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III Etapa do Ribeirão Poker Tour

Com entradas de torneios de R$ 480 a R$ 20, Ribeirão Poker Tour acontece nos dias 1, 2 e 3 de julho e tem premiações que superam os R$ 35 mil; 600 jogadores devem passar pelo evento

Segunda edição do Ribeirão Poker Tour: sucesso

Os fãs de pôquer tem a oportunidade de vivenciar neste fim de semana, em Ribeirão Preto, uma experiência única: exercitar as habilidades em um dos maiores torneios paulistas do esporte, tendo na cadeira ao lado grandes campeões do Brasil, além da chance de disputar uma premiação que ultrapassa os R$ 35 mil. É o Ribeirão Poker Tour, que realiza sua terceira etapa nos dias 1, 2 e 3 de julho.

O evento é o segundo maior, em número de participantes, do Estado de São Paulo, será realizado no Hotel & Resort JP e a estimativa dos organizadores é que pelo menos 600 jogadores passem pelo evento durante seus três dias. No total, são programados quatro torneios, com entradas que variam de R$ 480 a R$ 20.

Segundo Bruno Assunção, um dos organizadores do evento, há espaço para todos os tipos de público, desde jogadores profissionais a amadores. “Esse é o grande evento do pôquer da região e estamos abertos para todos os jogadores. Temos notado que muitos amadores têm conseguido se classificar bem, na faixa de premiação, o que mostra que esse é um torneio bem eclético”, comenta o organizador.

Cristiano Camargo, o Cofrinho, campeão paulista de pôquer, é um dos que estará em Ribeirão especialmente para o evento. Ele ressalta que, dentre todos os torneios que costuma jogar no interior paulista, o Ribeirão Poker Tour é um dos mais interessantes. “O nível é bom e existe essa mescla interessante de profissionais e amadores, o que favorece um clima muito saudável e amistoso. Além disso, enfrentei amadores que poderiam muito bem jogar as etapas do campeonato paulista”, comenta ele, que terminou em terceiro a última edição do evento

Evento Principal

Realizado em dois dias, o Evento Principal do Ribeirão Poker Tour, com entrada a R$ 200, começa no sábado a partir das 14h. Os participantes jogam até que se alcance a zona de premiação. No segundo dia, todos os classificados voltam para o local do evento e participam da final, onde acontece a definição das posições. A premiação garantida ultrapassa os R$ 20 mil. O número de premiados varia em função do total de inscritos, mas, nos últimos eventos, foram pelo menos nove. Para o primeiro colocado, a premiação fica na casa dos R$ 6 mil, enquanto o nono recebe R$ 400.

O torneio, com estrutura que permite um jogo mais técnico, tem stack inicial de 20 mil fichas e pingos que começam em 50/100 e sobem de meia em meia hora. Os intervalos acontecem a cada duas horas de jogo.

Bruno e Dudu, dois dos organizadores do Ribeirão Poler Tour

Bruno ressalta ainda que o Ribeirão Poker Tour reúne jogadores de mais de 40 cidades ao redor de Ribeirão Preto, contando com a presença também de jogadores do Triangulo Mineiro e de outros estados. “Além dos jogadores da cidade, haverá a presença de alguns dos melhores jogadores do Brasil, incluindo alguns campeões de etapas do Circuito Paulista e do Brasilian Series of Poker, dois dos maiores eventos do país”, explica.

Ranking e opções

Assunção informa ainda que haverá um sistema de pontuação para todos os jogadores que disputarem o Evento Principal. No fim do ano, quando acabarem as etapas, que serão disputadas mensalmente, quem somar mais pontos ao longo de todos os torneios ganha, além das premiações de cada etapa, um carro zero quilômetro no valor de R$ 25 mil. “É uma forma que encontramos para estimular a regularidade dos jogadores. Com isso, é possível que, mesmo sem ganhar uma etapa, seja possível conquistar um excelente prêmio”, avalia.

Além do Evento Principal, há outros torneios que acontecerão nos três dias de evento. No torneio mais caro, o High Rollers, a premiação garantida é de R$ 15 mil e o jogo acontece na noite de sexta-feira. No sábado, além do Evento Principal, acontece, às 18h, o Second Chance, com entrada a R$ 50 e premiação variável, dependendo do número de inscritos.

Cristiano Camargo, o popular Cofrinho, uma das atrações do evento

No domingo, além da Mesa Final do Evento Principal, os jogadores ainda têm a chance de disputar o Last Chance, torneio com entrada de R$ 20. Institucional O Ribeirão Poker Tour é organizado pela Associação Regional Amigos do Poker, em parceria com a Any2 Eventos. Mais informações podem ser obtidas através dos sites http://www.amigosdopoker.net ou http://www.amigosdopoker.com.br. A organização também disponibiliza o telefone (16) 9270-9130 para que qualquer dúvida sobre o evento seja sanada.

Jurídico

Vale lembrar que o Poker, modalidade Texas Hold´em, foi reconhecido oficialmente em 2010 pela Federação Internacional dos Esportes da Mente (IMSA) como esporte de habilidade. Com isso, o pôquer chegou a ser cogitado pelo Comitê Olímpico Internacional decidiu para estar presente nas Olimpíadas de Londres, em 2012, como esporte de apresentação.

Bruno Assunção faz questão de ressaltar que o torneio realizado em Ribeirão é totalmente legal e conta com autorização das autoridades municipais e estaduais para sua realização. “Existem decisões do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e um laudo da Polícia Civil paulista que reconhecem o pôquer como jogo de habilidade. Nosso torneio acontece respeitando a legislação e com os respectivos alvarás”, explica.

Vale ressaltar que, no sistema de campeonato, não há apostas em dinheiro. O concorrente paga uma inscrição e recebe um número de fichas cujo valor é simbólico para efeito da disputa. O que está concorrendo é um prêmio ao final da competição. “É o mesmo que acontece em esportes como o golfe e o tênis dentre outros”, ressalta Bruno.

Brasil no centro do mundo do pôquer – A conquista de Akkari

Andre Akkari, que conquistou o WSOP: orgulho para o Brasil

E olha que hoje, que tinha tudo para ser um dia morto, acabou sendo uma data memorável. E explico as causas. Andre Akkari, esse ai ap lado, um dos jogadores de pôquer mais gente boa do Brasil, puxou o 45 evento da World Series of Poker, um dos maiores torneios mundiais do poker. É como se fosse um Grand Slam do Tênis e, portanto, um feito notável, para ser comemorado mesmo pelo esporte brasileiro.

Ele é o segundo brasileiro na história a ter tal honra. O pioneira havia sido o Alexandre Gomes. Não conheço nenhum dos dois pessoalmente, mas conheço algumas pessoas que já jogaram ao lado de Akkari e garantem que o cara é realmente muito gente boa.  Por isso, considero essa uma conquista que, além de muito comemorada, coloca o nome do Brasil, de novo, no mapa mundial do Pôquer.

Para fazer história em Las Vegas, nos Estados Unidos, Akkari, conquistou o tão sonhado bracelete de ouro da World Series of Poker vencendo o americano Nachman Berlin no heads-up. Foram mais de 2 mil inscritos, o que nos dá a noção exata do tamanho da conquista.

Mais aindda porque, depois de quase ser eliminado quando ainda faltavam trinta e quatro jogadores, o brasileiro conseguiu voltar para o jogo e entrou na mesa final como o terceiro maior em fichas. Akkari começou o heads-up com o americano com quase seis milhões de fichas a menos, mas com paciência foi revertendo o quadro aos poucos.

Acompanhei as duas mãos que deram o titulo a Akkari. Foram mágicas.

A primeira foi um all in pre flop. Akkari tinha A8 e o gringo KQ de ouro. O bicudo do às apareceu logo no flop e Akkari dobrou.

Pouco depois, com o brasileiro dobrado e bem demais em fichas, outro all in. O gringo mandou bala com A2 e o Akkari chamou com TK, minha mão da sorte. Infelizmente o gringo seguiu no flop e dobrou.

Bracelete conquistado por Akkari

Mas nessa altura Akkari ainda tinha uma vantagem de 8 milhões contra 4 milhões em fichas. Poucas mãos depois, a consagração: depois de mais de quatro horas de jogo o americano foi all-in com A8. Akkari deu call com rei e valete. A torcida brasileira pediu, junta e em alto e bom som: Rei, rei, rei….. E eles vieram em dobro. Com dois reis em cima da mesa, André Akkari comemorou a vitória com a enorme torcida brasileira presente e ainda por cima levou pra casa mais de 600 mil dólares.

Acompanhei a parte final do heads up no Clube Amigos do Poker, espaço tocado em ~Ribeirão pelo Bruno Assunção. É onde dou minhas baralhadas de vez em quando. Em uma tela de computador, acompanhamos ao vivo as jogadas e torcemos em dobro.

Como não tínhamos como saber as cartas que cada um seguravam, íamos na base do grito da torcida, sempre acompanhando e torcendo. Aliás, a torcida deu um show a parte. Como se estivessem em um clássico de futebol, os brazucas fizeram Ola, entoaram gritos de guerra e infernizaram a vida do gringo. Teve até hino nacional – eu chorei, como sempre – e direito a bandeira brasileira.

O que dizer? Não torcia como torci hoje desde o título do Botafogo Futebol Clube no campeonato paulista de 2010, e posso dizer que foi sensacional. A torcida, o clima, a bandeira do Brasil, enfim, foi um momento mágico. Só resta dizer parabéns ao Akkari e desejar que outros jogadores sigam essa trilha.

Minha estréia em cash games

Ontem, meus amigos, foi um dia diferente. Depois de muito ensaiar, estreei em uma modalidade diferente do poker: o cash game. Foi uma experiência interessante. Eis como rolou:

A II etapa do Circuito Pocket Aces terminou por volta das 2h30 desta sexta. Fiquei de levar o glorioso Maguila em casa, na Vila Carvalho, mais ou menos algumas léguas depois de onde Judas perdeu as botas. Cai em quarto no torneio e tive que esperar o Abusado, que também estava de carona comigo.

Este escriba que vos fala durante a segunda edição do RPT - novas experiências, arrasando no cash

Como sai no zero a zero, ainda estava com vontade de jogar. Lembrei então do LOL Clube, uma casa onde o forte é o ring game, ou seja, jogos a dinheiro. Eu só tinha jogado ring game pelo computador, e mesmo assim muito pouco. Prefiro torneios, inclusive porque os jogos a dinheiro são, digamos, um pouco mais complicados. Mas de algum tempo estava a fim de experimentar e ontem pareceu um bom dia.

O Maguila, que estava com sono, não quis ir. Ele não jogaria, de toda forma, e preferiu ir pra casa. Peguei o caminho – longooooo – e a ideia já deixou a cabeça. Deixei o menino em casa e, quando seguia para deixar o Abusado, ele soltou a frase que mudaria nossa noite:

Sei que já estou quase em casa, mas não rola lá no LOL?

Opa! Claro que rola! E fomos nós

Chegamos lá por volta das 3h. O Abusado tinha puxado um prêmio de R$ 80 e estava disposto a investir até R$ 50 no jogo. Esse valor era o mesmo que eu queria investir. Se perdêssemos, bye bye, vamos pra casa. O que viesse, era lucro.

Acontece que a mesa mais barata da casa, onde os pingos eram de 1 / 2 reais, exigia uma entrada mínima de R$ 100 na mesa. Firmou-se a dúvida.

Minha primeira proposta foi jogarmos de sócios. Com 50 de cada, o Abusado jogaria e nós racharíamos o lucro. Depois, se sobrasse grana, eu jogaria no fim da noite. O Abusado insistiu para que jogássemos os dois.

Pensei que eu ainda tinha um bom dinheiro do poker disponível para jogar. Como ganhei basicamente três vezes mais do que investi, tenho alguma reserva. Não suficiente para jogar regularmente nesse nível, mas adequada para um jogo. Se perdesse, ainda disporia de um bom montante de lucro para jogar.

Meu sistema funciona assim: em um determinado mês, somo tudo que ganhei com o poker e subtraio o que gastei. O que sobra – meu lucro – eu divido em três partes. A primeira delas eu utilizo para aumentar meu capital de giro no poker. Defini que irei investir, por mês, até R$ 150 mensais no esporte. Essa primeira terça parte, portanto, faz com que eu possa jogar mais dinheiro por mês, com o dinheiro do lucro. Também ajuda a pagar o buy in de torneios mais caros, se for o caso. Hoje, por exemplo, disponho de um bankroll de R$ 500 para jogar.

A segunda terça parte eu coloco em uma poupança. É meu dinheiro do poker, que vai ficar aplicado até o fim do ano para ver quanto o esporte me rendeu no ano. Em última análise, posso usar essa grana para financiar jogos de poker, embora evite fazê-lo ao máximo. Até hoje, nunca precisei utilizar. São, por enquanto, outros R$ 500 aplicados.

A terceira parte, por fim, eu utilizo para o dia a dia, geralmente em coisas que não possuem relação com o poker. Pode ser desde uma pizza até o pagamento da mensalidade da creche do meu filho, enfim, vai para usos gerais.

Isto posto, a ideia de jogar o cash me tentou. A ideia de ter que tocar na poupança que abri para depositar os lucros do poker não me era muito agradável, mas a cartada final veio porque, além de parte do dinheiro dos  prêmios, que estão aplicados, defini queo meu bankroll, de R$ 500, poderia sofrer uma baixa de R$ 100 sem comprometer meus jogos do mês. Assim sendo, resolvi encarar.

Pegamos as fichas e fomos para a mesa.

Na segunda mão que participamos, o Abusado fez uma das suas. A intenção era jogar o mais tight possível, escolher boas mãos e jogar forte, para extrair fichas. Nós dois nos daríamos por satisfeitos se conseguíssemos sair com mais do que entramos, mesmo que fossem poucos reais. E nosso stack inicial, muito menor que o do restante da mesa, não permitia que pagássemos para ver com mãos especulativas. Era ir forte com mãos boas. Depois, com mais fichas, poderíamos até rever o jogo.

Eis que Abusado sai com um par de 5 e entra de limp, investindo R$ 2. Outras 5 pessoas o acompanham na empreitada. O flop vem do capeta: 666. Isso dava ao Abusado um full house, mão respeitável e suficiente para sustentar uma aposta.

Todo pimpão, ele beta R$ 15 em um pote que tinha R$ 12. Todos foldam até o Tiaguinho, que trabalha com o Bruno no Amigos do Poker. E é ai que entra o poder de falação do Abusado. Vamos a uma pausa.

No nosso torneio, o Abusado se envolveu em algumas disputas com o Tiaguinho. Acabou inclusive eliminando o guri do torneio. No estilo fanfarrão dele, fez uns calls insanos em cima do Tiago, levou algumas mãos improváveis. Tiaguinho caiu na falação e disse que iria testar até onde o Abusado tinha peito para os calls absurdos, e passou a pressionar. Quando Tiaguinho foi eliminado, a frase geral, na mesa, foi: Eu acho que o peito do Abusado era maior que o seu jogo. E gargalhadas.

Pausa feita, era esse mesmo Tiaguinho que havia chamado a aposta.

O flop vem com J. E Abusado, crente que tinha a melhor mão, dispara outros R$ 25. Nessa altura, ele tinha R$ 58 em fichas, mais que suficientes para continuar no jogo caso sentisse resistência. Mas o Tiaguinho só pagou de novo. E o river veio outro J, uma carta complicada.

Rezei para o Abusado dar mesa. Tiaguinho chamou duas apostas. Então, de dias, uma: ou ele achava que o Abusado estava no blefe, ou estava melhor que ele. Eu imaginei a segunda opção. E o J era especialmente ruim para o Abusado, porque a mesa fez um full house maior que o dele. O par de cinco na mão dele de nada valia. Ou se dividia o pote – melhor das hipóteses, levando em conta as cartas – ou o Abusado tentava roubar.

E, como era o Abusado, foi o que ele tentou fazer.

Sem pensar, ele disparou suas fichas restantes. Foi instantaneamente pago pelo Tiaguinho, que mostrou um 6. O menino estava com uma quadra, o segundo maior jogo do poker. Mesmo no flop, quando tinha um full, Abusado já estava morto na mão.

A aventura do menino durou DUAS mãos, e lá se foram os R$ 100. Conversei com ele na volta e conclui que, se jogasse a mão no lugar dele, provavelmente teria apostado só até o turn e acabaria largando a mão. Talvez fizesse a aposta do turn, mas definitivamente não iria all in no river. Anyway, foram-se as fichas dele.
Agora era comigo.

Foldei uma série de mãos medianas até que recebi um AQ. Fiz um aumento padrão de 3 Big Blinds, até quando um senhor, que estava mamado, mandou um all in de 15. Paguei e fui acompanhado por mais 2. O flop veio ruim: duas cartas baixas e um rei.

Como tinha foldado muitas mãos e a mesa não tinha uma imagem de mim, mas poderia presumir que eu era conservador, optei por uma aposta forte e mandei R$ 35. Simulei um AK, que era muito condizente com minha postura e minha forma de jogar.Todos foldaram e, na hora de abrir as cartas, o senhor bêbado não tinha nada também. Nada bateu, pra nenhum dos dois, e eu puxei um respeitável pote de mais de R$ 50. Foi muito legal levar minha primeira mão no cash. Dei R$ 2 de gorjeta, inclusive, para o dealer e achei o máximo…rs

Confesso que pensei em sair da mesa. Mas fui jogando.

Pouco depois, outra AQ. O flop veio baixo, com um J, e paguei sucessivas apostas de um jogador jovem. Não devia ter pago, mas imaginei que, se batesse, eu levaria um pote grande. No fim das contas, ele tinha um par de mão de 9. nada bateu e fiquei reduzido a R$ 120.

Pouco depois, puxei um pote decente contra o Tiaguinho, aumentando meu stack para R$ 140. Pouco depois, sai com um par de K e levei outro pote, de R$ 50, contra um jogador que tinha um par de 9. Joguei as duas mãos muito bem, mas, no caso do KK, poderia ter extraido mais uns 25 reais dele. Optei por não betar no river com medo de dois pares.

Levei ainda uma outra mão, com K5, quando bateu meu K no flop e, em um pote de 20 reais, apostei oito.

Entrei de limp em algumas outras mãos, mas não joguei efetivamente nenhuma mais. E assim foi minha participação, ao longo de duas horas, no meu primeiro cash game. No total, sai da mesa com R$ 198, praticamente o dobro do que entrei.

Pior que, como tinhamos combinados de jogar de parceiros, o Abusado teve a cara de pau de me cobrar R$ 50 conto dos lucros. Coloquei a grana na carteira e disse que, na próxima, eu pagava os R$ 50 e entrava de sócio com ele. Pode?

Mas enfim, tudo posto, confesso que fiquei tentado a jogar de novo. Talvez com limites menores.

II Etapa do Circuito Pocket Aces

Na gloriosa segunda etapa do Circuito Pocket Aces de Texas Holde´m,  tivemos a não menos gloriosa participação de 12 afortunados, que fizeram um total de 25 rebuys. Foram ainda 12 entradas e 10 add ons,  perfazendo uma arrecadação total que ficou nos R$ 285.

Nessa etapa, pagamos um rake de R$ 30 para a casa que gentilmente sedia nossas baralhadas. Outros R$ 25 foram destinados para o pote a ser disputado no fim do ano. Com isso, já temos R$ 45 na caixinha, que encontra-se aos meus cuidados.

Como em casa de ferreiro o espeto N’AO é de pau, quem levou o torneio foi o Bruno, gentil proprietário do espaço onde brincamos. O  segundo foi o surpreendente Abusado, nosso idolatrado líder temporário do ranking. Marcelo, o mais regular entre os jogadores –  chegou ITM em todas os jogos – incluindo as etapas antes do Circuito – foi o terceiro e este que vos fala o quarto, seguido de Wlad, em  quinto, que fechou a lista dos felizes premiados.

Segue resumo da etapa

Jogador Rebuys Add on Investimento Prêmio
Bruno 4 X R$ 35 R$ 95
Abusado 4 X R$ 35 R$ 80
Marcelo 2 X R$ 25 R$ 35
Schiavoni 0 X R$ 15 R$ 15
Wlad 2 X R$ 25 R$ 5
Tiaguinho 1 X R$ 20
Cris 1 X R$ 20
Leandrius 1 X R$ 20
Maguila 2 X R$ 25
Turquinho 5 X R$ 40
Jota 3 R$ 20
Gauchinho 0 R$ 5
TOTAL 25 R$ 285 R$ 230
Arrecadação R$ 285
Rake R$ 30
Caixinha R$ 25

Com os resultados inesperados da noite, a disputa, no entanto, segue  acirrada pelo título de Mr. Pocket Aces, pela fama e pela glória.  Segue a classificação do torneio.

Jogador Pontos Etapas ITM
Abusado 45 2 2
Schiavoni 41 2 2
Turquinho 38 2 1
Bruno 36 1 1
Marcelo 35 2 2
Wlad 16 2 1
Leandrius 12 2
Brunão 11 1
Tiaguinho 11 1
Jiban 9 1
Cris 9 1
Pastel 7 1
Maguila 5 1
Gauchinho 2 2
Jota 2 1

 

Circuito Pocke Aces 2011 – Primeira etapa

Começou! Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, o Circuito Pocket Aces de Texas Hold´em está de volta. Embora não tenhamos ainda a participação de alguns mitos do pôker local, como Grafitte, o Tight, Bunda, o sentador das fichas, It “Oh my god, he is going all in” e OB, para citar apenas alguns, começamos a segunda edição do nosso campeonato.

A novidade é que começamos a jogar no Clube Amigos do Pôker de Ribeirão Preto, capitaneado pelo glorioso Bruno, o organizador do Ribeirão Pôquer Tour. Uma casa excelente, com estrutura bacana e, ao mesmo tempo, capaz de oferecer suporte, na camaradagem, a um grupinho de jogadores pequeno como o nosso.

A primeira etapa foi modesta, mas divertida. realizada em 02 de junho, contou com dez participantes, Que pagaram, cada um R$ 5 pelo direito de concorrer. Esses heróis fizeram 21 recompras e oito add ons opcionais.  No total, a
arrecadação foi de R$ 235, dos quais pagamos R$ 25 de rake para a
casa e R$ 20 para a caixinha para a premiação dos melhores em nosso
ranking.

Quem levou a etapa foi o Turkinho. A premiação pra ele foi de R$ 100. O segundo colocado, este que vos fala, levou R$ 50, enquanto o terceiro, o glorioso
Abusado, puxou R$ 30. Também salvamos o quarto colocado, o Marcelo,
que levou R$ 10.

Segue então a primeira classificação do ranking.

Jogador Pontos ITM Investimento Prêmio Lucro
Turquinho 35 X R$ 15 R$ 100 R$ 85
Schiavoni 25 X R$ 25 R$ 50 R$ 25
Abusado 19 X R$ 15 R$ 30 R$ 15
Marcelo 15 X R$ 30 R$ 10 -R$ 20
Brunão 11 R$ 20 R$ 0 -R$ 20
Jiban 9 R$ 15 R$ 0 -R$ 15
Pastel 7 R$ 35 R$ 0 -R$ 35
Leandrius 5 R$ 20 R$ 0 -R$ 20
Wlad 3 R$ 25 R$ 0 -R$ 25
Gauchinho 1 R$ 35 R$ 0 -R$ 35
TOTAL R$ 235 R$ 190

Resumo da Etapa
Entradas: 10
Rebuys: 21
Add ons: 8
Arrecadação total: R$235
Rake: R$ 25
Caixinha: R$ 20
Premiação: R$ 190

A Matemática do Poker

O poker, meus caros, é um esporte fascinante. A cada dia, em cada jogo, novas situações testam o raciocínio e a lógica. Com pouco mais de um ano de jogo mais constante, posso garantir que o mais desafiador de estar em uma mesa é ter que se adaptar, de forma rápida, às mais variadas situações.

Jogando um torneio com entrada de R$ 5 e recompras de R$ 5, deparei-me com a seguinte situação de jogo. Aliás, conto primeiro o caso para em seguida ilustrar a matemática intrincada por trás de cada jogada.

Estávamos em oito jogadores na mesa e eu tinha uma quantidade de fichas confortável (perto de 35 mil). Era o último período de recompra e havia dois jogadores com o stack mínimo na mesa, que era de 4 mil fichas.

Com blinds em 500/1000, eu sou o big blind. O primeiro a falar, que tem a sábia alcunha de Pastel, sem dó das fichas, coloca suas preciosas 4 mil no meio do pano verde. A mesa segue em fold até o small blind, o seu Bruno, o baralhão, conhecido pelo seu estilo, digamos, mais arrojado de jogar. Com 4 mil fichas, ele também vai all in. Minha vez.

Aplico os rudimentos de matemática que conheço e olho para minhas cartas; Vejo uma mão digna, um Dez Dama do naipe de copas. Chamo a aposta.

Pastel mostra um belo par de ases e sonha em triplicar. Honestamente, não lembro a mão do Bruno, mas não era nada espetacular. Mostro minha mão e aviso o Pastel:

Eu e minha indefctível boina do mal

“Fica tranquilo e faz o rebuy. Quebramos seu par de as”

E quebramos mesmo

Logo no flop, viram as cartas mágicas: J, K e 9. Faço sequência e o turn e o river acabam sem grandes surpresas. Levo 12 mil fichas, além do prazer inenarrável de quebrar um par de ases e ainda poder cornetar o Pastel.

Essa foi a jogada e o resultado. Agora, vamos à matemática, que é bem mais complexa e interessante.

Depois de ouvir, em tom de galhofa, o adjetivo Baralhão – na gíria do poker, quem joga com mãos ruins e, contra as probabilidades, acaba vencendo – resolvi buscar a redenção na matemática. Analisem o raciocínio, uma verdadeira pérola que contradiz plenamente quem insiste em classificar o poker como jogo de azar.

Chamei com cartas piores, é um fato, e levei um pote contra as probabilidades. Mas meu call foi correto. Veja porque:

Primeiro, eu não tinha como saber que o Pastel ostentava, orgulhoso, um belo par de as. Ele já havia ido all in com mãos terríveis para explorar a fraqueza dos demais jogadores. Existe sempre a chance de um blefe para roubar as fichas que estão no pote, que são de 10%. Mas vou desconsiderar esse fator e colocar que, na minha leitura de jogo, eu coloquei o menino com cartas muito boas, as melhores possíveis. Isso significa que, no range de mãos que coloquei pra ele, Pastel poderia ter as seguintes mãos:

AA, KK, QQ ou JJ, todas mãos muito fortes e bem na frente da minha
AK, AQ, AJ – mãos fortes e que estavam à frente da minha

Logo depois de Pastel ir all in, o seu Bruno coloca suas 4 mil fichas e paga o all in. Naquela situação de um torneio, onde o período de recompra estava no fim, faria sentido pagar com um leque de mãos muito grande na posição dele. Ou dobra-se as fichas ou faz-se um rebuy. Fora isso, o seu Bruno é um jogador mais solto, que aposta e paga com mãos mais fracas do que eu, por exemplo, faço. Dessa forma, coloquei o menino no seguinte leque de mãos:

Qualquer par, de AA a 22
Qualquer A com figura: (AK, AQ, AJ)
Qualquer K com kicker acima de 9 (K9, KT, KJ, KQ)
Qualquer Q com kicker acima de 9 (Q9, QT, QJ, QK)
Qualquer J com kicker acima de 9 (J9, JT, JQ, JK)
Conectores naipados a partir de 89: (89, 9T, TJ, JQ, KQ)
Conectores a partir de TJ (TJ, JQ, KQ)

Agora, a parte divertida. Segundo os softwares que analisam mãos e a probabilidade matemática de cada mão vencer, o range do Pastel venceria em 47% das vezes. Meu TQ naipado levaria em 30% das vezes e as infinitas probabilidades do seu Brunão aparecem com 23% de chances.

Agora vem a análise do custo benefício.

Nesse caso, o retorno, caso eu contrariasse as estatísticas e vencesse, seria de quatro fichas para cada uma que eu investi, já que eu precisava colocar 3 ,il fichas para ganhar 12 mil…. Com 30% de chance, significa que eu acerto essa mão (lembrando que é contra o range, não contra o AA) três vezes em dez tentadas. Para jogar essas dez vezes, eu teria que investir R$ 30 mil fichas. (pagando 3 mil por vez).

Se eu acerto e levo três vezes, significa que meu retorno nessas dez vezes será de 36 mil fichas. Saio no lucro 6 mil fichas, por isso o call é válido. O odd das fichas era maior que o odd das cartas. Valia a pena pagar com qq carta do tipo 2, que era o meu caso. Dava pra pagar até com 9T naipado, se não me engano, pq as percentagens não se alteram demais.

Deixando a cornetagem de lado, essa mão serve como exemplo de como esse lance das odds podem fazer diferença em um jogo. Se o Brunão folda, eu foldaria também. Mas como ele foi all in, e o all in dele era exatamente o seu, o pote tornou-se matematicamente atrativo, embora soubesse que eu estava com certeza atrás de um de vocês e muito provavelmente atrás dos dois.

Ajudou muito o valor do all in ser baixo em comparação com minhas fichas. Eu não entraria nesse se tivesse que comprometer, por exemplo, mais de 20% do meu stack.

Mas vamos pensar na hipótese de fold do Brunão para ilustrar. É ai que a gente vê como um pequeno detalhe muda tudo no poker.

Nesse caso, o pote ficaria com 5,5 mil fichas e eu teria que colocar mais 3 mil para disputar um pote de 8,5 mil. Assim sendo, minhas odds ficariam em 1 para 2,8. Refiz as contas e vi que, jogando com os mesmos ranges de mãos e minhas cartas, as percentagens de vitória seriam de 67% contra 32%.

De cem vezes, acertaria 32, Então vamos às contas:

Em cem vezes, investiria 300 mil fichas para jogar o pote. Vencendo 32, lucraria 272 mil, o que tornaria o call matematicamente incorreto.

Vejam que, embora, nesse caso, eu levei a mão, não é isso que torna meu call correto. É a expectativa matemática de longo prazo. Ainda que eu tivesse perdido essa mão, essa era uma jogada que deveria ser feita porque, no longo prazo, é lucrativa.

Da mesma forma, muitas pessoas ganham significativas somas, em dinheiro ou fichas, chamando com probabilidades erradas. Acontece, é poker, mas não significa, por isso, que a jogada é matematicamente correta.

Eu, eu, eu, o Franca se…

Vamos e venhamos, Franca não tem lá muito do que se orgulhar. É uma cidadezinha até simpática, perdida um pouco pra lá de onde Judas perdeu a bota.

Para os mineiros – digo de cidades ainda mais perdidas, como Claraval, Ibiraci e Capetinga, pra citar as menos expressivas – os francanos são os babacas paulistas.

Para os paulistas, os francanos são aqueles mineiros idiotas de São Paulo.

O principal passatempo dos francanos, claro, é dar uma passadinha em Ribeirão para ver o que há na capital. Bairristas ao extremo, adoro fingir que odeiam Ribeirão, mas não abrem mão das baladas, do comércio, enfim, de Ribeirão Mesmo. Curioso é que, enquanto a maioria (eu diria 99,9% dos ribeirão-pretanos nem sabem da existência de Franca), lá o inverso ocorre – 99,9% dos francanos adoram colocar Ribeirão no centro de suas vidas, ainda que com certo ódio e recentimento.

Enfim, mas parando de divagação…

Franca é conhecida – em termos – no Brasil por três fatos pitorescos. Primeiro, e disparadamente o mais relevante, é a cidade onde as mais bizarras coisas acontecem. Lá, os crimes são mais absurdos, as pessoas mais sem noção, as ocorrências mais caricatas. Já descrevi em alguns posts como funciona isso, mas basta dizer, apenas para ilustrar, que foi lá, naquela cidade adoravelmente sem nõção, que um homem foi preso ao manter relações sexuais com um muro – sim, era chapiscado!; uma mulher morreu mamada, afogada em uma poça de água de 5 cm de profundidade e um prefeito saiu chutando cones em pleno centro da cidade. Detalhe: tudo isso com três meses de intervalo.

A segundo motivo é a indústria calçadista. Procure no goole pra ver: digite Sapateiro+moto+morte e verá que, de dez resultados, oito serão obrigatoriamente sobre Franca do Imperador. O que demonstra duas coisas: sapateiro é uma merda. Sapateiro e moto, uma merda dupla. E Sapateiro, dinheiro e moto = cerveja na tampa e morte certa.

Mascote do COC Basquete, o eterno matador de Franca

O terceiro é o basquete. A cidade é uma das poucas no Brasil onde realmente se existe uma cultura do esporte. Os públicos do basquete lá são muito superiores aos do futebol. é uma espécie de orgulho, um baluarte. O orguolho do francano é o basquete. É como se, através da Bola ao Cesto, toda uma cidade justificasse sua razão de existir. Nessa terra, Hélio Rubens é um mito, uma lenda, um guia.

Acontece que, desde o surgimento do COC Basquete, Franca nunca mais apitou nada. É a realidade, feliz ou infelizmente. E os francanos, derrotados em seu baluarte, sua fortaleza, simplesmente perderam a cabeça. o COC durou pouco – tempo suficiente apenas para humilhar os francanos, mas as marcas são eternas.

Tanto que o mais conhecido filhote do COC, o vulgo Brasília, assumiu o ônus e também o freguês. Especializou-se em ganhar títulos em cima do Franca. É a morte para os francanos, especialmente se levarmos em conta que boa parte do elenco do Brasília atuou por Ribeirão. Ah, e nem gosto de basquete, embora tenha sido um armador de razoável competência em tempos escolares…

Mas confesso que ver o francano humilhado em um dos seus poucos motivos de orgulho é uma ceninha bacana de ver. Mesmo eu gostando da cidade.

Em tempo, o Brasília fechou o playoff final do Novo Basquete Brasil (NBB) em 3 a 1 contra o Franca, em Brasília.