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Brasil no centro do mundo do pôquer – A conquista de Akkari

Andre Akkari, que conquistou o WSOP: orgulho para o Brasil

E olha que hoje, que tinha tudo para ser um dia morto, acabou sendo uma data memorável. E explico as causas. Andre Akkari, esse ai ap lado, um dos jogadores de pôquer mais gente boa do Brasil, puxou o 45 evento da World Series of Poker, um dos maiores torneios mundiais do poker. É como se fosse um Grand Slam do Tênis e, portanto, um feito notável, para ser comemorado mesmo pelo esporte brasileiro.

Ele é o segundo brasileiro na história a ter tal honra. O pioneira havia sido o Alexandre Gomes. Não conheço nenhum dos dois pessoalmente, mas conheço algumas pessoas que já jogaram ao lado de Akkari e garantem que o cara é realmente muito gente boa.  Por isso, considero essa uma conquista que, além de muito comemorada, coloca o nome do Brasil, de novo, no mapa mundial do Pôquer.

Para fazer história em Las Vegas, nos Estados Unidos, Akkari, conquistou o tão sonhado bracelete de ouro da World Series of Poker vencendo o americano Nachman Berlin no heads-up. Foram mais de 2 mil inscritos, o que nos dá a noção exata do tamanho da conquista.

Mais aindda porque, depois de quase ser eliminado quando ainda faltavam trinta e quatro jogadores, o brasileiro conseguiu voltar para o jogo e entrou na mesa final como o terceiro maior em fichas. Akkari começou o heads-up com o americano com quase seis milhões de fichas a menos, mas com paciência foi revertendo o quadro aos poucos.

Acompanhei as duas mãos que deram o titulo a Akkari. Foram mágicas.

A primeira foi um all in pre flop. Akkari tinha A8 e o gringo KQ de ouro. O bicudo do às apareceu logo no flop e Akkari dobrou.

Pouco depois, com o brasileiro dobrado e bem demais em fichas, outro all in. O gringo mandou bala com A2 e o Akkari chamou com TK, minha mão da sorte. Infelizmente o gringo seguiu no flop e dobrou.

Bracelete conquistado por Akkari

Mas nessa altura Akkari ainda tinha uma vantagem de 8 milhões contra 4 milhões em fichas. Poucas mãos depois, a consagração: depois de mais de quatro horas de jogo o americano foi all-in com A8. Akkari deu call com rei e valete. A torcida brasileira pediu, junta e em alto e bom som: Rei, rei, rei….. E eles vieram em dobro. Com dois reis em cima da mesa, André Akkari comemorou a vitória com a enorme torcida brasileira presente e ainda por cima levou pra casa mais de 600 mil dólares.

Acompanhei a parte final do heads up no Clube Amigos do Poker, espaço tocado em ~Ribeirão pelo Bruno Assunção. É onde dou minhas baralhadas de vez em quando. Em uma tela de computador, acompanhamos ao vivo as jogadas e torcemos em dobro.

Como não tínhamos como saber as cartas que cada um seguravam, íamos na base do grito da torcida, sempre acompanhando e torcendo. Aliás, a torcida deu um show a parte. Como se estivessem em um clássico de futebol, os brazucas fizeram Ola, entoaram gritos de guerra e infernizaram a vida do gringo. Teve até hino nacional – eu chorei, como sempre – e direito a bandeira brasileira.

O que dizer? Não torcia como torci hoje desde o título do Botafogo Futebol Clube no campeonato paulista de 2010, e posso dizer que foi sensacional. A torcida, o clima, a bandeira do Brasil, enfim, foi um momento mágico. Só resta dizer parabéns ao Akkari e desejar que outros jogadores sigam essa trilha.