Gasparini e (mal) executado pela atual administração, ira minorar, mas não resolver, o problema. A coisa só vai começar a mudar quanto tiver um(a) chefe de Executivo com colhões para enfrentar a coisa de frente. E o primeiro passo é desocupar, sem choro nem vela, as áreas na Álvaro de Lima, na Vila Vírginia, e acabar com a vergonha chamada favela do Brejo, a meu ver os pontos mais críticos de enchentes na cidade.

Não que o povo que mora nessas áreas não tenha sua responsabilidade. Existia uma senhora que morava na Vila Virgínia que vivia perdendo tudo, há décadas, nas enchentes. Pelo menos uma vez por ano ela, que já era figurinha fácil na agenda de jornalistas, tinha estragos a mostrar. Se ela perdia tudo, todo ano, com as enchentes, uma coisa fica clara: ela não deveria (por vontade própria) morar naquele lugar. E a prefeitura, por obrigação, não deveria permitir que ela ali permanecesse.

Algumas atitudes são simples, mas acabam não sendo colocadas em prática para evitar problemas. O político enérgico, mais sério e preocupado com o bem das pessoas, têm o dever de impedir a ocupação irregular de áreas suscetíveis a enchentes e desmoronamentos. Para preservar votos, a imensa maioria fecha os olhos e deixa o pau moer. Curioso é que esses mesmos bastardos, que se escondem atrás da leniência torpe, são os mesmos que, em dias de chuva e tragédia, se apressam em colocar sua botinhas – no caso de Ribeirão, rosas – preparar seus discursos capengas e emocionados para recolher, via de regra, os corpos que eles mesmos ajudaram a plantar.

Na boa, estou cansado, profundamente cansado, dessa mediocridade de quem nada faz pra evitar os problemas e depois apressasse em dar condolências às vítimas que ajudou a criar.

Resumindo – acho que já escrevi até demais – em meus princípios estão profundamente arraigados dois conceitos que dificilmente conseguirei esquecer. O mais forte deles, que aprendi com o homem mais sábio que conheci, meu avô Zualdo, diz que somos responsáveis por tudo que nos acontece, de bom ou de mal. Se escolhemos construir nossa casa na encosta do morro e lá morar, temos que saber que, se ele cair, a responsabilidade maior pela morte de nossa família, quando tudo desabar, será nossa.

Por último e não menos importante, é preciso lembrar que aquele que escolheu a missão de administrar não pode se furtar às responsabilidades que assumiu, embora muitas vezes sejam elas um fardo. A leniência é o primeiro passo para a tragédia. Assumir responsabilidades não é só prantear os mortos, mas sim impedir, às vezes contra a própria vontade delas, que as pessoas tomem atitudes idiotas, que colocarão sua própria existência em risco.

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 22,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 5 navios.

Em 2010, escreveu 157 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 278 artigos. Fez upload de 59 imagens, ocupando um total de 8mb. Isso equivale a cerca de 1 imagens por semana.

The busiest day of the year was 16 de dezembro with 251 views. The most popular post that day was O morte lenta do jornalismo em RP – Mais uma demissão absurda.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram google.com.br, twitter.com, flitparalisante.wordpress.com, orkut.com.br e search.conduit.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por o alienista, blog do schiavoni, blog schiavoni, resenha o alienista e neymar

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

O morte lenta do jornalismo em RP – Mais uma demissão absurda dezembro, 2010
1 comentário

2

Resenha – O Alienista novembro, 2009
1 comentário

3

CARTA ABERTA A PREFEITA DARCY VERA DE RIBEIRÃO PRETO – Márcio Francisco maio, 2010
13 comentários

4

Sobre maio, 2009

5

Lei da Ficha Limpa impedirá candidaturas de Dárcy, Gasparini, Baleia e quase meia Câmara maio, 2010
16 comentários