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III Etapa do Ribeirão Poker Tour

Com entradas de torneios de R$ 480 a R$ 20, Ribeirão Poker Tour acontece nos dias 1, 2 e 3 de julho e tem premiações que superam os R$ 35 mil; 600 jogadores devem passar pelo evento

Segunda edição do Ribeirão Poker Tour: sucesso

Os fãs de pôquer tem a oportunidade de vivenciar neste fim de semana, em Ribeirão Preto, uma experiência única: exercitar as habilidades em um dos maiores torneios paulistas do esporte, tendo na cadeira ao lado grandes campeões do Brasil, além da chance de disputar uma premiação que ultrapassa os R$ 35 mil. É o Ribeirão Poker Tour, que realiza sua terceira etapa nos dias 1, 2 e 3 de julho.

O evento é o segundo maior, em número de participantes, do Estado de São Paulo, será realizado no Hotel & Resort JP e a estimativa dos organizadores é que pelo menos 600 jogadores passem pelo evento durante seus três dias. No total, são programados quatro torneios, com entradas que variam de R$ 480 a R$ 20.

Segundo Bruno Assunção, um dos organizadores do evento, há espaço para todos os tipos de público, desde jogadores profissionais a amadores. “Esse é o grande evento do pôquer da região e estamos abertos para todos os jogadores. Temos notado que muitos amadores têm conseguido se classificar bem, na faixa de premiação, o que mostra que esse é um torneio bem eclético”, comenta o organizador.

Cristiano Camargo, o Cofrinho, campeão paulista de pôquer, é um dos que estará em Ribeirão especialmente para o evento. Ele ressalta que, dentre todos os torneios que costuma jogar no interior paulista, o Ribeirão Poker Tour é um dos mais interessantes. “O nível é bom e existe essa mescla interessante de profissionais e amadores, o que favorece um clima muito saudável e amistoso. Além disso, enfrentei amadores que poderiam muito bem jogar as etapas do campeonato paulista”, comenta ele, que terminou em terceiro a última edição do evento

Evento Principal

Realizado em dois dias, o Evento Principal do Ribeirão Poker Tour, com entrada a R$ 200, começa no sábado a partir das 14h. Os participantes jogam até que se alcance a zona de premiação. No segundo dia, todos os classificados voltam para o local do evento e participam da final, onde acontece a definição das posições. A premiação garantida ultrapassa os R$ 20 mil. O número de premiados varia em função do total de inscritos, mas, nos últimos eventos, foram pelo menos nove. Para o primeiro colocado, a premiação fica na casa dos R$ 6 mil, enquanto o nono recebe R$ 400.

O torneio, com estrutura que permite um jogo mais técnico, tem stack inicial de 20 mil fichas e pingos que começam em 50/100 e sobem de meia em meia hora. Os intervalos acontecem a cada duas horas de jogo.

Bruno e Dudu, dois dos organizadores do Ribeirão Poler Tour

Bruno ressalta ainda que o Ribeirão Poker Tour reúne jogadores de mais de 40 cidades ao redor de Ribeirão Preto, contando com a presença também de jogadores do Triangulo Mineiro e de outros estados. “Além dos jogadores da cidade, haverá a presença de alguns dos melhores jogadores do Brasil, incluindo alguns campeões de etapas do Circuito Paulista e do Brasilian Series of Poker, dois dos maiores eventos do país”, explica.

Ranking e opções

Assunção informa ainda que haverá um sistema de pontuação para todos os jogadores que disputarem o Evento Principal. No fim do ano, quando acabarem as etapas, que serão disputadas mensalmente, quem somar mais pontos ao longo de todos os torneios ganha, além das premiações de cada etapa, um carro zero quilômetro no valor de R$ 25 mil. “É uma forma que encontramos para estimular a regularidade dos jogadores. Com isso, é possível que, mesmo sem ganhar uma etapa, seja possível conquistar um excelente prêmio”, avalia.

Além do Evento Principal, há outros torneios que acontecerão nos três dias de evento. No torneio mais caro, o High Rollers, a premiação garantida é de R$ 15 mil e o jogo acontece na noite de sexta-feira. No sábado, além do Evento Principal, acontece, às 18h, o Second Chance, com entrada a R$ 50 e premiação variável, dependendo do número de inscritos.

Cristiano Camargo, o popular Cofrinho, uma das atrações do evento

No domingo, além da Mesa Final do Evento Principal, os jogadores ainda têm a chance de disputar o Last Chance, torneio com entrada de R$ 20. Institucional O Ribeirão Poker Tour é organizado pela Associação Regional Amigos do Poker, em parceria com a Any2 Eventos. Mais informações podem ser obtidas através dos sites http://www.amigosdopoker.net ou http://www.amigosdopoker.com.br. A organização também disponibiliza o telefone (16) 9270-9130 para que qualquer dúvida sobre o evento seja sanada.

Jurídico

Vale lembrar que o Poker, modalidade Texas Hold´em, foi reconhecido oficialmente em 2010 pela Federação Internacional dos Esportes da Mente (IMSA) como esporte de habilidade. Com isso, o pôquer chegou a ser cogitado pelo Comitê Olímpico Internacional decidiu para estar presente nas Olimpíadas de Londres, em 2012, como esporte de apresentação.

Bruno Assunção faz questão de ressaltar que o torneio realizado em Ribeirão é totalmente legal e conta com autorização das autoridades municipais e estaduais para sua realização. “Existem decisões do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e um laudo da Polícia Civil paulista que reconhecem o pôquer como jogo de habilidade. Nosso torneio acontece respeitando a legislação e com os respectivos alvarás”, explica.

Vale ressaltar que, no sistema de campeonato, não há apostas em dinheiro. O concorrente paga uma inscrição e recebe um número de fichas cujo valor é simbólico para efeito da disputa. O que está concorrendo é um prêmio ao final da competição. “É o mesmo que acontece em esportes como o golfe e o tênis dentre outros”, ressalta Bruno.

Sétimo no Ribeirão Poker Tour – bom resultado, péssima jogada

Provavelmente o dia de hoje, e uma jogada em especial, vai ficar me assombrando por alguns dias. Por isso mesmo, resolvi escrever pra ver se, analisando racionalmente, me desapego de remoer uma puta comida de bola que dei no Ribeirão Poker Tour.

Mas vamos aos fatos.

Éramos dez jogadores na mesa final, e eu cai em sétimo. Premiação de 1/6 do que poderia ser se eu fosse o campeão. Mas esse não é problema. Vamos analisar.

Com um total de 120 jogadores, chegar na mesa final foi uma vitória. Coroou 14 horas de jogo. Mas é claro que, tendo a oportunidade de jogar, queria mais.

Analisando a quantidade de fichas e os jogadores, achei que terminar entre os cinco era uma possibilidade bem concreta. Não estava errado. Basta dizer que eu considero o resultado extremamente positivo, Mesmo. Só me incomoda o fato de como deixei o torneio.

 Joguei o torneio de forma sólida desde o início. Foldei muitas mãos que a maioria jogaria. A10, AJ, par de dez, par de 7, par de 5. Na mesa final, comecei jogando minhas cartas, eliminei dois jogadores que estavam mais short e por uma dessas coincidências que só o baralho nos dá, fui em dois all in com o Caniggia, o menor stack do torneio, ambos em condições de vencer – um KQ contra A 10, sendo que fiz dois pares no flop, e outra com par de dez contra AJ. Nas duas, ele levou. Mas nada que diminuísse consideravelmente meu stack. Eu, que comecei em segundo com 369 mil fichas, cheguei ao primeiro intervalo ainda em segundo, mas com 700 mil. Um excelente avanço, que me deixou bem animado.

Na volta do intervalo, cometi um erro que julgava já ter eliminado do meu jogo. O único erro, imagino, na mesa final, e que me custou o torneio e a chance de brigar mais.

Vale dizer que as cartas passaram a não bater. Muita bofeira, algumas cartas médias fora de posição e uma infinidade de as com kicker pequeno. Ignorei mãos parecidas com estas durante 14 horas no primeiro dia. Mas, como a mesa estava muito agressiva, e os potes estavam sendo empurrados com praticamente qualquer mão, resolvi que iria jogar ainda mais duro para partir pra cima com amplo favoritismo na mão.

Infelizmente, pra mim, não consegui.

Vale a pena um registro. Fernando Mão, jogador de poker, um dos meus antagonistas no Pocket Aces e um jogador a quem respeito, havia dito uma vez sobre meus calls insanos. Algo como bluff call. Chamar mãos que sei estar perdendo, e muito, sem motivo ou razão. Concordei com ele e comecei a trabalhar esse detalhe foda no meu jogo. E diminui muito os calls insanos. Nos últimos meses, não lembro de ter feito nenhum de relevância. Consegui inclusive segurar bem a onda, evitando até apostas com mãos médias em situações extremas.

Mas enfim, o que me tirou foi um call insano.

Jogando extremamente conservador, e ajudado pelas cartas, que não vinham, fiquei pelo menos 25 mãos sem agir. A melhor mão que deixei foi um AJ naipado fora de posição. Cofrinho, campeão paulista de 2009, estava duas posições antes de mim. E, como sempre, tentando roubar minhas blinds.

Ganhei ao menos cinco potes dele respondendo aos roubos com aumentos, ou esperando para ver o flop e, ao bater minha carta, fazer a aposta correspondente. Uma mão – apenas uma – ,mudou isso.

Com blinds em 20 mil, Cofrinho, o último a falar, aumentou para 55. Já tinha colocado 20 no pote e imaginei que poderia tentar ver o flop. Detalhe: não fiz isso o campeonato inteiro. Paguei apenas uma mão com A7, naipado.

Impressionante que fiz a leitura perfeita dele, mas fiz tudo ao contrário do que li. Com um raise pequeno, ele sabia que as chances de eu pagar eram grandes. Se não quisesse ação, poderia ter empurrado um all in ou mesmo uma aposta maior. Meu alerta, atento, me mandou largar a mão ali, mesmo, mas pensei, bobo, que um ás no flop poderia ser rentável. E paguei.

Até ai, trata-se apenas de uma decisão menor, que não mudaria o andamento do torneio. Ainda estava entre os quatro maiores stacks e podia me dar o luxo de uma mão pra lá de marginal, mesmo sabendo que a decisão correta era largar.

Foi o primeiro erro, mas de longe o menor, dessa mão.

O flop veio Q37, sem nada de naipes. Eu tinha A3, fiz um par. Na mesma hora, instintivamente, imaginei que estava atrás. Mas era a mão errada, na hora errada. Dei mesa e o Cofrinho fez uma aposta de 55 mil. Uma aposta curta, implorando pra ser chamado. E o meu radar apitou forte, mas eu ignorei. Paguei.

Naquela hora, mesmo meu instinto me dizendo que ele estava muito na frente, decidi representar uma dama na mão. Pensei, comigo mesmo, mil vezes que QQ ou mesmo AQ, além de qualquer par entre AA e TT, eram possibilidades. A única opção que me colocaria na frente era algo como AJ ou AK. Algo extremamente improvável, especialmente pela forma como ele vinha jogando essas cartas.

Vem uma nova dama. Eu meso, ele beta a mesma aposta, eu resolvo fazer o move mais absurdo do torneio, Volto 200 mil, na tentativa de tirá-lo do pote. Ele volta all in, com um valor semelhante ao meu. Pouco maior.

Me sobravam nesse momento 140 mil fichas. Mais do que suficiente, diga-se, para que eu decidisse fazer a única coisa certa e largar a mão.

Vale dizer que alguns jogadores, que começaram na casa dos 60 mil, estavam vivos no torneio. Eu sabia que estava perdendo, e que nenhum out poderia me salvar. Nem o A. Mas, para completar o tilt, paguei. Ele mostrou, orgulhoso, um par de QQ nas mãos. Fez uma quadra. Resumindo, uma mão jogada de forma estúpida, a única que vacilei no torneio, me fez sair do torneio de uma forma que não vai me descer na garganta.

Veja, não trata-se de ter saido. Se eu fosse nessa mão com o Cofrinho de AA ou AK e ele quadrasse a dama, acontece, é coisa do jogo. Sairia derrotado, mas não puto comigo mesmo. Mas enfim, o fato é que, na hora decisiva, não joguei meu melhor jogo. Tive um surto e voltei a ser o Call Insano que não dava as caras há muito tempo.

Fica a sensação terrível que poderia ter chegado bem mais longe. Mas, pior ainda, fica a sensação de que uma bobeira colocou horas e horas de jogo paciente e equilibrado a perder. Uma pena e um problema, já que essa jogada absurda não vai me sair da cabeça pelos próximos meses.

Falando com o Bruno Addunção, um dos organizadores do evento, no pós torneio, contei a jogada e ele foi polido o suficiente ao dizer que uma jogada muda o torneio. É verdade, mas eu fiz questão de dizer que joguei absurdamente errado a mão. Ele comentou que, sendo o primeiro torneio maior que jogo ao vivo, o resultado foi bom.

Concordo.

Imagino também que, em uma situação parecida, no futuro, esse evento me ajude a controlar os instintos absurdos e segurar a onda. Tomara. Se ajudar no aprendizado, está valendo.

Na final do Ribeirão Poker Tour

Caras, essa noite vai ser díficil de esquecer.

Depois de 14 horas de poker, estou entre os dez melhores jogadores do Ribeirão Poker Tour, torneio que reuniu mais de 120 pessoas no hotel JP, em Ribeirão. O jogo começou às 14h; cheguei às 14h40 e deixei o local às 3h30. Cansativo, mas liindo.

As mãos bateram, minha imagem foi bem construída e, depois de muitas jogadas, passei para o dia decisivo com o segundo maior número de fichas. O décimo leva R$ 450, o primeiro R$ 7 mil. Pequena diferença… rs

O dia de ontem foi marcado por algumas situações que, por serem novas, trouxeram intensos sentimentos. Joguei o que pode ser encarado como meu melhor jogo, tranquilo. Desde o começo, fui vencendo etapas sequentes que me impunha durante o jogo, ganhando gradualmente confiança.

A mesa final acontece hoje, domingo, às 15h. Vou sem pressão e espero apenas fazer o meu jogo. Veremos o que a tarde nos reserva.

O jogo de ontem, na minha opinião, teve três mãos emblemáticas para mim. Senti que tinha chances concretas de chegar entre os melhores quando restavam algo em torno de 40 jogadores. Tinha, nesse momento, uma imagem muito sólida na mesa, levando potes sem contestação. Optei por jogar firme, com mãos de boa qualidade, sempre mostrando aos jogadores minhas cartas. Embora não seja usual, funcionou: depois de casar com o par de damas (sempre elas!) – foram cinco durante a noite – os jogadores perceberam que se envolver em mãos comigo era mais duro do que com os demais jogadores.

Isso foi suficiente para me deixar entre os 30 melhores. Ai, por volta das 23h, aconteceram duas coisas que foram importantes na minha história nesse torneio: veio para a nossa mesa o Cofrinho, campeão paulista de poker. Embora seja uma grande bobagem, jogar com um campeão como o Cofrinho dá aquela pesada. Ele chegou chip leader, montado em fichas. Decidi mostrar o meu jogo, sem medo.

Logo em sua primeira mão, ele subiu, agressivo, e mostrou AK. Ninguém contestou, claro.

Na segundo, o mesmo aumento agressivo. Veio KQ, voltei um tribet nele… Ganhei um belo pote, pois ele não pagou. Na minha cabeça, fiquei pensando: caráleo, dei a volta no campeão paulista de poker. E levei.

Mas não foi a única.

Poucas mãos depois, ele faz o aumento agressivo, 4 BB. Eu aumento de novo, dessa vez com AK. Ele folda e eu mostro. Nessa hora, minha imagem na mesa não podia estar melhor.

Nessa altura, faltando 18 pessoas para o dinheiro, eu tive noção que poderia chegar.

Mas o baralho castiga, e logo eu iria saber disso. Nessa altura, tinha quase 250 mil fichas.

Seguimos jogando até que restaram apenas 18 jogadores. Oito precisavam cair para que o dia fosse encerrado. Sono, dor de cabeça, estresse, fome,e enfim, tudo que podia prejudicar a concentração estava lá. Era preciso cuidado, mais eu estava confiante.

Até que mudou tudo.

Sai com AQ naipado. Boa mão para subir. Acontece que, antes de mim, um cara que estava com poucas fichas fez um aumento para 25 mil. Restaram pouco mais de 50 mil no stack dele. Ao invés de pagar e ver o flop, o que seria a manobra usual, resolvi, talvez com excesso de confiança, tentar ganhar o pote ali mesmo. Voltei 60 mil na aposta, forçando que os outros jogadores largassem a mão. E forçando o outro jogador a ir all in.

Ele tinha AK, naipado. Copas.

O showdown veio com K e, no river, ele flushou. Dobrei as fichas do short stack e ao mesmo tempo reduzi minhas fichas a perigosos 180 mil. Mas tudo pode piorar.

No pote seguinte, blinds em 3/6 mil, com K7 naipado, de ouro, resolvi que era hora de fazer um move. Aumentei para 25 mil. Um cara, que, depois, viria a ser meu antagonista, voltou all in. Lamentando a bobeira, larguei a mão e vi meu stack chegar ao menor nível das ultimas horas, algo em torno de 160 mil fichas.

Joguei mais algumas mãos, perdi mais algumas fichas, mas nada de relevante aconteceu pelas próximas  mãos. Apenas o total de jogadores foi caindo. Dez teriam a honra de voltar no domingo. Estávamos em 14. E eu perigosamente perto das últimas posições. Estava confiante, mas sabia que, com os últimos adventos, eu só poderia jogar com mãos giantes.

E, como manda o baralho, ela veio logo.

No meio da mesa, saio com AK naipado. Copas. Pra mim, é o naipe que mais bate flush. Mas não pensei nisso. Era a mão que eu precisava.

Com blinds já em 8 mil, alguém antes de mim resolve me ajudar e sobre para 25 mil. Podia pagar para ver e esperar o flop, fazer um aumento significativo para isolar o pote ou ir all in e impedir os jogadores de entrar… O risco é que, com 4 pessoas para falar, alguum par poderia pagar. Estávamos perdo da bolha. E eu, sem pensar que minha história no torneio poderia acabar ali, empurrei todas as fichas no pano verde e rezei para não ser pago.

Rezei, mas fui. Pelo mesmo cara que havia voltado a casa contra mim quando eu subi de K7 naipado.

Como era natural, todos foldaram. Nesse momento, achei que estava contra um par, talvez QQ, KK ou AA. Aventei a possibilidade do AK, o que desejava demais naquela hora. AK era a garantia de ganhar algumas fichas e permanecer no jogo. Mas o baralho tem seus caprichos e mostrou que nem sempre é assim.

Meu adversário mostrou AK napiado, espadas. E, na batalha das cores, haveria surpresas.

Não lembro as cartas. Mas o flop veio com uma espada e uma copa. Nada.

Eu em silencio, quase rezando. E o turn trouxe uma copas. Arreipei. Quase em silência, comecei a bater na mesa, pedindo… copas, copas, copas… Não ouvia nada, ninguém, apenas pedia copas.

Vem, copas, vem, copas, vem copasssss

E o baralho, dessa vez, me ouviu. Veio copas. Só lembro de ter gritado, muito alto, alguma coisa que não recordo.

O jogador que tinha ido all in contra mim e vencido definiu. “O mesmo AK, que, comigo, te tirou as fichas, te trouxe de volta”, Nada mais certo.

Dobrei minhas fichas, entrei nas 300 mil fichas e voltei ao jogo.

Nesse momento, o cansaço tomava conta. E as pessoas continuavam a cair, éramos em 12 agora, e apenas dois precisavam ir pra casa. Na outra mesa, um caiu. Estávamos na bolha.

Depois de algumas jogadas protocolares, onde sequer entrei nas mãos para evitar decisões difíceis, estávamos em 11. Um para cair e eu desejando ardentemente o fim do dia. Queria cama.

Um acordo providencial fez com que o 11 colocado recebesse premiação de R$ 200. Pronto, a bolha não existia mais, mas era preciso que alguém caisse para que a mesa final fosse definida.

E ai entra em cena minhas poderosas damas. Pela quinta vez na noite, fui brindado com QQ. E eu, como disse na mesa, não costumava gostar de jogar com as senhoras.

Do meio da mesa, o cara com stack mais curto vai all in, com 60 mil fichas. Pedi a benção aos deuses do baralho e voltei all in, para isolar. Todos largaram e meu antagonista mostrou um par de 7. Sem sustos, as senhoras seguraram e estava formada ali a mesa final.

Com quase 400 mil fichas, sou o segundo. Agora é jogar o jogo.

Uma prova, por sinal, que AA não é fundamental, embora ajude. Não joguei com nenhum par de A, nem nenhum par de J. Foram 5 pares de dama e um par de KK. Não recebi muitas mãos maravilhosas, mas me virei bem com o que tive. E agora, senhores, é jogar pela glória.

Depois de alguns minutos papeando com o Cofrinho, que também está na mesa final, tento assimilar o que rolou. Foi meu segundo torneio maior, o melhor resultado e o maior premio nos torneios ao vivo. Muita coisa nova.

Pego minha moto, dou aquele bom e velho tranco pra pegar. Na saida, acelerando como doido, grito, comemoro, faço a festa. Estou na final.