Arquivo do dia: junho 11, 2011

Minha estréia em cash games

Ontem, meus amigos, foi um dia diferente. Depois de muito ensaiar, estreei em uma modalidade diferente do poker: o cash game. Foi uma experiência interessante. Eis como rolou:

A II etapa do Circuito Pocket Aces terminou por volta das 2h30 desta sexta. Fiquei de levar o glorioso Maguila em casa, na Vila Carvalho, mais ou menos algumas léguas depois de onde Judas perdeu as botas. Cai em quarto no torneio e tive que esperar o Abusado, que também estava de carona comigo.

Este escriba que vos fala durante a segunda edição do RPT - novas experiências, arrasando no cash

Como sai no zero a zero, ainda estava com vontade de jogar. Lembrei então do LOL Clube, uma casa onde o forte é o ring game, ou seja, jogos a dinheiro. Eu só tinha jogado ring game pelo computador, e mesmo assim muito pouco. Prefiro torneios, inclusive porque os jogos a dinheiro são, digamos, um pouco mais complicados. Mas de algum tempo estava a fim de experimentar e ontem pareceu um bom dia.

O Maguila, que estava com sono, não quis ir. Ele não jogaria, de toda forma, e preferiu ir pra casa. Peguei o caminho – longooooo – e a ideia já deixou a cabeça. Deixei o menino em casa e, quando seguia para deixar o Abusado, ele soltou a frase que mudaria nossa noite:

Sei que já estou quase em casa, mas não rola lá no LOL?

Opa! Claro que rola! E fomos nós

Chegamos lá por volta das 3h. O Abusado tinha puxado um prêmio de R$ 80 e estava disposto a investir até R$ 50 no jogo. Esse valor era o mesmo que eu queria investir. Se perdêssemos, bye bye, vamos pra casa. O que viesse, era lucro.

Acontece que a mesa mais barata da casa, onde os pingos eram de 1 / 2 reais, exigia uma entrada mínima de R$ 100 na mesa. Firmou-se a dúvida.

Minha primeira proposta foi jogarmos de sócios. Com 50 de cada, o Abusado jogaria e nós racharíamos o lucro. Depois, se sobrasse grana, eu jogaria no fim da noite. O Abusado insistiu para que jogássemos os dois.

Pensei que eu ainda tinha um bom dinheiro do poker disponível para jogar. Como ganhei basicamente três vezes mais do que investi, tenho alguma reserva. Não suficiente para jogar regularmente nesse nível, mas adequada para um jogo. Se perdesse, ainda disporia de um bom montante de lucro para jogar.

Meu sistema funciona assim: em um determinado mês, somo tudo que ganhei com o poker e subtraio o que gastei. O que sobra – meu lucro – eu divido em três partes. A primeira delas eu utilizo para aumentar meu capital de giro no poker. Defini que irei investir, por mês, até R$ 150 mensais no esporte. Essa primeira terça parte, portanto, faz com que eu possa jogar mais dinheiro por mês, com o dinheiro do lucro. Também ajuda a pagar o buy in de torneios mais caros, se for o caso. Hoje, por exemplo, disponho de um bankroll de R$ 500 para jogar.

A segunda terça parte eu coloco em uma poupança. É meu dinheiro do poker, que vai ficar aplicado até o fim do ano para ver quanto o esporte me rendeu no ano. Em última análise, posso usar essa grana para financiar jogos de poker, embora evite fazê-lo ao máximo. Até hoje, nunca precisei utilizar. São, por enquanto, outros R$ 500 aplicados.

A terceira parte, por fim, eu utilizo para o dia a dia, geralmente em coisas que não possuem relação com o poker. Pode ser desde uma pizza até o pagamento da mensalidade da creche do meu filho, enfim, vai para usos gerais.

Isto posto, a ideia de jogar o cash me tentou. A ideia de ter que tocar na poupança que abri para depositar os lucros do poker não me era muito agradável, mas a cartada final veio porque, além de parte do dinheiro dos  prêmios, que estão aplicados, defini queo meu bankroll, de R$ 500, poderia sofrer uma baixa de R$ 100 sem comprometer meus jogos do mês. Assim sendo, resolvi encarar.

Pegamos as fichas e fomos para a mesa.

Na segunda mão que participamos, o Abusado fez uma das suas. A intenção era jogar o mais tight possível, escolher boas mãos e jogar forte, para extrair fichas. Nós dois nos daríamos por satisfeitos se conseguíssemos sair com mais do que entramos, mesmo que fossem poucos reais. E nosso stack inicial, muito menor que o do restante da mesa, não permitia que pagássemos para ver com mãos especulativas. Era ir forte com mãos boas. Depois, com mais fichas, poderíamos até rever o jogo.

Eis que Abusado sai com um par de 5 e entra de limp, investindo R$ 2. Outras 5 pessoas o acompanham na empreitada. O flop vem do capeta: 666. Isso dava ao Abusado um full house, mão respeitável e suficiente para sustentar uma aposta.

Todo pimpão, ele beta R$ 15 em um pote que tinha R$ 12. Todos foldam até o Tiaguinho, que trabalha com o Bruno no Amigos do Poker. E é ai que entra o poder de falação do Abusado. Vamos a uma pausa.

No nosso torneio, o Abusado se envolveu em algumas disputas com o Tiaguinho. Acabou inclusive eliminando o guri do torneio. No estilo fanfarrão dele, fez uns calls insanos em cima do Tiago, levou algumas mãos improváveis. Tiaguinho caiu na falação e disse que iria testar até onde o Abusado tinha peito para os calls absurdos, e passou a pressionar. Quando Tiaguinho foi eliminado, a frase geral, na mesa, foi: Eu acho que o peito do Abusado era maior que o seu jogo. E gargalhadas.

Pausa feita, era esse mesmo Tiaguinho que havia chamado a aposta.

O flop vem com J. E Abusado, crente que tinha a melhor mão, dispara outros R$ 25. Nessa altura, ele tinha R$ 58 em fichas, mais que suficientes para continuar no jogo caso sentisse resistência. Mas o Tiaguinho só pagou de novo. E o river veio outro J, uma carta complicada.

Rezei para o Abusado dar mesa. Tiaguinho chamou duas apostas. Então, de dias, uma: ou ele achava que o Abusado estava no blefe, ou estava melhor que ele. Eu imaginei a segunda opção. E o J era especialmente ruim para o Abusado, porque a mesa fez um full house maior que o dele. O par de cinco na mão dele de nada valia. Ou se dividia o pote – melhor das hipóteses, levando em conta as cartas – ou o Abusado tentava roubar.

E, como era o Abusado, foi o que ele tentou fazer.

Sem pensar, ele disparou suas fichas restantes. Foi instantaneamente pago pelo Tiaguinho, que mostrou um 6. O menino estava com uma quadra, o segundo maior jogo do poker. Mesmo no flop, quando tinha um full, Abusado já estava morto na mão.

A aventura do menino durou DUAS mãos, e lá se foram os R$ 100. Conversei com ele na volta e conclui que, se jogasse a mão no lugar dele, provavelmente teria apostado só até o turn e acabaria largando a mão. Talvez fizesse a aposta do turn, mas definitivamente não iria all in no river. Anyway, foram-se as fichas dele.
Agora era comigo.

Foldei uma série de mãos medianas até que recebi um AQ. Fiz um aumento padrão de 3 Big Blinds, até quando um senhor, que estava mamado, mandou um all in de 15. Paguei e fui acompanhado por mais 2. O flop veio ruim: duas cartas baixas e um rei.

Como tinha foldado muitas mãos e a mesa não tinha uma imagem de mim, mas poderia presumir que eu era conservador, optei por uma aposta forte e mandei R$ 35. Simulei um AK, que era muito condizente com minha postura e minha forma de jogar.Todos foldaram e, na hora de abrir as cartas, o senhor bêbado não tinha nada também. Nada bateu, pra nenhum dos dois, e eu puxei um respeitável pote de mais de R$ 50. Foi muito legal levar minha primeira mão no cash. Dei R$ 2 de gorjeta, inclusive, para o dealer e achei o máximo…rs

Confesso que pensei em sair da mesa. Mas fui jogando.

Pouco depois, outra AQ. O flop veio baixo, com um J, e paguei sucessivas apostas de um jogador jovem. Não devia ter pago, mas imaginei que, se batesse, eu levaria um pote grande. No fim das contas, ele tinha um par de mão de 9. nada bateu e fiquei reduzido a R$ 120.

Pouco depois, puxei um pote decente contra o Tiaguinho, aumentando meu stack para R$ 140. Pouco depois, sai com um par de K e levei outro pote, de R$ 50, contra um jogador que tinha um par de 9. Joguei as duas mãos muito bem, mas, no caso do KK, poderia ter extraido mais uns 25 reais dele. Optei por não betar no river com medo de dois pares.

Levei ainda uma outra mão, com K5, quando bateu meu K no flop e, em um pote de 20 reais, apostei oito.

Entrei de limp em algumas outras mãos, mas não joguei efetivamente nenhuma mais. E assim foi minha participação, ao longo de duas horas, no meu primeiro cash game. No total, sai da mesa com R$ 198, praticamente o dobro do que entrei.

Pior que, como tinhamos combinados de jogar de parceiros, o Abusado teve a cara de pau de me cobrar R$ 50 conto dos lucros. Coloquei a grana na carteira e disse que, na próxima, eu pagava os R$ 50 e entrava de sócio com ele. Pode?

Mas enfim, tudo posto, confesso que fiquei tentado a jogar de novo. Talvez com limites menores.

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II Etapa do Circuito Pocket Aces

Na gloriosa segunda etapa do Circuito Pocket Aces de Texas Holde´m,  tivemos a não menos gloriosa participação de 12 afortunados, que fizeram um total de 25 rebuys. Foram ainda 12 entradas e 10 add ons,  perfazendo uma arrecadação total que ficou nos R$ 285.

Nessa etapa, pagamos um rake de R$ 30 para a casa que gentilmente sedia nossas baralhadas. Outros R$ 25 foram destinados para o pote a ser disputado no fim do ano. Com isso, já temos R$ 45 na caixinha, que encontra-se aos meus cuidados.

Como em casa de ferreiro o espeto N’AO é de pau, quem levou o torneio foi o Bruno, gentil proprietário do espaço onde brincamos. O  segundo foi o surpreendente Abusado, nosso idolatrado líder temporário do ranking. Marcelo, o mais regular entre os jogadores –  chegou ITM em todas os jogos – incluindo as etapas antes do Circuito – foi o terceiro e este que vos fala o quarto, seguido de Wlad, em  quinto, que fechou a lista dos felizes premiados.

Segue resumo da etapa

Jogador Rebuys Add on Investimento Prêmio
Bruno 4 X R$ 35 R$ 95
Abusado 4 X R$ 35 R$ 80
Marcelo 2 X R$ 25 R$ 35
Schiavoni 0 X R$ 15 R$ 15
Wlad 2 X R$ 25 R$ 5
Tiaguinho 1 X R$ 20
Cris 1 X R$ 20
Leandrius 1 X R$ 20
Maguila 2 X R$ 25
Turquinho 5 X R$ 40
Jota 3 R$ 20
Gauchinho 0 R$ 5
TOTAL 25 R$ 285 R$ 230
Arrecadação R$ 285
Rake R$ 30
Caixinha R$ 25

Com os resultados inesperados da noite, a disputa, no entanto, segue  acirrada pelo título de Mr. Pocket Aces, pela fama e pela glória.  Segue a classificação do torneio.

Jogador Pontos Etapas ITM
Abusado 45 2 2
Schiavoni 41 2 2
Turquinho 38 2 1
Bruno 36 1 1
Marcelo 35 2 2
Wlad 16 2 1
Leandrius 12 2
Brunão 11 1
Tiaguinho 11 1
Jiban 9 1
Cris 9 1
Pastel 7 1
Maguila 5 1
Gauchinho 2 2
Jota 2 1